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Amor e Afeto fortalecem as Crianças

 

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Estamos na semana da Primavera, as sementes que plantamos e regamos com cuidado e afeto começam a brotar nesta estação. Refletindo um pouco sobre isso, achei interessante falar da importância de todos esses cuidados na vida dos pequenos que muitas vezes podem nos passar desapercebidos, mas que faz toda a diferença em toda a sua vida.

A criança que se sente amada, cuidada e valorizada, que recebe limites bem definidos, se torna mais forte para lidar com as dificuldades e frustrações. É como se cada vez que acolhemos nossos filhos num momento de tristeza, que ajudamos os pequenos a enfrentar determinada situação, cada vez que estamos do lado deles encorajando-os, estamos colocando uma pedra preciosa dentro de um baú de tesouro de cada um. Estamos criando uma espécie de capital emocional da criança, um lastro de carinho e proteção. Quando ela precisar, sabe que lá irá encontrar. Isso possibilita que a criança cresça fortalecida, vá aprendendo a cuidar e respeitar o que é dela e entender o que é do outro, desenvolve a empatia e a benevolência em relação ao outro. Se torna uma criança com autoconfiança e autoestima saudáveis.

         Ajudar nossos filhos nesse caminho é presenteá-los. Futuramente, eles terão mais ferramentas emocionais para lidar com os grandes desafios da vida.

Mas os reflexos já aparecem agora, ainda durante a infância, na forma como lidam com as perdas, nos relacionamentos com os amigos e colegas, nos medos, nas conquistas… Quando a criança sente que conquistou a coragem ao passar por uma determinada dificuldade, ela adquire uma força interior que a permite atuar no mundo de forma mais segura, além de confiar no mundo que está ao seu redor.

         Acredito que como pais, todos nós fazemos o possível para ajudar nossos filhos nesse caminho, mesmo assim aqui vão alguns lembretes.

  • Mesmo que seja um tempo curto, dedique-se por inteiro ao seu filho durante esse período. Olhe nos olhos, esteja, de fato, presente e conectado a ele, principalmente durante as brincadeiras. O brincar na infância é algo fundamental (como já vimos nos textos anteriores), é a forma como a criança explora o mundo e se relaciona com as pessoas. Sente-se no chão, faça momentos de “lambança” e pura diversão, eles adoram! Permita-se ter este contato com seu filho. Quando você brinca com ele e dá atenção a isto, você entra no mundo dele e faz com que a criança se sinta muito importante pra você.
  • Leve-o também para o seu mundo! Peça sua ajuda dentro das possibilidades da criança. Fazer um bolo, um doce, secar a louça, lavar o quintal ou o carro, consertar um brinquedo…
  • Não subestime seus sentimentos, ouça e acolha! Não faça pouco caso de uma situação, não pense que a criança está dando muita importância a algo pequeno, pode ser pequeno para os pais enquanto adultos, mas para ele não é. Mostre a ele que são sentimentos e emoções que você também já teve e que ele não está sozinho. Assim você mostra o quanto ele pode confiar em você e se sentir seguro. Ele saberá que pode contar com alguém nos momentos difíceis.
  • Pergunte ao seu filho como foi o seu dia e conte também momentos do seu. Dessa forma ele pode se expressar livremente e aprender a ouvir.
  • Cuidado com as reações quando seu filho contar algo que você não goste. Algo que ele tenha feito e que você não considera correto. A criança está aprendendo a lidar com o mundo e cabe aos pais ensinar e colocar os limites, porém cuidado com a forma como chama a atenção, autoritarismo e agressividade não combinam com confiança.

 

Detalhes essenciais que são como sementes que, quando plantadas e regadas com carinho, limites e cuidados florescem e temos frutos maravilhosos!

 


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Não ao consumismo. Sim ao Heroísmo!

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A dica que eu gostaria de dar hoje, é este maravilhoso livro infantil.

Embora seja uma excelente leitura para os pequenos, acredito que seja melhor ainda para seus pais e cuidadores.

Não ao consumismo. Sim ao Heroísmo, trás de forma leve e lúdica um assunto que, muitas vezes sem perceber deixamos tomar conta de nossos lares: o consumismo em todos os detalhes.

Um livro que nos ajuda a olhar de forma diferente, a agir de forma diferente mesmo morando nas grandes cidades.

Vocês podem encontrar pelo site: www.ominiscienciabooks.com.br

Super Indico comprar este livro!!!! Vale muito a pena!!!


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Os Primeiros Sete Anos

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Foi mesmo uma noite especial. Todos na casa estavam ansiosos. Mas naquela quinta-feira éramos todos coadjuvantes (pai, mãe, irmã caçula). As atenções se voltavam para a filha mais velha. Uma menina meiga e ao mesmo tempo corajosa que estava prestes a perder seu primeiro dente. “Uauuuuu, nem doeu”, festejou ela. No final do primeiro setênio (entre os seis e sete anos de idade), aquilo que não pertence mais à criança, como os dentes de leite que são uma herança dos pais, começa a ir embora, para dar lugar a dentição permanente.

Podemos considerar o primeiro setênio como o alicerce para toda a vida do ser humano. Imaginem se construirmos uma casa e não cuidarmos da base, das fundações?

Em todas as fases da vida temos a oportunidade de nos fortalecer, porém é no primeiro setênio que temos a chance de ouro de construir esse alicerce forte que irá nos acompanhar por toda a nossa trajetória.

Do momento que nasce até os sete anos, a criança permanece no envoltório da mãe. Significa que ela viveu o nascimento do corpo físico no dia do seu nascimento propriamente dito, mas até os sete anos ela ainda recebe o mundo através dos olhos da mãe.

Pensando que tudo o que acontece ao redor dela entra fortemente em sua alma, precisamos urgentemente cuidar do que ela assiste, do que ouve, de que tipo de jogos brinca. Muitas imagens são de difícil digestão nesta fase. Mas a criança não tem saída, se foi captado pelos olhos a criança precisa digerir internamente. O problema é que muitas vezes ela não dá conta. O que pode surgir disso é a doença e os órgãos mais atingidos são a pele e o pulmão com o surgimento de alergias e problemas respiratórios.

Algo muito importante que acontece nessa fase é a imitação, o espelhamento. A criança imita e reproduz tudo o que está ao seu redor. Ela aprendeu a andar quando observou um adulto ficando em pé, por exemplo. Essa imitação ocorre no âmbito aparente, mas também de forma sutil em um âmbito muitas vezes invisível aos olhos. É nesta fase que construímos a base para moralidade. Devemos prestar muita atenção em nossas atitudes. Devemos ser adultos dignos de sermos seguidos.

A criança nesta idade vivencia um mundo de fantasia! As brincadeiras se desenrolam mais nesse sentido. Quatro cadeiras viram um carro, tecidos pendurados são o portal de um castelo, um saco de um quilo de feijão se transformam num filho pequeno. Por isso, mais um motivo para que limitemos o acesso a eletrônicos, a jogos onde apareçam cenas assustadoras. Para a criança, nessa fase, não existe separação do que real e do imaginário. Ela vivencia tudo de forma real! Aquela imagem e fantasia para a criança são verdade.

Chegando aos cinco ou seis anos, a criança começa a se preparar para algo muito importante no seu processo de desenvolvimento. Lembra que falamos há pouco que ela vive no envoltório da mãe. Pois agora está na hora de começar a ver o mundo através dela mesma. Nós, como pais, já concluímos uma bela empreitada. Ajudamos na preparação interna da criança, fortalecendo seu alicerce, criando recursos para que ela possa dar mais esse passo e vivenciar o mundo lá fora. Ela “nascerá” novamente, a separação do “Eu” e o “Outro” irá se acentuar. E isso pode despertar alguns medos, como o medo de escuro, medo de andar pela casa sozinha, de brincar em algum cômodo sozinha. Mas quando percebemos que são medos característicos dessa fase podemos auxiliar a criança. Primeiro devemos ouvi-la com atenção e não subestimar os medos. Falar para a criança que ela não está só e que na idade dela você também já passou por isso. Vale preparar uma pequena luz no quarto, manter rituais antes de dormir como um verso ou oração que fortaleçam e falem de proteção. Nessa fase é importante apresentarmos um mundo bom para a criança e fazer com que ela se sinta segura aqui.


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Livro: Jardim – de – Infância

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A dica que gostaria de compartilhar hoje, é este livro maravilhoso da Helle Heckman:

Jardim – de – Infância    Estruturando o ritmo diário segundo as necessidades da criança pequena.

O Título já diz tudo! Um livro  para  papais e mamães de crianças pequenas, para auxiliar da melhor forma possível o dia a dia dos pequenos.


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Imagine a cena:

Uma criança se debatendo no chão, chutando o ar, chorando e gritando sem parar. O motivo para tanto desespero foi um NÃO, sonoro e bem claro, que ouviu da mãe. Quem tem filho pequeno, é certo, já vivenciou isso. Para famílias que têm crianças entre os dois anos e três anos de idade isso pode estar se tornando uma rotina.

– O que está havendo com meu pequeno anjinho?

– De uma hora pra outra deu pra ficar “cheio de opinião”, birrento, até agressivo.

– Será que ele tem algum problema de personalidade?

Questionamentos como esses sempre surgem em rodas de conversa, no consultório, nas redes sociais. Os pequenos chegaram a uma fase conhecida como “Terrible ” ou os terríveis dois anos. Mas tudo isso faz parte da idade e é importantíssimo para o seu desenvolvimento. A criança está aprendendo a se colocar no mundo e a vivenciar novas experiências. Quando temos esse olhar e entendemos esse processo, passamos a ver que os terríveis dois anos, não são tão terríveis assim. Passamos a entender que esta criança não é agressiva e não está tendo esses comportamentos à toa. Ela está passando por um processo interno necessário para o seu crescimento.

Entre os 2 anos e meio e 3 anos de idade, a criança já conquistou os elementos que permitiram o início da sua atuação no mundo. Já levantou a cabeça, se sentou, engatinhou. Ela aprendeu a ficar em pé, pode ir até as coisas que deseja, se movimenta sem tantas limitações. Paralelo a isso, a garganta fica livre, a laringe se liberta e vem a fala. Agora a criança se relaciona de forma oral e começa a trocar com o mundo, a se relacionar mais com as pessoas. Recebe e devolve, pede as coisas, fala o que quer, fala também o que não quer. Ela vai buscar o espaço dela e aí a fase da birra se instala. A criança passa a brigar pelo seu lugar.

Nessa fase, a criança permanece no envoltório da mãe, só que agora de uma forma diferente. Ela já identifica a mãe como outra pessoa. Ela passa a perceber o outro. Na Antroposofia, chamamos esse processo de a primeira manifestação do Eu! É quando a criança começa a falar “eu” pela primeira vez, utiliza a primeira pessoa, não mais a terceira (“eu quero” e não “Marina quer”).

Sendo assim, o desejo da criança aumenta, a vontade de ter e conseguir as coisas também se intensifica. Nesse momento, os pais têm uma tarefa fundamental: dar limites. Essa vontade precisa ser lapidada. Os pais têm a responsabilidade de dizer o que a criança pode ou não pode fazer. Para a criança, são muitas mudanças. Além dessa sensação interna de diferenciação com o mundo que a rodeia, de sentir os limites do seu próprio corpo, ela também passa a ouvir mais “nãos” dos adultos! É onde se identificam as birras, os momentos de maior irritabilidade, agressividade e choro intenso. O que devemos fazer é colocar estes limites e falar esses “nãos” a partir de um lugar de respeito, com um novo olhar, sem autoritarismos.

Muito mais do que receita pronta, gostaria de ajudar os pais a refletir sobre tudo isso. Quando a gente entende que é uma fase de desenvolvimento, nós vemos a possibilidade dar um passo atrás, manter a calma. Embora na Antroposofia exista o entendimento de que a criança já tenha estado outras vezes aqui na Terra, quando ela chega para uma nova jornada ela precisa ser atualizada. A criança precisa reaprender a viver nesse lugar, necessita se adaptar novamente a estar nesse mundo. Nós, como pais fomos escolhidos, por ela, pra fazer esse papel. Significa que vamos orientá-la, vamos falar que ela fez algo errado, vamos mudar a fisionomia. Precisamos mostrar que aquilo nos desagradou, que aquilo foi errado. No entanto, não devemos julgar.

Na hora de dar limites, os abraços são aliados perfeitos. Uma criança tão pequena precisa de limite físico. Ela está aprendendo a viver dentro do seu corpo, está entendendo os seus contornos. O abraço é uma forma de “juntar” esse “Eu” que chegou e se esparramou.

Outra atitude que ajuda no meio de um caos é pegar a criança pela mão, tirar da situação e levá-la pra dar uma volta. Se for preciso, dizer que não gostou do que ela fez. Isso areja, a ajuda a respirar. A criança não consegue enxergar um novo caminho sozinha, somos nós que precisamos mostrar. A partir do momento que temos esse olhar, muita coisa muda, conseguimos nos posicionar com maior segurança e assim, ela olha pra gente e entende que estamos aqui pra acolhê-la.

 


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Quando Procurar Psicoterapia para meu filho?

 

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A menininha de cinco anos chega ao consultório orgulhosa falando sobre sua conquista em se apresentar na ginástica artística, conta o que aconteceu nos últimos dias, escolhe um jogo e começa a brincar. Essa escolha nunca é aleatória. Ela sempre vai preferir um jogo que tenha relação com a queixa que traz. Os pequenos, assim como nós adultos, têm um “eu” curador que sabe o que é melhor pra eles. É como se na hora de escolher um jogo a criança ouvisse uma vozinha interna e a seguisse sem questionar. E é na brincadeira que muitas questões aparecem.

Depois da brincadeira, vem uma história e logo em seguida é hora pintar. Dessa e de outras formas lúdicas, conseguimos ouvir o que vive na criança, sem que ela precise contar em palavras.

Aí vem a pergunta: será que é hora de procurar uma terapia para meu filho? Será que essas reações estão mesmo de acordo, faço vista grossa ou preciso ter um olhar mais atento. É difícil mesmo distinguir entre os comportamentos que fazem parte da faixa etária e os que estão inadequados.

Além das palavras, é importante que os pais prestem atenção nas atitudes e comportamentos de seus filhos, eles são indicadores de que algo possa estar acontecendo.

Lembrando que existem fases em que naturalmente as crianças ficam mais difíceis, testam mais, podem sentir mais medo ou decidem contestar tudo (entre os dois e três anos, aos seis, aos nove anos de idade que detalharei nos próximos textos). Essas reações são normais e vão surgir em maior ou menor intensidade, dependendo de cada criança.

O que vale ficar atento são características que fogem um pouco do que é considerado padrão:

  • Agressividade incomum ou muito choro. Uma criança super tranquila e que, de repente, começa a bater nos amigos ou outra criança que tem um comportamento explosivo como regra para suas relações e que briga toda semana com os colegas da escola.
  • Tristeza ou falta de interesse no que está acontecendo ao redor.
  • Baixa autoestima. Uma criança que não se vê capaz de fazer alguma coisa, de subir em algum lugar, de fazer a lição. Não confia em si mesma.
  • Medos irracionais e extremos tão fortes que impedem a criança de agir. Por exemplo, uma criança lá pelos seus 8 anos com medo absurdo de ficar sozinha no quarto; que tenha medo de ser abandonada, fica vigiando os pais o tempo todo para que não se afastem; que no mercado fique grudada com medo de se perder. Aqui vale lembrar que perto dos seis anos e, às vezes, aos nove também, a criança sente mais medo, medo de ficar só, de bruxas. Isso deve ser levado em conta e, em todos os casos, a criança deve ser acolhida e nunca forçada a vencer o medo a todo custo.
  • Problemas de concentração.
  • Timidez ou introspecção que atrapalham no seu desenvolvimento social.
  • Regressão ou comportamentos imaturos. É sabido que quando um bebezinho está a caminho, o irmão mais velho pode regredir um pouco em seu comportamento, voltar a fazer xixi na cama é um exemplo clássico. Mas não se trata de situações assim. Os casos que precisam ser investigados são diferentes, como por exemplo crianças de 10 anos que ainda fazem xixi na cama ou meninos e meninas com seis ou sete anos com comportamento e características equivalentes a uma criança de dois ou três anos, como fala ou desenvolvimento motor.

            Em momentos de crises, os pais devem ajudar seus filhos, mostrar a eles que não estão sozinhos. Para isso, é importante escutar sem interrupções a fala da criança, deixar que conte tudo o que sente em relação àquilo que estão vivendo, explicar que não deve ter vergonha de determinados sentimentos, como o medo, por exemplo. E acima de tudo não julgar o pequeno. Estas características, entre outras, podem aparecer em qualquer criança e serem normais. O importante é não tirar conclusões precipitadas, mas sim observar se persistem e por quanto tempo.

            Em muitos casos a ajuda de um profissional se faz mesmo necessária. O Psicólogo Infantil é a pessoa que vai proporcionar à criança um ambiente de confiança, caloroso e acolhedor para que ela possa se sentir à vontade para identificar seus sentimentos, preocupações e problemas que estão ocasionando determinados tipos de comportamentos ou sensações.

Isso pode ser feito de diversas maneiras, dependendo da linha terapêutica que o Psicólogo seguir. Tudo isso respeitando cada fase da criança, compreendendo que algumas vezes melhorar não é fácil, leva um certo tempo (embora muitas crianças sejam mais flexíveis a estas mudanças) e requer o envolvimento de todos que estão a sua volta, principalmente, família e escola.

            Com a criança nós sempre damos um passo pra trás e vemos o todo. Ela pode estar espelhando, refletindo coisas que fazem parte da vida dela em casa, com amigos, com os colegas. Às vezes, os pais estão passando por uma fase de muita briga, a um passo de uma separação, mas nunca disseram isso abertamente para a criança. Não importa, a criança sente e acaba tendo alguns comportamentos que refletem esse desacordo, essa desarmonia que ela está vivendo em casa.

O essencial de tudo isso é acolher e respeitar o momento ou a dificuldade desta criança e desta família. Respeitar que esta criança não é um adulto em miniatura e, sim um ser em desenvolvimento e na fase mais importante de toda a sua vida!

 

 

 

 

 


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Era Dia dos Pais, fomos a um restaurante numa cidade vizinha para aproveitar o domingo. Na do lado, um bebezinho chamou a atenção. Era uma menininha, de uns seis ou sete meses, que se deliciava com um pedaço de pão na mão. Depois de saborear todo o seu lanche começou a ficar um pouco incomodada. O Pai dela deu uma pausa em sua refeição para acolher a pequena, nada a contragosto. A mãe seguiu o seu almoço tranquilamente. Há quem pensa, mãe de sorte, essa. Eu diria, filha de sorte, essa.
É exatamente sobre essa relação que se fortalece no dia-a-dia que quero falar hoje, desses homens tão especiais na vida dos filhos e da importância que esse vínculo afetivo pai e filho tem.
E aqui, não falo de uma forma excludente, chamando atenção apenas para o pai biológico. A figura paterna à moda antiga não existe em algumas famílias, por morte, separação ou qualquer outro motivo. Falo de uma figura masculina importante, presente e ativa na vida das crianças, que pode ser um avô, um padrinho, um tio, um amigo querido da família.
Desde o início da vida, a sua presença é essencial, no acompanhamento da gestação, no carinho e amparo à mãe, na conversa com o bebê ainda na barriga, passando segurança à gestante no momento do parto. Importante lembrar que na sala de parto, muitas vezes, o pai é convidado a cortar o cordão umbilical do bebê. Sobre esse momento paira um simbolismo importante, porque é esse pai que vai cortar o “cordão” mais adiante e ajudar essa criança a encarar o mundo.
Ainda nestes primeiros anos o mundo chega até a criança através dos olhos da mãe, mas a partir do segundo setênio (dos sete aos 14 anos) o mundo entra direto na criança e é o pai que vai ajudá-lo nesta caminhada. Com esta força do masculino ele traz estrutura para a criança, firmeza ao caminhar pela vida, apresenta o mundo para ela. É uma energia masculina que dá direcionamento. E é claro, que também traz acolhimento. Todos nós temos essas duas energias dentro da gente: masculino e feminino. O masculino trazido pela figura paterna possibilita firmeza, limites, confiança, e o direcionamento no caminhar pelo mundo. O feminino que, também existe, dentro deste mesmo homem traz o acolhimento, a leveza e a sensibilidade no carinho e aconchego com a criança.
A questão é: será que nós, como mães, damos espaço necessário para que os pais possam agir? É comum que pais e mães ajam de forma diferente em relação aos filhos, mas vale observar que nem sempre o que é diferente está errado.

Muitas vezes é apenas diferente mesmo. Vale pensar se estamos permitindo que os pais cuidem da maneira deles, com este lado mais direto e, às vezes, mais leve.

Nossos filhos só têm a ganhar.

 


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Do Nascimento ao Primeiro Ano de Vida

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O nascimento de uma criança é sempre um momento cheio de expectativas e surpresas. Os olhos e o coração dos pais e de todos os familiares se enchem de alegria. Um momento inexplicável, um encontro que vai permear o restante da vida de pais e filhos. Junto com todas essas emoções, inicia-se um caminho de aprendizagem para pais e bebê. Um percurso que vai durar a vida inteira. Algumas coisas, já sabemos, que muito amor e afeto ajudam no desenvolvimento, que não adianta apressar ou pular etapas porque isso vai fazer falta lá frente, mas o fato é que nenhum filho vem com manual e exatamente por isso é fundamental que a gente conheça detalhes importantes que vão fazer a diferença para que a criança tenha um desenvolvimento físico e emocional o mais saudável e benéfico possível.

O início se dá muito antes do parto, é no momento da concepção, a importância de uma concepção consciente, da criança se sentir bem-vinda nesse começo de vida. No útero da mãe, o bebê estava acolhido, quentinho, se acostumou a ouvir chiados na maior parte do tempo e os alimentos chegavam sem que fosse preciso pedir. O primeiro desafio para muitos já é o nascimento. Por isso, um parto respeitoso é tão importante. Esperar o momento do bebê, não apressar nada com intervenções desnecessárias, não levá-lo para longe da mãe. Criar um ambiente que o faça sentir-se bem-vindo, um ambiente parecido com a atmosfera que estava acostumado durante os nove meses. Engana-se por completo quem pensa que o bebezinho, ainda tão pequeno, já precisa ir se acostumando com barulho, luzes fortes e muita falação.

Eles precisam de sossego. Sendo assim, definitivamente shopping, por exemplo não é lugar para esses pequenos.

O outro ponto de vista que é essencial neste primeiro ano de vida é ver que todo o caminho feito por este bebê é em direção ao ficar em pé! Lembram, no texto anterior, quando falamos do germe da vontade? Aqui conseguimos vê-lo em perfeita atuação. Germe, semente que já começa a atuar dentro do útero, quando o bebê começa a fazer força para passar pelo canal do nascimento. Nesse sentido, nascer é a primeira grande força interna da vontade que esse bebê vai vivenciar. Depois ele vai crescendo, ganhando corpo. A criança começa levantando a cabeça, depois rola, vira de bruços, até conseguir se sentar e em seguida engatinhar. Nesse momento, o bebê movimenta os dois lados do cérebro, trabalha a lateralidade e se fortalece para chegar ao ponto de ficar em pé.

Nesse primeiro ano, uma das brincadeiras que vão ajudar a criança nesse processo é a de jogar objetos no chão. Ela pega uma colher e joga, a mãe, o pai, pegam novamente a colher, dão para criança e ela volta a jogar. Isso é repetido várias vezes sem que ela se canse. Essa brincadeira, para nós sem muito atrativo, é para o bebê o primeiro teste de gravidade. O próximo passo vai ser ela fazer o teste com o próprio corpo.

O início do andar na infância tem o sentido de andar no mundo quando adulto. Quando a criança está vivendo esse processo ela cai, se levanta, cai novamente e isso é uma grande alegria para ela, uma conquista gigantesca. A gente vai passar pela vida inteira nesse cai levanta. É disso que é feita a vida: desafios, acertos, quedas e aí temos que nos levantar novamente. Quando, na tentativa de ajudar, a colocamos num andador estamos passando a seguinte mensagem: você não dá conta, não é capaz. Emocionalmente é como se ele precisasse desse recurso sempre, sempre que cair vai precisar de ajuda para se levantar, para andar no mundo. A criança precisa vivenciar esse processo, enfrentar essas tentativas ela mesma.

Ela consegue, é natural! Lembrem-se que devemos alimentar essa força interna de coragem e conquistas!


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O Brincar na Primeira Infância

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Há tempo queria escrever um texto sobre esse tema. Com as férias a inspiração aumentou, o convívio com a criançada me fez observar todos os tipos de comportamento. As crianças que brincam muito na rua, as que preferem brincar mais dentro de casa, as que têm brincadeiras mais corporais, aquelas que se divertem fantasiando e as que não brincam. Não que não brinquem em absoluto. Elas se divertem, mas sempre usando uma tela pra isso, pode ser um tablet, o computador, o celular, o videogame, a TV. Esse distanciamento do brincar real não tem nada de inofensivo. Vamos pensar juntos?

A criança no primeiro setênio (do nascimento aos sete anos) é puro movimento. Ela reconhece o mundo em que vive enquanto corre, anda descalça, brinca no balanço, quando pula corda, sobe em árvore. Nesses momentos a semente da vontade se agiganta dentro da criança.

A vontade, de acordo com a Antroposofia, é uma força interna, inata, que só precisa ser lapidada. Essa vontade vive nas mãos e nas pernas que são os membors que permitem que a gente faça coisas, que nos colocam no mundo. Quando uma criança fica parada, sentada na frente de uma tela, só recebendo estímulos visuais e nada mais, ela não exercita essa vontade. Não usa a sua máquina (o corpo) da forma que a natureza previu. Isso faz a vontade atrofiar.

Mesmo os chamados vídeos educativos, esses pouco contribuem. É falso imaginar que é bom para um criança pequena, de um ou dois anos, aprender a contar até 10, aprender as cores em inglês ou qualquer outra coisa com a ajuda de um personagem virtual. Nos sete primeiros anos de vida, a criança aprende pela imitação. O que é melhor pra ela é ter o pai ou a mãe como modelos e não alguém que nem real é.

Olhando de um ponto de vista neurológico, é na infância que o ser humano mais produz conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses. Uma das formas da criança fazer essas sinapses e aprender é se movimentar, sentir o limite no próprio corpo. Quando uma criança esbarra numa mesa, por exemplo, o cérebro fez uma sinapse. Quando rola no chão, faz outras. Com o passar do tempo, essas conexões em excesso vão diminuindo, permanecem apenas aquelas que foram mais utilizadas ao longo da infância e é isso que vai ficar na vida adulta. Se não se movimenta o suficiente, imagina o que acontece!

A brincadeira é fundamental para o desenvolvimento físico, cognitivo e social dos pequenos. Quando a criança chega ao mundo tudo é estranho pra ela. Ela precisa conhecê-lo, experienciá-lo. E é através da brincadeira que ela explora o meio em que vive, que aprende a compartilhar, a nomear as coisas, situações e a se relacionar com as pessoas ao seu redor.

“O brincar é como um rio que corre e nós adultos somos as margens, que

servem de sustento para que ele corra, é uma força da natureza, não podemos

ensinar nada para a água, ela corre por si.”

Maria Chantal Amarante – Professora Waldorf.

Do ponto de vista emocional e psíquico, uma criança que brinca livremente tem mais facilidade de lidar com as situações adversas e dificuldades. Habilidades como resolução de problemas e manejo de frustrações já foram exercitadas durante as brincadeiras sem nenhum esforço. O brincar livre, sem atividade dirigida, proporciona autonomia e estimula a criatividade. Por natureza, as crianças brincam daquilo que é necessário para sua fase atual. O papel do adulto é proporcionar apenas o ambiente saudável, contato com a natureza, poucos brinquedos cheios de estímulos, muito carinho e principalmente atenção. Mostrar interesse pelo que a criança está fazendo e dar importância àquilo. Para ela a brincadeira não é somente fantasia e imaginação, é pura realidade. Isso gera sentimento de pertencimento, fortalece a autoestima e a autoconfiança da criança.

Alguns pais têm a sensação de que a criança precisa se divertir o tempo todo, sem parar. Aqui vale lembrar um outro aspecto da brincadeira, o ritmo. O ritmo saudável; não só na brincadeira, mas na vida como um todo; é o que se assemelha ao da respiração, intercalando momentos de expiração (fora) e de inspiração (dentro). Depois de um período de brincadeira ao ar livre, correndo, pulando ela precisa ficar dentro de casa, brincando, quietinha. Muitas vezes a criança faz esse movimento sozinha, mas se não o fizer é só convidá-la para entrar e tomar um lanche, descansar um pouco, brincar de boneca, carrinhos, quebra-cabeça. É quando a criança está dentro que ela cria e elabora seu mundo interno. Momento de descansar e de fazer a digestão, digerir todos aqueles momentos vividos fora, construir os recursos internos.

A brincadeira é uma das bases fundamentais para que tenhamos um adulto fortalecido emocionalmente, com recursos internos para lidar com o cotidiano e com as frustrações. Um adulto criativo com histórias e belas recordações de infância.

Brincar faz a criança feliz!

 


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Volta às aulas

Chegamos ao final das férias e, nesta semana retomamos o ritmo escolar.

Algumas crianças sentem um pouquinho mais de preguiça, pois nas férias acorda-se um pouco mais tarde, muda alimentação e horário de dormir, mas, em contrapartida tem o reencontro com os amigos que é uma festa!

Enfim, é hora de rever os amigos, prestar atenção nas aulas, organizar o material, fazer as lições de casa…

volta as aulas desenho

Pensei em compartilhar com vocês, algumas dicas fundamentais para que esse percurso escolar aconteça da melhor forma possível.

Para começar, é importante cuidar da rotina diária e dos horários dos pequenos, para que tudo aconteça em horários parecidos – hora do almoço, do jantar, de dormir, do banho e da lição de casa.

Outros dois pontos fundamentais são a alimentação e o horário de dormir! Comer bem e dormir cedo (mesmo que a criança estude a tarde) reflete diretamente na disposição da criança e no seu desempenho escolar.

E, agora as lições de casa!

Muitas vezes, os pais enfrentam dificuldades neste momento. Temos as crianças que enrolam e ficam horas para terminar um dever e outras que perdem a atenção com facilidade. Para melhorar isso podemos fazer alguns ajustes como: reservar um lugar próprio para a lição de casa onde tenha o mínimo de estímulos externos (TV, brinquedos, pessoas conversando de outros assuntos). Visto isso vamos cuidar da postura, é importante que a criança não fique debruçada na mesa e que esteja com os dois pés no chão.

Quando ficamos com a coluna reta e os pés em contato com o chão, é uma maneira de sentirmos nosso corpo por inteiro e estarmos mais consciente do momento presente.

Essa dica vale para os nossos filhos, mas, também para os adultos quando estão inseguros ou precisam se concentrar por algum motivo, exercite esta experiência e veja como a nossa atenção e foco mudam.

volta a escola

Pequenas mudanças que podem tornar o dia a dia escolar mais saudável.

Um excelente retorno à todos, que este novo semestre seja repleto de novos aprendizados e alegrias!