Como ajudar as nossas crianças a enfrentar o luto
Recentemente passei por uma situação muito difícil, a perda de uma pessoal muito querida e que fez parte da minha infância. Me deparei com o fato de ter que falar sobre esse tema tão delicado com...

Leia mais

Coisa de menino e coisa de menina
Uma menina gostar de azul tudo bem! Mas e um menino gostar de rosa? Conheço muitos pais que vão responder: – Ah, não… Rosa meu filho não vai vestir! Assim como já ouvi: – Essa b...

Leia mais

Toda criança precisa de Ninho
  Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem...

Leia mais

Criança e Agressividade
Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 grau...

Leia mais

O momento de tirar a fralda
  Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança....

Leia mais
0

Dica de Filme

cartaz_origemdosguardioes_cartaz_220x283

É muito rico manter a fantasia e a imaginação na vida dos pequenos, ela faz parte do universo deles. Personagens, como o Papai Noel, Fada do dente, Coelhinho da Páscoa, quando mantidos vivos nas crianças passam a elas a ideia de que o mundo é bom e acolhedor, o que segundo a Antroposofia é fundamental para as crianças do primeiro setênio (0 a 7 anos). Isso traz calor, confiança a elas. A criança aprende a desenvolver a fé e a esperança que levará para a vida inteira. Acreditar nos sonhos, ter a confiança de que os desejos possam ser realizados é o alimento para uma vida saudável na infância.

E aqui vai outra dica de filme: A origem dos Guardiões! Fala exatamente sobre manter viva essa ideia!

Bom filme!

 


2

Despertar a Gratidão nos Pequenos

 

educar-a-criana-em-valores-a-gratido_a

Esta época do ano faz com que as pessoas fiquem mais reflexivas, pensem em como foi o ano. Na TV, vemos as retrospectivas e ouvimos muitas vezes:

– Tomara que o próximo ano seja melhor do que este!

A tendência é olhar apenas para o lado ruim do que vivemos.

Aqui, refleti sobre o meu ano, os momentos difíceis e sobre o exercício que foi buscar força e sabedoria para enfrentar o que vivi e agora vejo como esses momentos me ensinaram e me fizeram crescer.

Também parei pra pensar sobre os encontros especiais que tive, no presente que foi pra mim ter criado este blog, o quanto meu coração transborda de gratidão ao lembrar do meu trabalho, da minha família, das oportunidades, dos meus amigos. Aqui, fazendo toda essa retrospectiva interior, achei importante falar sobre o quão importante é permear a vida dos pequenos com esse lindo sentimento que é a Gratidão!

A gratidão é algo mágico, tanto é que dissemos que o “obrigado” faz parte das palavrinhas mágicas que as crianças aprendem desde pequenas.

A gratidão faz com que as coisas se tornam mais leves, possibilita que olhemos para situações difíceis e as transformemos.

As crianças já trazem dentro de si naturalmente a gratidão que vai além da palavra obrigado. Elas se deliciam ao beber um simples copo d’agua, tem admiração e devoção ao ver algo da natureza ou ao conhecer algo novo. Isso é gratidão e não precisa ser expresso em palavras.

Mesmo assim, com o passar do tempo é importante ajudá-las a manter esse sentimento. Mas como? Você pode se perguntar.

Contar para as crianças de onde vem as coisas que elas usam é uma forma. Veja o lindo o texto que encontrei no O Livro da Gratidão, de Luciana Betti. “Tudo que está no seu lado tem um segredo guardado, uma história pra contar de um passado bem bonito. Quem olhar com gratidão e atenção juntar a isso, verá que tudo veio de longe para estar a seu serviço. Você já pensou que a cama na qual você dorme já foi uma grande árvore? Que ela já viu ninho de passarinho, já viu as estrelas à noite, já deu flor, já deu sementes e se sacudiu nas tempestades? Obrigada árvore, por me ter em seus braços e por me contar, nos meus sonhos, sobre as estrelas e as florestas.”

 Agradecer antes das refeições é outro jeito. Se sentir grato à terra que nos deu os alimentos, ao sol que ajudou na produção deles, aos frutos que as árvores nos deram… Nas escolas, existem músicas para esses momentos. Peça para o(a) seu filho(a), provavelmente ele conhece uma. Caso não conheça, é uma boa oportunidade para você introduzir isso na rotina da casa.

O gesto de agradecer pelo dia antes de dormir também é importante e nesse momento gostaria de deixar aqui uma dica valiosa. Construa com seu filho uma caixinha da gratidão, decore-a… E todos os dias, durante o ritual do sono, faça o momento do agradecimento. Peça para que a criança escreva em um papel ou desenhe algo que tenha a agradecer do dia que passou! Nós, pais, também somos convidados a participar do exercício.  É algo muito legal. Depois de um tempo, quando abrirem essa caixinha, verão quantos motivos terão a agradecer, quantos presentes recebemos da vida e assim ensinamos às crianças olhar nessa direção. Isso vai trazer uma sensação maravilhosa de segurança e acolhimento pela vida.


0

Um problema de Natal

 

natal1

            Olhando o Facebook encontrei esse lindo vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=s7QeDzyQlXY&feature=youtu.be ) em uma página que acompanho chamada De Criança Para Criança, e decidi dividir com vocês. Ele trata de Natal e separação.

            Neste fim de semana, comemoramos o nascimento de Jesus, uma data que traz a ideia de família reunida. Mas nem sempre é assim. O vídeo mostra de uma forma delicada a realidade de duas crianças que estão prestes a viver o primeiro Natal com os pais separados. Os desenhos, feitos por crianças, apresentam as angústias de um menino e de uma menina que não querem ter que escolher com quem passarão a noite de Natal.

            A separação dos pais é sempre um assunto difícil para toda a família. Mesmo nos casos em que o rompimento acontece de forma amigável e que o diálogo permanece, leva-se um tempo até que as crianças se adaptem à nova rotina. Diante da separação dos pais, muitas crianças podem se deparar com esse mesmo sentimento mostrado no vídeo, de ter que escolher entre um e outro.

            Os filhos podem se sentir forçados a assumir uma responsabilidade que ainda não é deles e preocupados em não chatear o pai ou a mãe com a sua escolha.

            Neste momento, é muito importante deixar de olhar para as questões do casal e olhar para as crianças. Sabemos que estes pais passam por uma situação delicada, estão machucados e magoados, porém existe algo maior que tudo isso: O AMOR QUE SENTEM PELO FILHO!

É muito importante, nessa hora ouvir, o que os filhos estão sentindo. Se as angústias não surgem naturalmente, vale perguntar.

– Como você está se sentindo?

– Você está incomodado com alguma situação, algo te preocupa?

            Depois disso, os pais devem se posicionar, lembrar que o pai e a mãe são figuras que vão acompanhar a criança pra sempre independentemente de estarem casados ou não.  Nessa conversa, a criança deve se sentir muita amada.

A criança que vivencia e percebe o respeito entre os pais, tende a se adaptar melhor à nova realidade. Ela fica mais segura e feliz por sentir que é cuidada e amada por dois adultos que estão dispostos a percorrer um caminho de vida ao lado dela.

No desfecho do vídeo, as avós entram em cena e, em vez de uma festa de Natal, as crianças têm duas. A vida real normalmente é mais complexa do que nos desenhos. No entanto, complexa ou não é nosso papel agora que somos pais deixar que o colorido da infância permaneça.

Feliz Natal com muita luz pra todos!!!


0

Toda criança precisa de Ninho

 

bffilhote

Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem um a um os gravetos na ponta do bico, arrumam com todo amor e dedicação o lugar onde irão criar seus filhotinhos (postei essa semana no Facebook, um vídeo que mostra um ninho num lugar bem inusitado). Depois que os filhotes nascem, os pássaros levam comida, protegem os pequenos contra os perigos para que eles cresçam com segurança e logo adiante possam voar, explorar e conhecer o mundo em busca do seu próprio alimento.

Agora, a partir dessa imagem vamos pensar nos nossos filhos!

As crianças também precisam de um ninho. Quando pensamos nessa palavra logo vem à mente um lugar acolhedor e seguro. E é exatamente isso!

Como pais, devemos construir um lugar quentinho e que transmita segurança, para que os nossos filhos sintam-se acolhidos. Construir esse ambiente exige algo que temos de sobra: muito amor! E exige também muita dedicação e envolvimento da nossa parte.

Vamos começar pelas relações, como é importante cuidar disso. Para os pequenos, elas são fundamentais. A relação com os avós, com os tios e principalmente, com o pai, a mãe e os irmãos, as pessoas que convivem na mesma casa que esses pequenos. Caso seu núcleo familiar seja diferente, inclua aqui quem faz parte dele. Essas são as pessoas que vão viver nesse “ninho”. Através desses relacionamentos as crianças são envolvidas por um calor que não vem do fogo, mas do coração e que vai reverberar mais adiante em segurança e autoconfiança.

Para isso, temos que ter a consciência de estarmos presentes, inteiros enquanto convivemos com nossos filhotes. Deixar de lado os celulares, a TV, os computadores, para que possamos ter uma troca autêntica, o olho no olho, e conversar com nossos filhos com atenção.

Outra situação importante, é evitar que as crianças (principalmente as pequenas) tenham contato com os noticiários mais violentos. Há quem diga que nenhum noticiário é destinado a crianças. Muitos pais acreditam que tenham que desde cedo apresentar às crianças a realidade do mundo e para que não fiquem alienados, que tenham que conhecer a violência, a irracionalidade humana que muitas vezes vira assunto na TV e jornais. Não é bem assim. Já falamos aqui, mas vale lembrar. Para a Antroposofia, até os sete anos, o que significa no primeiro Setênio, o Mundo é Bom e é assim que a criança deve vê-lo. Nessa fase, a criança vive por imitação, ela não distingue ficção da realidade, pra ela tudo é real.

Eles terão muito tempo para saber que o mundo tem essas coisas e quando se depararem com essa realidade saberão reagir com confiança. Claro que se eles perguntarem ou tiverem em contato com algo ruim, vamos acolher o questionamento, conversar sobre o fato, mas sempre deixando a criança trazer o assunto, nunca o contrário. Depois de ouvi-la podemos dizer que nós (pais, avós, professores) o amamos muito e estaremos sempre por perto para cuidar dele e protegê-lo, assim como o pássaro cuida de seus filhotes.

Na vida dos pequenos, outra fator essencial para que esse calor se faça presente é a coerência dos pais e cuidadores quanto a educação da criança. Estabelecer ritmos e bons hábitos, colocar limites, conduzir as situações com firmeza.

Dessa forma, este ninho passa a viver dentro da criança e sempre que precisar recorrer a ele saberá onde encontrar. Mesmo quando for adulto, longe de sua família, não se sentirá sozinho, estará preenchido e terá segurança para voar!


0

Mãe, o Papai Noel existe?

 

natal-criancas

Muitos pais já se depararam com essa pergunta. Ou, até mesmo com a própria afirmação:

– Eu sei que Papai Noel não existe. São vocês (o pai e a mãe) que compram o presente.

O que acontece quando uma criança começa a desconfiar da história que sempre acreditou?

Na semana passada, postei um texto sobre a Época do Natal (http://falandodainfancia.com.br/2016/11/30/a-epoca-de-natal/) e recebi várias mensagens. Entre os comentários, destaco os de duas mães que acompanham o Blog. Uma delas estava muito triste, porque o filho de 6 anos disse a ela que Papai Noel não existe. A outra fez um comentário em relação ao filho de 9 anos. Ele também falou da inexistência de Papai Noel. Nesse caso, a preocupação da mãe é em relação à caçula. O receio era que o mais velho transferisse a desconfiança para a irmã menor.

Mais cedo ou mais tarde iremos nos deparar com essa situação. Normalmente essa dúvida começa a surgir por volta dos 9 ou 10 anos de idade, mas às vezes pode aparecer antes. Nessa época, a criança passa por uma fase em que a fantasia fica um pouco de lado e começam os questionamentos. Uma dica que vale muito é devolver a pergunta para a criança e isso também vale para o menino de 6 anos.

– Por que você acha que o Papai Noel não existe?

Dessa forma poderemos escutar o entendimento que eles têm e perceber se estão mesmo preparados para que contemos, de forma carinhosa, a verdade ou se podemos esperar mais um pouco.

No entanto, se você perceber que esse é o momento para desvendar tudo, é bom trazer a verdade de forma leve e resgatar com a criança como foi gostoso viver tantos Natais com a figura daquele velhinho por perto. Uma sugestão é lembrar dos momentos, revisitar os Natais passados… A partir desse resgate podemos conversar o quanto é importante que o irmão mais novo, o priminho ou o vizinho menor também vivenciem o que ele experimentou, o quanto foi bom. Assim a magia se perpetua e cada criança descobre por si e no seu tempo quem é o Papai Noel.

Foi exatamente o que aconteceu com a minha filha mais velha. Aos 9,  ela começou a fazer perguntas. Ela começou a desconfiar que a história não estava bem contada. Eu conversei com ela de forma leve e amorosa. Trouxe a ideia de que o Papai Noel do shopping, com apelo comercial, sentado na loja não existe realmente. Ela ficou triste, mas entendeu. O interessante foi o que aconteceu tempos depois. Ela nunca mais tocou no assunto, hoje tem 12 anos e quando converso com a caçula sobre o assunto ela me dá uma olhada de canto de olho, como se fossemos cúmplices de um segredo que ainda não pode ser revelado para a menor. Ela continua escrevendo a cartinha para o Papai Noel. Acho que realmente pensa que Papai Noel não existe, mas continua vivenciando a magia só que de uma forma diferente, participando dos rituais, de algo mais espiritualizado.

É muito rico manter essa fantasia e imaginação na vida dos pequenos, ela faz parte do universo deles. Personagens, como o Papai Noel, quando mantidos vivos nas crianças passam a elas a ideia de que o mundo é bom e acolhedor, o que segundo a Antroposofia é fundamental para as crianças do primeiro setênio (0 a 7 anos). Isso traz calor, confiança a elas. A criança aprende a desenvolver a fé e a esperança que levará para a vida inteira. Acreditar nos sonhos, ter a confiança de que os desejos possam ser realizados é o alimento para uma vida saudável na infância. Às vezes até o presente material fica em segundo plano, o maior presente aqui será toda  essa atmosfera que a época traz.

Manter viva essas experiências na vida dos pequenos é saudável e traz lindas lembranças.


0

A Época de Natal

img_0001

– Amanhã já é Natal? Perguntam ansiosos os pequenos. O amanhã, o ontem, o daqui a 20 dias não faz muito sentido para as crianças menores. Internamente eles já estão vivendo essa festa, cabe a nós darmos o melhor significado possível a ela.

A época do Advento é de esperança, luz, reflexão e gratidão.

Como já disse aqui outras vezes, vivenciar com as crianças cada fase do ano, cada estação e as festas mais importantes, faz com que elas percebam o que realmente acontece a sua volta, se localizem no tempo e no espaço.

Resgatar o real significado do Natal é essencial para a vida de todos.

Advento vem do latim que significa o que está por vir.  É a preparação para a chegada do menino Jesus. Uma caminhada feita em quatro domingos. Não se preocupe que o primeiro já se foi (domingo passado), teremos outros três. E ainda dá tempo de vivenciá-los. Confeccionar a Coroa do Advento, feita com ramos verdes e com quatro velas, cada uma acesa em um domingo até o Natal. Veja que bela oportunidade preparar este caminho com os pequenos, trazendo histórias e músicas desta época, montar a árvore, o presépio.

Parece um contrassenso. Nessa época que deveríamos refletir e se aproximar do que é sagrado, é bem o tempo em que não temos um segundo para parar. Correria para entregar o que ainda precisa até o final do ano, compras de presentes e comidas, compromissos que se acumulam. As luzes nos roubam de nós mesmos.  Mas o desafio é exatamente esse, no meio de tudo isso, admirar solenemente o que importa. Nesse caso, Jesus que chega.

Quero deixar aqui a lenda russa dos Quatro Anjos do Advento, que poderá ser contada a cada domingo antes dessa chegada especial. Será uma alegria vivenciar este momento com os pequenos, os olhos brilham, a alma se enche de luz e de amor.

Boa leitura!

Há muito tempo atrás os homens viviam no mundo, mas não sabiam construir casas, nem plantar e cuidar da terra. Viviam em cavernas onde era escuro, não tinham luz.

Deus, então chamou os Anjos para que trouxessem luz aos quatro cantos do mundo e avisassem os homens que o Filho de Deus viria.

O primeiro Anjo tinha asas azuis. Foi iluminar as cavernas e as grutas com um raio de luz que o sol lhe deu. Foi esse raio de luz de sol que ajudou os anões a fazerem pedras coloridas. Esse anjo trouxe a chuva e ela lavou as pedras, encheu os lagos, fez os rios correrem mais depressa.

O segundo Anjo tinha asas verdes. Saiu do céu bem cedinho, mas como voava devagar, chegou na terra ao entardecer. O raio de luz que esse Anjo trouxe deu cor e perfume às plantas. Ele também ensinou os homens a plantar e a deixar a terra bem fofinha para receber a semente.

O terceiro Anjo tinha as asas amarelas. Ele foi até perto do sol e o sol lhe deu um raio de sua luz para que ele trouxesse até a terra. Quando ele estava chegando, os animais viram aquela luz e ficaram admirados. O Anjo então explicou que iria nascer uma criança muito especial e que todos deveriam se preparar para recebê-la. Os pássaros fizeram músicas muito bonitas, as borboletas coloriram suas asas, os animais de pelo falaram uns com os outros sobre o acontecimento e o vento espalhou a notícia por todos os cantos.

O quarto Anjo tinha asas vermelhas. Ele queria tanto ajudar os homens que foi logo falar com
Deus, não esperou ser chamado. Deus tirou uma luz do seu trono e disse ao Anjo vermelho que colocasse essa luz no coração de cada homem, de cada mulher, de cada criança. Já estava bem perto o dia do nascimento de Jesus.

É por isso que até hoje acendemos 4 velas na coroa de Advento, para lembrar os quatro anjos que nos avisaram da chegada do filho de Deus.

 


0

Criança e Agressividade

criana-agressiva

Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 graus, ela quer usar o vestidinho de alças), se veste sozinha, escala a pia para pegar uma fruta. A vida segue sem turbulência quando lhe é permitido fazer tudo o que deseja. Mas quando a pequena se depara com um “NÃO” o tempo fecha e muitas vezes é com um tapa que ela comunica que não gostou do limite. Você conhece crianças assim?

É sempre motivo de preocupação de mães e pais quando um filho bate nos amigos, nos pais,  quando morde. Muitos pensam que essa atitude é uma característica da criança, que ela está se tornando agressiva, está mudando o caráter, está muito bravo, tendo muitas crises. Isso, na verdade, faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento da criança. Entre os dois e três anos de idade começa a se manifestar pela primeira vez o Eu dessa criança, fase em que ela começa a se colocar no mundo, quer ganhar seu espaço, muitas vezes se coloca dessa forma, com agressividade.

Agora vamos voltar no exemplo lá do início do texto. Veja o exemplo: a menina não bateu gratuitamente, ela disparou um tapa assim que foi confrontada, assim que recebeu uma negativa. Aqui está um detalhe importante que os pais precisam atentar. O primeiro passo na direção de entender esse comportamento (o que não significa ser complacente) é observar o que antecedeu o ato de bater, o que veio antes dessa agressividade infantil. Muitas vezes foi um “não”: você não pode usar essa roupa, porque está frio; esse objeto é de vidro, você não pode pegar; bala, agora não. A criança fica frustrada, com raiva. Nós, adultos, também sentimos frustração e raiva muitas vezes, com a criança não é diferente. É muito importante lembrar que a raiva é um sentimento que surge em determinado momento, isso não significa que ela seja agressiva o tempo todo. É fundamental evitar esse rótulo, porque caso contrário a criança começa a internalizar isso e acreditar que realmente é agressiva.

Quando uma criança inicia sua caminhada aqui na Terra, ela conta conosco para que sejamos seus guardiões, que caminhemos juntos. Dependendo da idade, estaremos bem perto. Com o passar dos anos, ao lado, e mais adiante, um pouco atrás. Mas sempre deveremos estar por perto.

A Antroposofia lembra que são os filhos que nos escolhem, eles confiam que saberemos guiá-los. Somos adultos, com Eu forte, para dar direção para esse Euzinho que está chegando de forma meio “torta”, meio descontrolada. Se eu não estiver certo de mim como pai ou mãe, se não estiver com meu Eu no lugar, reto, eu não conseguirei ajudar meu filho. A criança vai ficar perdida, inconscientemente vai se perguntar:  onde está meu eixo, cadê minha direção? Se os pais estão perdidos, assim também ficará a criança. A criança está em processo de aprendizagem e ouvir “nãos” faz parte do jogo.

Quando acontece esse ataque de fúria dos pequenos, eles ficam muito bravos e batem, mordem, jogam o que tem pela frente no chão ou contra quem está na sua frente, há pais que perdem o controle também, começam a gritar. Realmente é ruim ver seu filho avançando contra você, mas pior ainda é não saber o que fazer nessa situação. O que temos que fazer nesses momentos em primeiro lugar é manter a calma. É claro que temos o direito de ficar nervosos, mas temos o dever de dizer a nós mesmo: “Alto lá! Preciso me acalmar, dar um passo pra trás”. Essa criança está precisando nesse momento é de direção, que mostremos a ela um outro caminho e para que a gente consiga fazer isso temos que estar no nosso eixo. Mas de que forma devo agir, você pode estar se perguntando. No momento do tapa, quando acontece o tapa principalmente nos pais, o adulto tem que segurar com calma, mas com firmeza a mão da criança e abaixá-la, com muito amor, respeito e cuidado pra não machucar. Nesse momento, peça para que ele olhe nos seus olhos, se conecte com ele e diga que ele não pode bater, que essa não é a forma de conseguir as coisas que quer. Quando são crianças menores, a conversa tem que ser curta e objetiva, sem tantas argumentações. Para crianças maiores, a partir dos oito, nove anos pode-se ter um diálogo maior, uma conversa mais longa. Mas antes é fundamental segurar a mão e dizer que não gostou do que ele (a) fez. A conversa pode até ficar pra depois, à noite por exemplo, num momento mais caloroso. Nesse momento, diga: “você lembra do que você fez, me bateu ou bateu no seu amigo?” Faça uma retrospectiva do que aconteceu, isso vai ajudar a criança a refazer a situação mentalmente.

Vale lembrar que diante desse momento de fúria, os pais precisam ser firmes e não voltar atrás no “não” que foi a raiz de toda a explosão. Como se trata de um processo de aprendizagem, é um presente que damos à criança quando nos mantemos firme a decisão. É uma forma de ensinar como lidar com a frustração. Você deve deixar claro pra criança que ela tem o direito de ficar brava, mas não pode machucar o outro ou  jogar as coisas, quebrar as coisas, bater nas outras pessoas. Ela vai aprender isso com o tempo. E com certeza isso vai ajudá-la para que não se torne um adulto que extravase sua raiva descontando em outras pessoas por aí.

Agora que já entendemos que isso é natural de certas idades e já temos ferramentas para agir quando isso acontecer vamos observar outro cenário. A agressividade também é uma resposta, uma reação, a algo que esteja desconfortável na vida dessa criança. Às vezes, a criança está respondendo de forma inconsciente a algo que não está bom em casa (pode ser que ele tenha pais que gritem muito, que resolvem as coisas de uma forma mais agressiva), pode ser que o problema esteja na escola ou em outro ambiente muito frequentado pela criança. É importante conversar com o professor, firmar uma parceria. Esse comportamento pode ser um pedido de ajuda, pode ser que a criança esteja enfrentando algo muito desconfortável pra ela e peça dessa forma socorro. Nesses casos avalie a situação, converse com a criança, vá fundo.

Afinal é você o guardião do seu filho!

 


beber-agua

E neste lindo domingo de sol, quero compartilhar com vocês uma dica muito legal para fazer com os pequenos que estão no processo de tirar a fralda ou, para as crianças que tenham dificuldades para controlar o xixi.

Os pais podem pegar vários recipientes, copinhos ou potes de vários tamanhos, para colocar água.

E vão transferindo de um para outro, brincando junto com a criança. Podem brincar de qual cabe mais água ou, qual potinho a água não vai transbordar, derramar a água devagarinho para que ele veja a água caindo no outro potinho sem derramar…

Enfim, vale a criatividade e a diversão e, desta forma lúdica a criança vai num âmbito mais inconsciente internalizando e aprendendo lidar com as “suas águas”.

Este é um exercício/ brincadeira para complementar o texto (http://falandodainfancia.com.br/2016/11/17/o-momento-de-tirar-a-fralda/ ) desta semana, lembrando sempre que devemos ter calma e respeitar o ritmo de cada criança, sem pressa e de forma leve!


0

O momento de tirar a fralda

 

fraldas-bebes

Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança. Geralmente isso ocorre por volta dos dois anos até os três anos e meio de idade, quando a criança já está bem firme, em pé, e começa a se perceber no mundo (detalhes sobre esse assunto no texto: http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/

No consultório, frequentemente acompanho crianças que estão neste processo.

Como é importante que os pais estejam tranquilos e que entendam que cada criança é única e tem o seu tempo!

Perceba que seu filho dá sinais de que está pronto para essa nova fase. Ele começa a não querer usar mais fralda, pede pra tirar ou ela mesma arranca. Algumas começam a sentir quando o xixi e o cocô estão saindo e avisam fazendo uma carinha diferente. Quando os pais percebem esses sinais e decidem iniciar o processo, é importante que sigam em frente. Não é bom, por exemplo, deixar a criança sem fralda em casa e colocar uma quando a família sai para um passeio. Isso a confunde. Se tirou a fralda, tirou e pronto.

O verão realmente é um bom momento pra isso, pois a criança está com roupas mais leves e mais à vontade. Mas não pense que a criança vai lembrar de ir ao banheiro. É nossa responsabilidade, pelo menos no início, lembrá-la. A cada duas horas que tal falar de forma descontraída:

– Vamos ver se tem xixi aí dentro?

Pode ser que não saia nada, nenhuma gota. Mas, é importante ir com ela até lá várias vezes, independentemente de quanto líquido que ela bebeu. Vai nascer um hábito aí e aos poucos ela vai ter a iniciativa.

Se a criança já vai à escolinha é bom conversar com as tias ou professoras e informar que você vai iniciar esse processo para que família e escola estejam juntas nesse processo.

Xixi, ok. Agora é hora de desfraldar do cocô.

Mas conseguir que a criança faça cocô no penico ou na privada nem sempre é simples. A consistência agora é sólida e a criança pode sentir um desconforto na barriga na hora de fazer cocô. Se estiver difícil pra ela, acolha a criança e entenda o que está acontecendo! E não tenha pressa.

Escapes vão acontecer. Nesses momentos, nada de bronca. Limpe a criança para que ela se acostume a ficar sequinha. Ela está aprendendo algo novo e deve ser um processo leve, não associado a ameaças ou a castigos.

Mais uma etapa vencida e é hora de pensar em abandonar a fralda da noite também.

A fralda seca de manhã é um dos sinais mais evidentes de que a criança já está pronta. Aqui algumas dicas bem práticas que podem ajudar você:

– diminua a quantidade de líquido ingerido à noite, principalmente no início do desfralde noturno. E suspenda a ingestão por completo mais ou menos uma hora antes da criança dormir;

– observe, durante a noite, se esta criança está quentinha, se os pés e as mãos estão cobertos, o frio pode dar mais vontade de fazer xixi.

Vale lembrar sempre que estamos iniciando um hábito e que precisamos de paciência e ritmo. Todos os dias devem ser parecidos para a criança. Agora, na rotina da noite cria-se um novo hábito: fazer xixi. Pode demorar um pouco, mas não tenha dúvida a fase da fralda já está chegando ao final.

 

 

 

 


0

Os bons hábitos na vida dos filhos

 

10-habitos-saudaveis-01

A infância é a fase da vida em que estamos aprendendo de tudo! Vivenciamos os primeiros desafios, as primeiras dificuldades, as lembranças iniciais e registramos boa parte das nossas primeiras memórias.

Uma fase de adaptação a este mundo, de conhecer e nos acostumar com os adultos que nos rodeiam e de lapidar nossas vontades e desejos, que vem com força total e de forma bruta.

Para que, nós, pais, possamos ajudar a organizar tudo isso na vida das crianças devemos, acima de tudo, adotar desde cedo os bons hábitos!

Vamos começar pensando no exemplo de uma criança que está em processo de desfralde ou que regrediu um pouco e voltou a fazer xixi na cama, depois da chegada de um irmãozinho. Nessa fase, um xixi sempre escapa. Isso é certo, como dois e dois são quatro. Nessas horas, temos que manter a calma, mesmo que a cama tenha sido recém trocada e que, do lençol de baixo ao edredon, tudo terá que ir para a máquina de lavar. Lembremos, a criança ainda está em fase de “treinamento”. Quando aprendemos a andar de bicicleta, os tombos não são inevitáveis? Nesse caso, o xixi fora do lugar também é. Dito isso, vamos ao exemplo. Alguns pais, por irritação ou orientação mesmo, acabam dizendo:

– Vamos deixar você molhada mesmo, para que se incomode com isso e perceba o quanto é ruim!

Pense. A criança pode acreditar no que no que você está querendo ensinar. Ela pode até aprender e se acostumar que o melhor mesmo é ela ficar molhada e com cheiro de xixi. O que não é nada bom pra ela. O ideal aqui é fazer exatamente o contrário. Trocar esta criança e ir mostrando que não é legal ficar molhada, que é melhor ficar limpinha e seca.

Outra situação, aquela criança maior que brincou o dia inteiro e que está morrendo de preguiça de tomar banho. Nesse caso, temos que ter força (não física, mas emocional) para convencê-la a ir para o chuveiro e assim aprenda que não é bom dormir suja. Não precisamos ficar falando, apenas devemos agir com firmeza.

Manter a casa organizada, limpa, enfeitada com flores, sempre que possível, também faz com que a criança se adapte a este ambiente e no futuro senta saudades disso.

O hábito de comer na mesa, para que a criança vivencie esta proximidade com os familiares e com a alimentação.

O hábito de dormir sempre no mesmo horário, sem a TV ligada ou com rituais.

Os bons hábitos trarão segurança, organização interna e tranquilidade às nossas crianças.

Na adolescência, é provável que esses hábitos que, a duras penas, implementamos sejam contestados ou deixados de lado. Tudo bem, faz parte! Mas quando começar o processo de autoeducação, lá pelos 15 ou 16 anos, o que se tornou hábito na infância comece a falar baixinho lá dentro e a dar saudade. No futuro, esses hábitos voltarão como prática.

Quando nós, adultos, dissemos:

– Nossa! Preciso ir para praia para descansar!

Provavelmente, isso foi algo que aconteceu de fato na nossa vida, lá na primeira infância, e hoje ressoa forte no coração. Um hábito que pode ter sido instalado lá atrás e que hoje está internalizado, já vive dentro de nós. É assim que funciona. Nós só sentimos falta ou saudades do que já tivemos, do que já vivemos repetidas vezes.

Todos os bons hábitos e os valores que acreditamos e conseguimos manter firmes dentro da nossa casa são bases estruturais para um adulto mais seguro de si.