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Tic tac, tic tac, tic tac.

Provavelmente você não tem um relógio de ponteiros por perto, mas só de codificar essas letras e transformá-las em som você reconheceu esse ritmo. E só reconheceu porque já ouviu tantas e tantas vezes que esse som passou a viver dentro de você.

O ritmo na vida de uma criança é a mesma coisa. Ele se instala a partir do momento que há uma repetição. Acordar mais ou menos na mesma hora, trocar de roupa, ir ao banheiro, arrumar a cama, tomar o café, escovar os dentes e sair de casa. O que para nós pode ser uma completa monotonia sem graça, para as crianças é segurança, é calma. Essa constância é fundamental pra elas.

Na semana passada conversamos sobre a impaciência. Bem, hoje gostaria de trazer um assunto que pode nos ajudar muito a lidar com essa questão: o ritmo, esse tic tac aí do início.

Se observarmos a nossa volta, principalmente na natureza, podemos ver que tudo tem um ritmo: dia e noite, dias da semana, estações do ano, as frutas que nascem em determinadas épocas… Podemos fazer uma analogia também com o ritmo da nossa respiração. Um momento se está mais pra dentro (inspiração), brincando dentro de casa, tomando um lanche, a criança fica mais quietinha. Em outro momento (expiração), ela brinca no parque, corre, brincando livre dentro de casa mesmo…

Quando tudo isso acontece de forma repetida traz a sensação de segurança, de confiança, pois já sabemos o que vai acontecer a seguir. Com a criança não é diferente e temos que ter isso ainda mais presente, pois ela está em processo de desenvolvimento e de formação. No caso dos pequenos, além de se sentirem mais seguros e confiantes, esse ritmo traz também saúde física e psíquica. Ele também é um aliado importante para ajudar a combater um mal que tem tirado muitas de nossas crianças do prumo, a ansiedade. Hoje é comum crianças chegarem ao consultório com essa queixa. Quando não existe esse respeito, esse cuidado para acordar, para fazer as refeições, para dormir a criança fica confusa, perdida e demonstra isso em seus comportamentos.

No livro A Arte de Educar em Família – os desafios de ser pai e mãe nos dias de hoje – Sandra Stirbulov e Rosemeire Laviano fazem uma reflexão importante: “Quando se fala em ritmo, frequentemente vem à cabeça noções de rotina… Ritmo e rotina são diferentes, mas ambos são importantes, complementares e proporcionados pela repetição. Vamos fazer uma analogia com o compasso e a melodia de uma música: enquanto a rotina ordena, dá o compasso, o ritmo traz uma respiração, é a melodia.”

É importante atentar para o fato de que a criança não cria esses ritmos sozinha, ela conta com o nosso empenho para ajudá-la a estabelecer isso desde o seu nascimento.

Vamos pensar primeiro na rotina básica, higiene, alimentação, sono… Quando determinamos horários para que essas coisas aconteçam e repetimos isso diariamente, a criança internaliza. Significa que esse ritmo passa a viver dentro dela. Não precisamos dizer que já são seis horas e é hora do banho. Se o banho sempre estiver depois da hora de guardar os brinquedos e antes do jantar, por exemplo, isso se tornará natural e ela fará com tranquilidade.

Algumas crianças que têm medo de dormir sozinhas e sempre acabam dormindo na cama dos pais. Para ajudá-la, podemos estipular um horário para dormir e repeti-lo diariamente, criar um ritual que aconteça todos os dias com pouquíssimas variações. Essa repetição vai trazer segurança. No começo, dará trabalho mas depois de um tempo, se mantivermos esse ritmo, a criança vai se adaptar e se acostumar.

O importante é termos em mente que no nosso entorno existe um ritmo acontecendo e trazer isso para a vida das crianças é fundamental.

 


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Medos Infantis

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– Mãe, como se diz quando a gente tem um sonho ruim?

– Pesadelo, filha.

– Ah, acho que eu tive um desses hoje.

E a criança começa a contar um sonho onde ela estava e apareceu um lobo e uma bruxa, num enredo cheio de fugas e perseguições.

Esse diálogo é uma ficção, mas não está longe da realidade. As crianças têm medos e esses medos ficam mais evidentes em determinadas idades.

A criança que está por volta dos seus 4, 6 anos vivencia uma fase de pura fantasia e imaginação. Podemos observar isso através das brincadeiras. Tudo é muito real para ela. A linha entre imaginação e realidade é muito tênue. Por isso, essa é uma das fases em que os medos aparecem: medo de escuro, medo de bruxa, medo dos zumbis…

Para não piorar ainda o que naturalmente já apareceria, é importante que cuidemos do acesso da criança à TV (alguns filmes e certos programas, como os que trazem notícias sobre violência, não são nada recomendados), jogos eletrônicos com imagens fortes para crianças também não são indicados. Temos que estar atentos e não permitir que a criança tenha acesso a conteúdos que ainda não são para a idade dela. Todas as imagens que a criança vê precisaram ser digeridas de alguma forma e, às vezes, ela não tem ferramentas psíquicas para trabalhá-las internamente e a criança pode levar isso para o sono, com pesadelos e medo de ficar sozinha no quarto.

Aos 9 anos, os medos podem voltar. Nesse momento, a criança vive outro processo importante, que na Antroposofia é chamado de Rubicão (detalharei num texto à parte). A criança está mergulhada em si e aquela vivência do Eu interno que começa a surgir aos 3 anos (http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/) se intensifica. Algumas crianças podem demonstrar vários tipos de medos, o da separação (como ser levada por alguém, ficar esquecida em algum lugar), o medo da morte, o medo de que alguém morra. Isso é normal.

Os medos também podem aparecer em decorrência de algum grande susto, de alguma perda importante ou de alguma mudança que ela esteja prestes a vivenciar. O novo e o desconhecido podem trazer medos ou preocupações.

De qualquer forma uma das melhores formas de lidar com este sentimento é não menosprezando-o! Utilizo muito, no consultório e com as minhas filhas, o desenho como ferramenta de transformação deste sentimento. Podemos pedir para que a criança faça um desenho do pesadelo ou do medo que ela enfrenta.

A questão é que nem sempre as crianças querem registrar seus medos e colocá-los no papel ou ainda contar por receio que possam se realizar. Nessa hora, é importante que os pais encorajarem os filhos a desenhar, dizendo: “olha, eu tô aqui do seu lado, eu vou cuidar dele (do medo, do pesadelo) pra você”. Se a criança mesmo assim continuar não querendo desenhar ou pintar, aí você pode falar baixinho: “conta aqui no meu ouvido, ninguém vai ouvir”. Isso ajuda a criança a ficar mais segura.

A criança desenha o seu medo, o pesadelo que teve ou a cara que ela acredita que o medo tenha, geralmente são feições desagradáveis. Nesse instante, é hora de brincar, de transformar aquele desenho, sugerindo: “vamos colocar aqui uma pintura no rosto dele? Olha como ficou engraçado! Será que ele tem essa cara tão feia quanto você imagina”. No caso de pesadelo. Você pergunta: “aí aconteceu isso…, a bruxa entrou e roubou a mamãe?”. Nessa hora, você pode sugerir: “que tal a gente mudar o final dessa história, vamos inventar um final diferente juntos? Vejo um super-herói salvando a mamãe…”. Assim entramos de forma lúdica no universo das crianças e os ajudamos a encontrar novas saídas para os medos.

Mas, é claro, que se for algo muito intenso, se a criança passou por um susto muito grande, um acidente, se alguém entrou em casa, daí é importante procurar um profissional.


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Dia das Crianças – brinquedos e brincadeiras

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E hoje é um dia pra lá de especial, Dia das Crianças! Muita alegria, passeios, piqueniques e, para muitas crianças, dia de brinquedo!

É importante termos em mente que, tanto os brinquedos, quanto as brincadeiras, não são simples passatempo na vida das crianças ou subterfúgios que utilizamos para distraí-las enquanto estamos ocupados. São ferramentas que ajudam a criança a se comunicar, a se expressar no mundo. São parte essencial no seu processo de desenvolvimento.

Brinquedos simples, elementos da natureza e objetos do dia a dia (como colheres de pau, panelas) são excelentes opções.

Não são necessários brinquedos super elaborados, cheios de luzes e sons, o que eles precisam são de brinquedos que possibilitem a livre imaginação e criatividade. Quanto menos “prontos” melhor para a criança.

Na primeira parte da infância, até aproximadamente os 7 anos, época em que eles vivem intensamente a imaginação e a fantasia, as bonecas, as capas de príncipes e princesas, de super-heróis, as coroas são ideais para eles. Assim como caixas de papelão, que se transformam em uma casinha ou um carro, por exemplo. A própria construção já traz em si várias situações importantes: como a criatividade, a autoestima em sentir que fizeram uma produção própria, a possibilidade de lidar com algo que não deu certo, o trabalho em equipe, pois não raras vezes as crianças precisarão da ajuda e da opinião de outros amigos ou dos pais para concluir um trabalho (brinquedo).

Já por volta dos 8 anos, os jogos de tabuleiro começam a fazer parte deste universo. Esses jogos trazem a clareza das regras e a importância de respeitá-las, possibilita trabalhar o posicionamento de cada um e o perde e ganha que teremos ao longo da vida.

Aos 9 anos, a criança deixa para trás a fase da fantasia e percebemos que as brincadeiras são muito mais corporais, como pega-pega, esconde-esconde e polícia e ladrão. Não que essas brincadeiras não apareçam antes, mas é agora que se tornam favoritas. Sendo assim, os brinquedos podem ser ainda mais simples como o elástico e a bola.

E temos ainda aqueles brinquedos importantíssimos e que perduram sempre como a bicicleta, patins e corda…

Aqui vale uma pequena reflexão. Existem brinquedos, os de montar, por exemplo, aqueles que trazem junto à caixa um manual de montagem. Nesse caso, o brinquedo perde um pouco algumas funções. Quando a criança monta as peças, ela copia um modelo e quando assim que as peças se encaixam não há outras possibilidades. Enquanto num brinquedo sem manual ou modelo prévio, a criança monta e de repente tudo cai e ela tem que montar novamente. Quando isso acontece, a criança, sem perceber, trabalha a perseverança, lida com a frustração.

Enfim, são várias as possibilidades, mas a dica que gostaria de deixar aqui é para que não fiquemos dando brinquedos a todo instante. As crianças, principalmente as que estão na primeira infância, vivenciam as épocas do ano através das datas especiais (o aniversário, o Natal, o Dia das Crianças…). Elas sentem o momento do ano que estão através destas datas e das estações do ano. Quando damos um presente na data certa (numa data que faz sentido pra ela) estamos ensinando os nossos filhos a esperar a chegada de algo especial, a ter paciência que tudo tem a sua hora. Assim criamos aquela expectativa gostosa de que tal data está chegando e que algo especial vai acontecer. Ajudamos as crianças a entender que tudo tem a sua hora e tornamos aquele momento e aquele presente ainda mais especial e valorizado!


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Amor e Afeto fortalecem as Crianças

 

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Estamos na semana da Primavera, as sementes que plantamos e regamos com cuidado e afeto começam a brotar nesta estação. Refletindo um pouco sobre isso, achei interessante falar da importância de todos esses cuidados na vida dos pequenos que muitas vezes podem nos passar desapercebidos, mas que faz toda a diferença em toda a sua vida.

A criança que se sente amada, cuidada e valorizada, que recebe limites bem definidos, se torna mais forte para lidar com as dificuldades e frustrações. É como se cada vez que acolhemos nossos filhos num momento de tristeza, que ajudamos os pequenos a enfrentar determinada situação, cada vez que estamos do lado deles encorajando-os, estamos colocando uma pedra preciosa dentro de um baú de tesouro de cada um. Estamos criando uma espécie de capital emocional da criança, um lastro de carinho e proteção. Quando ela precisar, sabe que lá irá encontrar. Isso possibilita que a criança cresça fortalecida, vá aprendendo a cuidar e respeitar o que é dela e entender o que é do outro, desenvolve a empatia e a benevolência em relação ao outro. Se torna uma criança com autoconfiança e autoestima saudáveis.

         Ajudar nossos filhos nesse caminho é presenteá-los. Futuramente, eles terão mais ferramentas emocionais para lidar com os grandes desafios da vida.

Mas os reflexos já aparecem agora, ainda durante a infância, na forma como lidam com as perdas, nos relacionamentos com os amigos e colegas, nos medos, nas conquistas… Quando a criança sente que conquistou a coragem ao passar por uma determinada dificuldade, ela adquire uma força interior que a permite atuar no mundo de forma mais segura, além de confiar no mundo que está ao seu redor.

         Acredito que como pais, todos nós fazemos o possível para ajudar nossos filhos nesse caminho, mesmo assim aqui vão alguns lembretes.

  • Mesmo que seja um tempo curto, dedique-se por inteiro ao seu filho durante esse período. Olhe nos olhos, esteja, de fato, presente e conectado a ele, principalmente durante as brincadeiras. O brincar na infância é algo fundamental (como já vimos nos textos anteriores), é a forma como a criança explora o mundo e se relaciona com as pessoas. Sente-se no chão, faça momentos de “lambança” e pura diversão, eles adoram! Permita-se ter este contato com seu filho. Quando você brinca com ele e dá atenção a isto, você entra no mundo dele e faz com que a criança se sinta muito importante pra você.
  • Leve-o também para o seu mundo! Peça sua ajuda dentro das possibilidades da criança. Fazer um bolo, um doce, secar a louça, lavar o quintal ou o carro, consertar um brinquedo…
  • Não subestime seus sentimentos, ouça e acolha! Não faça pouco caso de uma situação, não pense que a criança está dando muita importância a algo pequeno, pode ser pequeno para os pais enquanto adultos, mas para ele não é. Mostre a ele que são sentimentos e emoções que você também já teve e que ele não está sozinho. Assim você mostra o quanto ele pode confiar em você e se sentir seguro. Ele saberá que pode contar com alguém nos momentos difíceis.
  • Pergunte ao seu filho como foi o seu dia e conte também momentos do seu. Dessa forma ele pode se expressar livremente e aprender a ouvir.
  • Cuidado com as reações quando seu filho contar algo que você não goste. Algo que ele tenha feito e que você não considera correto. A criança está aprendendo a lidar com o mundo e cabe aos pais ensinar e colocar os limites, porém cuidado com a forma como chama a atenção, autoritarismo e agressividade não combinam com confiança.

 

Detalhes essenciais que são como sementes que, quando plantadas e regadas com carinho, limites e cuidados florescem e temos frutos maravilhosos!

 


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Os Primeiros Sete Anos

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Foi mesmo uma noite especial. Todos na casa estavam ansiosos. Mas naquela quinta-feira éramos todos coadjuvantes (pai, mãe, irmã caçula). As atenções se voltavam para a filha mais velha. Uma menina meiga e ao mesmo tempo corajosa que estava prestes a perder seu primeiro dente. “Uauuuuu, nem doeu”, festejou ela. No final do primeiro setênio (entre os seis e sete anos de idade), aquilo que não pertence mais à criança, como os dentes de leite que são uma herança dos pais, começa a ir embora, para dar lugar a dentição permanente.

Podemos considerar o primeiro setênio como o alicerce para toda a vida do ser humano. Imaginem se construirmos uma casa e não cuidarmos da base, das fundações?

Em todas as fases da vida temos a oportunidade de nos fortalecer, porém é no primeiro setênio que temos a chance de ouro de construir esse alicerce forte que irá nos acompanhar por toda a nossa trajetória.

Do momento que nasce até os sete anos, a criança permanece no envoltório da mãe. Significa que ela viveu o nascimento do corpo físico no dia do seu nascimento propriamente dito, mas até os sete anos ela ainda recebe o mundo através dos olhos da mãe.

Pensando que tudo o que acontece ao redor dela entra fortemente em sua alma, precisamos urgentemente cuidar do que ela assiste, do que ouve, de que tipo de jogos brinca. Muitas imagens são de difícil digestão nesta fase. Mas a criança não tem saída, se foi captado pelos olhos a criança precisa digerir internamente. O problema é que muitas vezes ela não dá conta. O que pode surgir disso é a doença e os órgãos mais atingidos são a pele e o pulmão com o surgimento de alergias e problemas respiratórios.

Algo muito importante que acontece nessa fase é a imitação, o espelhamento. A criança imita e reproduz tudo o que está ao seu redor. Ela aprendeu a andar quando observou um adulto ficando em pé, por exemplo. Essa imitação ocorre no âmbito aparente, mas também de forma sutil em um âmbito muitas vezes invisível aos olhos. É nesta fase que construímos a base para moralidade. Devemos prestar muita atenção em nossas atitudes. Devemos ser adultos dignos de sermos seguidos.

A criança nesta idade vivencia um mundo de fantasia! As brincadeiras se desenrolam mais nesse sentido. Quatro cadeiras viram um carro, tecidos pendurados são o portal de um castelo, um saco de um quilo de feijão se transformam num filho pequeno. Por isso, mais um motivo para que limitemos o acesso a eletrônicos, a jogos onde apareçam cenas assustadoras. Para a criança, nessa fase, não existe separação do que real e do imaginário. Ela vivencia tudo de forma real! Aquela imagem e fantasia para a criança são verdade.

Chegando aos cinco ou seis anos, a criança começa a se preparar para algo muito importante no seu processo de desenvolvimento. Lembra que falamos há pouco que ela vive no envoltório da mãe. Pois agora está na hora de começar a ver o mundo através dela mesma. Nós, como pais, já concluímos uma bela empreitada. Ajudamos na preparação interna da criança, fortalecendo seu alicerce, criando recursos para que ela possa dar mais esse passo e vivenciar o mundo lá fora. Ela “nascerá” novamente, a separação do “Eu” e o “Outro” irá se acentuar. E isso pode despertar alguns medos, como o medo de escuro, medo de andar pela casa sozinha, de brincar em algum cômodo sozinha. Mas quando percebemos que são medos característicos dessa fase podemos auxiliar a criança. Primeiro devemos ouvi-la com atenção e não subestimar os medos. Falar para a criança que ela não está só e que na idade dela você também já passou por isso. Vale preparar uma pequena luz no quarto, manter rituais antes de dormir como um verso ou oração que fortaleçam e falem de proteção. Nessa fase é importante apresentarmos um mundo bom para a criança e fazer com que ela se sinta segura aqui.


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Imagine a cena:

Uma criança se debatendo no chão, chutando o ar, chorando e gritando sem parar. O motivo para tanto desespero foi um NÃO, sonoro e bem claro, que ouviu da mãe. Quem tem filho pequeno, é certo, já vivenciou isso. Para famílias que têm crianças entre os dois anos e três anos de idade isso pode estar se tornando uma rotina.

– O que está havendo com meu pequeno anjinho?

– De uma hora pra outra deu pra ficar “cheio de opinião”, birrento, até agressivo.

– Será que ele tem algum problema de personalidade?

Questionamentos como esses sempre surgem em rodas de conversa, no consultório, nas redes sociais. Os pequenos chegaram a uma fase conhecida como “Terrible ” ou os terríveis dois anos. Mas tudo isso faz parte da idade e é importantíssimo para o seu desenvolvimento. A criança está aprendendo a se colocar no mundo e a vivenciar novas experiências. Quando temos esse olhar e entendemos esse processo, passamos a ver que os terríveis dois anos, não são tão terríveis assim. Passamos a entender que esta criança não é agressiva e não está tendo esses comportamentos à toa. Ela está passando por um processo interno necessário para o seu crescimento.

Entre os 2 anos e meio e 3 anos de idade, a criança já conquistou os elementos que permitiram o início da sua atuação no mundo. Já levantou a cabeça, se sentou, engatinhou. Ela aprendeu a ficar em pé, pode ir até as coisas que deseja, se movimenta sem tantas limitações. Paralelo a isso, a garganta fica livre, a laringe se liberta e vem a fala. Agora a criança se relaciona de forma oral e começa a trocar com o mundo, a se relacionar mais com as pessoas. Recebe e devolve, pede as coisas, fala o que quer, fala também o que não quer. Ela vai buscar o espaço dela e aí a fase da birra se instala. A criança passa a brigar pelo seu lugar.

Nessa fase, a criança permanece no envoltório da mãe, só que agora de uma forma diferente. Ela já identifica a mãe como outra pessoa. Ela passa a perceber o outro. Na Antroposofia, chamamos esse processo de a primeira manifestação do Eu! É quando a criança começa a falar “eu” pela primeira vez, utiliza a primeira pessoa, não mais a terceira (“eu quero” e não “Marina quer”).

Sendo assim, o desejo da criança aumenta, a vontade de ter e conseguir as coisas também se intensifica. Nesse momento, os pais têm uma tarefa fundamental: dar limites. Essa vontade precisa ser lapidada. Os pais têm a responsabilidade de dizer o que a criança pode ou não pode fazer. Para a criança, são muitas mudanças. Além dessa sensação interna de diferenciação com o mundo que a rodeia, de sentir os limites do seu próprio corpo, ela também passa a ouvir mais “nãos” dos adultos! É onde se identificam as birras, os momentos de maior irritabilidade, agressividade e choro intenso. O que devemos fazer é colocar estes limites e falar esses “nãos” a partir de um lugar de respeito, com um novo olhar, sem autoritarismos.

Muito mais do que receita pronta, gostaria de ajudar os pais a refletir sobre tudo isso. Quando a gente entende que é uma fase de desenvolvimento, nós vemos a possibilidade dar um passo atrás, manter a calma. Embora na Antroposofia exista o entendimento de que a criança já tenha estado outras vezes aqui na Terra, quando ela chega para uma nova jornada ela precisa ser atualizada. A criança precisa reaprender a viver nesse lugar, necessita se adaptar novamente a estar nesse mundo. Nós, como pais fomos escolhidos, por ela, pra fazer esse papel. Significa que vamos orientá-la, vamos falar que ela fez algo errado, vamos mudar a fisionomia. Precisamos mostrar que aquilo nos desagradou, que aquilo foi errado. No entanto, não devemos julgar.

Na hora de dar limites, os abraços são aliados perfeitos. Uma criança tão pequena precisa de limite físico. Ela está aprendendo a viver dentro do seu corpo, está entendendo os seus contornos. O abraço é uma forma de “juntar” esse “Eu” que chegou e se esparramou.

Outra atitude que ajuda no meio de um caos é pegar a criança pela mão, tirar da situação e levá-la pra dar uma volta. Se for preciso, dizer que não gostou do que ela fez. Isso areja, a ajuda a respirar. A criança não consegue enxergar um novo caminho sozinha, somos nós que precisamos mostrar. A partir do momento que temos esse olhar, muita coisa muda, conseguimos nos posicionar com maior segurança e assim, ela olha pra gente e entende que estamos aqui pra acolhê-la.

 


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O Brincar na Primeira Infância

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Há tempo queria escrever um texto sobre esse tema. Com as férias a inspiração aumentou, o convívio com a criançada me fez observar todos os tipos de comportamento. As crianças que brincam muito na rua, as que preferem brincar mais dentro de casa, as que têm brincadeiras mais corporais, aquelas que se divertem fantasiando e as que não brincam. Não que não brinquem em absoluto. Elas se divertem, mas sempre usando uma tela pra isso, pode ser um tablet, o computador, o celular, o videogame, a TV. Esse distanciamento do brincar real não tem nada de inofensivo. Vamos pensar juntos?

A criança no primeiro setênio (do nascimento aos sete anos) é puro movimento. Ela reconhece o mundo em que vive enquanto corre, anda descalça, brinca no balanço, quando pula corda, sobe em árvore. Nesses momentos a semente da vontade se agiganta dentro da criança.

A vontade, de acordo com a Antroposofia, é uma força interna, inata, que só precisa ser lapidada. Essa vontade vive nas mãos e nas pernas que são os membors que permitem que a gente faça coisas, que nos colocam no mundo. Quando uma criança fica parada, sentada na frente de uma tela, só recebendo estímulos visuais e nada mais, ela não exercita essa vontade. Não usa a sua máquina (o corpo) da forma que a natureza previu. Isso faz a vontade atrofiar.

Mesmo os chamados vídeos educativos, esses pouco contribuem. É falso imaginar que é bom para um criança pequena, de um ou dois anos, aprender a contar até 10, aprender as cores em inglês ou qualquer outra coisa com a ajuda de um personagem virtual. Nos sete primeiros anos de vida, a criança aprende pela imitação. O que é melhor pra ela é ter o pai ou a mãe como modelos e não alguém que nem real é.

Olhando de um ponto de vista neurológico, é na infância que o ser humano mais produz conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses. Uma das formas da criança fazer essas sinapses e aprender é se movimentar, sentir o limite no próprio corpo. Quando uma criança esbarra numa mesa, por exemplo, o cérebro fez uma sinapse. Quando rola no chão, faz outras. Com o passar do tempo, essas conexões em excesso vão diminuindo, permanecem apenas aquelas que foram mais utilizadas ao longo da infância e é isso que vai ficar na vida adulta. Se não se movimenta o suficiente, imagina o que acontece!

A brincadeira é fundamental para o desenvolvimento físico, cognitivo e social dos pequenos. Quando a criança chega ao mundo tudo é estranho pra ela. Ela precisa conhecê-lo, experienciá-lo. E é através da brincadeira que ela explora o meio em que vive, que aprende a compartilhar, a nomear as coisas, situações e a se relacionar com as pessoas ao seu redor.

“O brincar é como um rio que corre e nós adultos somos as margens, que

servem de sustento para que ele corra, é uma força da natureza, não podemos

ensinar nada para a água, ela corre por si.”

Maria Chantal Amarante – Professora Waldorf.

Do ponto de vista emocional e psíquico, uma criança que brinca livremente tem mais facilidade de lidar com as situações adversas e dificuldades. Habilidades como resolução de problemas e manejo de frustrações já foram exercitadas durante as brincadeiras sem nenhum esforço. O brincar livre, sem atividade dirigida, proporciona autonomia e estimula a criatividade. Por natureza, as crianças brincam daquilo que é necessário para sua fase atual. O papel do adulto é proporcionar apenas o ambiente saudável, contato com a natureza, poucos brinquedos cheios de estímulos, muito carinho e principalmente atenção. Mostrar interesse pelo que a criança está fazendo e dar importância àquilo. Para ela a brincadeira não é somente fantasia e imaginação, é pura realidade. Isso gera sentimento de pertencimento, fortalece a autoestima e a autoconfiança da criança.

Alguns pais têm a sensação de que a criança precisa se divertir o tempo todo, sem parar. Aqui vale lembrar um outro aspecto da brincadeira, o ritmo. O ritmo saudável; não só na brincadeira, mas na vida como um todo; é o que se assemelha ao da respiração, intercalando momentos de expiração (fora) e de inspiração (dentro). Depois de um período de brincadeira ao ar livre, correndo, pulando ela precisa ficar dentro de casa, brincando, quietinha. Muitas vezes a criança faz esse movimento sozinha, mas se não o fizer é só convidá-la para entrar e tomar um lanche, descansar um pouco, brincar de boneca, carrinhos, quebra-cabeça. É quando a criança está dentro que ela cria e elabora seu mundo interno. Momento de descansar e de fazer a digestão, digerir todos aqueles momentos vividos fora, construir os recursos internos.

A brincadeira é uma das bases fundamentais para que tenhamos um adulto fortalecido emocionalmente, com recursos internos para lidar com o cotidiano e com as frustrações. Um adulto criativo com histórias e belas recordações de infância.

Brincar faz a criança feliz!

 


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Oficinas Lúdicas – Segundo Semestre / 2016

Depois de alguns encontros e agradáveis reuniões, os Encontros para as Crianças ficaram prontos! Segue as informações sobre cada encontro, participem!

As oficinas são encontros em grupos – que já acontecem há 11 anos – para que as crianças vivenciem e expressem seus sentimentos de forma lúdica, com atividades artísticas, versos, brincadeiras e a natureza à nosso favor.

Além disso, nosso intuito é ofertar recursos para lidar com as dificuldades, fortalecer o vinculo entre pais e filhos e a confiança com o ambiente em que vivem. 

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A vivencia dos Sentimentos através das épocas do ano

A criança vivencia, através do seu coração e de sua alma, tudo que está ao seu redor, tanto no ambiente familiar como na natureza. Sentir o que cada época do ano traz com o seus peculiares ritmos, auxilia a criança a se localizar no tempo e no espaço trazendo confiança e contribuindo para a harmonia e o equilíbrio interior.

Teremos em Agosto e Outubro um encontro somente com as crianças e, em Setembro e Dezembro um encontro com as crianças juntamente com seus pais.

  • Público Alvo: Crianças de 06 à 11 anos
  • Horário: 9hs às 11hs – Sábado
  • Valor: R$ 95,00 por encontro com lanche e materiais incluso
  • Os Encontros acontecerão no Espaço Ita Wegman – Rua Professora Celina Sampaio, 44 – Vila São Francisco – SP
  • Tel: 11 3718-0209 ou 11 3714-6341
  • E-mail: e.itawegman@uol.com.br ou ale.psi@ig.com.br

 

As facilitadoras das Oficinas

  • Alessandra da Silva Ferreira – Psicóloga Infantil há 12 anos, desde o início trabalha com crianças em consultório particular e com os grupos das Oficinas Lúdicas, que criou e aprimorou ano após ano.
  • Marta Teixeira Martins – Professora Waldorf há 13 anos.

Convidamos à todos que leiam o que teremos em cada encontro e faça sua inscrição com antecedência, tudo foi preparado com muito carinho.

As vagas são limitadas – 15 crianças

As datas e a programação estarão sujeitas a alterações

Primeiro Encontro – 20/08/2016

Tema: A época dos ventos – Alegria e Movimento

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Ao olharmos para o céu, nesta época do ano, avistamos as lindas cores dos pipas se movimentando alegremente pelos ares.

É o sentimento que vamos trabalhar neste encontro: A Alegria! Para isso, não podemos esquecer que para a alegria aparecer é, fundamental falarmos de tristezas e frustrações, sentimentos tão importantes e presentes na infância.

Segundo Encontro – 03/09/2016 

Tema: Sentir-se Amado – Relação entre Pais e Filhos

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Estamos adentrando na estação do Amor, a Primavera! As sementes que plantamos e cuidamos começam a brotar e, por isso, nada melhor do que vivenciarmos esta relação entre pais e filhos, uma semente de amor que regamos todos os dias.

Terceiro Encontro – 01/10/2016

Tema:  A conquista da coragem!

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Cor + agem = Agir com o coração! Este é o real significado da palavra Coragem. Um sentimento que está dentro de cada um, basta acendermos a luz para que possamos enxergar. As crianças tem diferentes e diversos medos dependendo da idade em que se encontram. O nosso intuito com esse encontro é despertar, através das vivencias, um impulso para a conquista dos novos desafios.

Quarto Encontro – 03/12/2016

Tema: O Encontro com a Luz interior

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Um encontro que, mais uma vez, contaremos com a presença dos pais.

Já percorremos pela alegria, tristeza, medo, coragem e confiança tudo isso com base no bem mais precioso que é a família.

Agora, chegamos em uma época especial, o Advento que é a preparação para o Natal! Onde buscamos elementos para que o nosso Eu possa trilhar o caminho da vida. A criança está iniciando o seu caminho nessa jornada e, seus pais foram escolhidos para esta missão. Por isso, vamos juntos, encontrar esta chama de luz que preenche o coração e a alma de todos nós.

 


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O Vento

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Hoje, Marta (Professora Waldorf) e Eu nos reunimos, mais uma vez, para preparar com muito carinho os Encontros da próxima Oficina Lúdica.

É impressionante como, durante toda a preparação, nossos olhos lacrimejam de emoção com cada inspiração, cada verso e cada atividade que surge.

A poesia que vou reescrever em seguida, é de Ruth Salles e, transmite esse momento. Além de ser uma das poesias que fará parte dessa Oficina.

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O Vento

Eu não vejo o vento, mas o vento vem.

Ele desenha carneirinhos brancos com as espumas das ondas do mar.

Eu não vejo o vento, mas o vento sopra nos veleiros e nas jangadas, como soprou antigamente nas velas das caravelas.

Eu não vejo o vento, mas o vento dança.

Ele dança com as folhas secas que estão no chão, e elas giram, giram…

Eu não vejo o vento, mas o vento canta.

Ele canta nas árvores altas – pinheiros, casuarinas, eucaliptos – e todas elas balançam e cantam junto com o vento.

Eu não vejo o vento, mas o vento é forte.

E desmancha meu cabelo, refresca meu rosto, toca tambor nas vidraças da janela.

Eu não vejo o vento, mas ele brinca no jardim com todas as flores.

E elas fazem um barulhinho engraçado, como se estivessem rindo umas com as outras.

Eu não vejo o vento, mas eu gosto quando o vento vem.

Ruth Salles

Logo mais daremos todos os detalhes de como serão as Oficinas!

 


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A hora de dormir

Nos últimos dias, falei sobre a importância da criança ter o seu espaço na hora de dormir, porém, construir junto com o seu filho este novo hábito pode não ser fácil.

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Achei importante complementar o texto anterior, com algumas sugestões e reflexões para conseguir levar os pequenos para cama sem tanto sofrimento.

Vamos por passos?

1- Depois de um longo dia de trabalho, ao chegarmos em casa, ainda continuamos o ritmo acelerado, temos que dar banho, fazer o jantar, conferir lições, brincar e etc. Muitas vezes, é o pouco tempo que temos ao lado deles!

Mesmo assim, vamos pensar: Entregar-se ao sono é algo que requer calma, tranquilidade e desligar-se.

É um movimento de entrega!

Por isso, mesmo com todos os afazeres, é importante diminuir o ritmo da casa até a hora de dormir, iniciar o processo umas duas horas antes de ir para cama.

2- O ritmo ou rotina é essencial no processo de desenvolvimento da criança (ainda vamos falar mais sobre isso). Então, precisamos estabelecer um horário de dormir que seja parecido todos os dias e, se a criança estiver em processo de adaptação, vamos incluir as férias e fins de semana também, sem quebrar as regras.

Fazer repetidamente todos os dias traz segurança para a criança. Dentro dela, ela sabe o que vai acontecer no dia seguinte e se assegura que tudo ficará bem!

3- O ritual!

Criar um ritual com a criança é de extrema importância, pois, traz calor, acolhimento e um momento de conversa íntima com os pais, um momento de troca. Em um ritual podemos incluir a oração, acender uma vela, uma história, pedidos e agradecimentos pelo dia e pela família, enfim, tudo o que possa fazer com que ela sinta segurança em se entregar ao sono.

4- Se tiver tempo hábil, o melhor é optar primeiro pelo jantar e depois pelo banho. Nada melhor do que dormir quentinho e de banho tomado, ajuda a relaxar e a diminuir o ritmo.

5- Nada de TV e eletrônicos para dormir! Isso deixa a criança ainda mais acesa. O ideal é manter o escurinho do quarto e da casa, é no escuro que produzimos o hormônio do sono, entretanto, se a criança estiver com medo, tudo bem deixar uma luz de abajour ligada.

6- Se for uma criança com grandes dificuldades em ir para o quarto, vamos fazer um processo com ela antes. Primeiro conversar / combinar que ela vai começar a dormir em seu quarto e que juntos vocês vão fazer algumas mudanças por lá. Reorganize o quarto, tire da visão os bonecos e brinquedos que possam assustar… vale até uma inauguração do quarto! Uma festinha para iniciar esta nova fase.

7- Não deitar na cama junto com a criança, se for o caso e ela pedir para que você fique mais um pouco, sente-se na frente dela sem precisar encostar uma parte do seu corpo no corpo dela. Estamos ensinando que ela precisa confiar  sem precisar estar “grudadinho”  para isto.

O início pode ser difícil, precisa de persistência porque depois de pouco tempo a tendência é adaptar-se. Costumo dizer que é mais difícil para os pais do que para a criança.

É algo que não precisa ser sofrido, precisamos passar segurança e tranquilidade, para que a criança sinta que se precisar de algo você estará lá.

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Me contem a experiência e, qualquer coisa comentem!