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Cada vez mais, temos visto novos formatos de família com a separação dos pais. A separação não é fácil para os adultos, então imagina para uma criança. Tenho acompanhado alguns casos no consultório. Os pais que seguem, mesmo separados, numa mesma direção, que têm coerência e que respeitam alguns passos, têm tido sucesso nesta situação.   Normalmente, a separação descortina uma relação que já não estava satisfatória. Pode ser um rompimento conturbado, com feridas que levam tempo para cicatrizar.   Mas o tempo passa, a poeira baixa. Um novo espaço para o amor surge. Os pais com todo carinho e cuidado se perguntam: como devo apresentar essa nova pessoa ao meu filho (a) e como conduzir esta situação?   O primeiro passo é respeitar o TEMPO. A criança precisa se acostumar com a separação dos pais para depois entender um namorado ou namorada nessa história.   Por outro lado, os pais precisam perceber a MATURIDADE da relação. Só devem apresentar essa nova pessoa quando sentirem que esta relação está sólida e que segue na direção de um relacionamento mais firme. O foco é sempre proteger a criança para que ela não vivencie separações desnecessárias.   Quando você apresenta uma pessoa para a criança, ela vai desenvolver um vínculo afetivo. Uma nova separação em pouco tempo, poderá gerar na criança uma insegurança nas relações. Essa menina ou menino pode começar a ter cautela para se vincular a alguém.   Nessa jornada, os pais precisam também CONVERSARentre si. É claro que a separação sempre deixa mágoas, mas nesse caso é importante olhar para a criança. Se é o pai que pensa em traz uma nova pessoa, ele bom que ele diga à mãe: – Tô namorando e tô pensando em apresentá-la para nossa filha. Se você puder conversar com ela também seria muito importante.   Foi assim que aconteceu com uma das famílias que atendo. Os pais conseguiram construir esse caminho juntos. A mãe tinha mágoas, mas nesse momento ela conseguiu pensar na filha e ajudá-la a viver esse processo.   Então vamos lá. Os pais aguardaram um tempo, o pai ou a mãe percebeu que a nova relação tinha futuro, conversaram entre si. Chegou realmente a HORA DE APRESENTAR para a criança.   Minha sugestão, é que o primeiro encontro seja algo rápido: um passeio no parque ou um almoço. Se a criança for muito pequena, pode-se dizer que é um amigo ou uma amiga do pai ou da mãe. Se for uma criança mais velha, cabe falar a verdade. Com o tempo, a criança vai perceber que o pai ou a mãe gosta realmente dessa pessoa, que confia nela, a criança também vai confiar e amar.

É fundamental ressaltar que ninguém vai substituir o lugar de pai e mãe dentro do coração da criança. Mas é importante que todos tenham a clareza de que essa nova pessoa também terá o seu lugarzinho nesse coração.

Tudo bem! É assim que deve ser. Um adulto amado é um adulto que a criança segue como referência.


Imelco-contos-de-fadas

Sabe aquele momento caloroso antes de dormir? Em que fazemos um ritual:  uma de conversa, um verso ou uma oração. E que os nossos filhos sempre pedem: conta uma história…

Não é à toa que isso acontece.

As histórias habitam o universo infantil. Os contos de fadas, as fábulas são momentos mágicos para as crianças.
Costumo dizer que são como antídotos para as mais diversas situações. Os contos cochicham bem baixinho nos corações das crianças mensagens sobre medos, respeito, coragem, força, tristeza, raiva e muitas vezes têm efeito terapêutico. Até nós, os adultos, refletimos quando ouvimos uma história ou uma metáfora.
Por isso, gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas para que esse momento seja ainda mais especial e proveitoso.

• PRESENÇA
É muito importante que estejamos entregue à criança nesta hora, olhando em seus olhos. Por isso, se possível, tente decorar a história (a palavra DECORAR vem COR, que significa coração) assim quando decoramos algo estamos lembrando com o coração.

• ELETRÔNICOS NÃO
Sei que hoje temos a praticidade dos DVD’s e de plataformas de vídeo que trazem as histórias prontas. E é só colocar a criança na frente da tela. O que acontece nessas situações é que a criança recebe a imagem pronta e, com isso, interrompemos sua criatividade e imaginação. Quando contamos a histórias com poucos recursos visuais, poucas imagens, damos a ela a possibilidade de imaginar tudo, o rosto dos personagens, o cenário… Dessa forma, a criatividade da criança atua o tempo todo.

• NÃO AMENIZAR A HISTÓRIA
É importante contar as histórias como elas realmente são. Por exemplo: o Lobo Mau da Chapeuzinho Vermelho é realmente mau, ele comeu a vovozinha, lembra? Não precisamos mudar a história dizendo que ele é bonzinho. A criança carregara aquela mensagem para dentro de si e fará inconscientemente a interpretação necessária. Nessa história, o lenhador chega a tempo. Abre a barriga do lobo e salva a vovó e a Chapeuzinho.

• CUIDAR COM A ENTONAÇÃO
A entonação deve ser quase a mesma do começo ao fim, com levíssimas alterações no tom de voz. Dessa forma, a criança não leva sustos. Se colocarmos o Lobo Mau com muita força, com risadas altas, a criança não terá espaço para interpretar do jeito dela. O ideal é que a criança faça a interpretação da histórias com os recursos do seu próprio repertório.

• OBJETOS
Podemos enriquecer este momento com objetos que façam parte da história, uma coroa dourada, por exemplo, ou um instrumento musical. Se for produzido pela pela criança ficará ainda mais rico.

Bom, o mais importante é que como pais possamos criar este hábito, as crianças ganharam muito com isso.

A propósito que tal relembrar da nossa criança?
Qual o conto de fada que você mais gostava quando era criança?
Sente-se em um lugar bem especial e silencioso e tente contar essa história a você mesmo.
Dê esse presente para sua criança interior, tenho certeza que ela irá gostar!


roer unhas

Roer as unhas aparece com frequência no universo dos pequenos.

Geralmente é por volta dos 3 ou 4 anos de idade que este hábito se inicia. Nessa idade, a criança começa a se colocar um pouco mais no mundo e uma relação de troca com o externo começa a surgir. Alguns desafios aparecem, como por exemplo, lidar com os “nãos” ou lidar com o fato de não conseguir fazer algumas coisas. Certas crianças podem receber isso de forma mais intensa, sentindo uma pressão do mundo sobre elas. Nessa hora, descobrem que roer as unhas as deixam mais aliviadas. Elas repetem esse comportamento, tornando isso um hábito.

No entanto, outras crianças podem adquirir este hábito um pouco mais tarde. Nesses casos, também é importante ter esse olhar, tentar identificar se existe uma pressão externa  sobre elas. Pode ser que essa criança esteja passando por uma situação nova em algum âmbito (escolar, familiar, social), pode ser que esteja mais ansiosa e com dificuldades para acomodar tudo isso. É fundamental olhar para a agenda diária desta criança, será que ela não está com atividades em excesso?

Enfim, temos que ter em nossos corações a clareza de que a criança está em intenso processo de aprendizagem, que ela está aprendendo a lidar com uma série de situações e que algumas delas são um pouco mais difíceis para se adaptar.

Com o passar do tempo este hábito pode passar, porque a criança começa a aprender a lidar melhor com tudo isso. Porém, o que fazer até que passe ou, caso não passe, como devemos agir?

Ao ver os filhos com a mão na boca o tempo todo, muitos pais acabam utilizando alguns artifícios: passar esmalte com sabor ruim, pimenta, ficar pedindo o tempo todo para que  tirem a mão da boca, dar broncas…

Pois bem, isso não funciona muito bem. Muitas vezes acabamos por acentuar este comportamento, principalmente quando repetimos para que tire a mão da boca. Quando fazemos isso à exaustão, o foco acaba sendo o contrário, o que a criança entende é “coloque a mão na boca”!

Pensando em tudo isso, o primeiro passo é tranquilizar esta criança. Dizer que algumas coisas são difíceis mesmo (seja na escola ou em alguma situação que você identifique que esteja acontecendo), mas que ela sempre pode contar com seu apoio, que você estará ao lado dela ajudando. Reforce também o quanto ela é esforçada e que vão tentar juntos!

Depois, no momento em que ela estiver com a mão na boca, pegue a mão dela com muito carinho e aqueça junto às suas, e diga:

– Está tudo bem, fique tranquila!

Apenas isso, sem muitas explicações.

Outra alternativa bem eficaz, é colocar as mãozinhas para trabalhar. Podemos convidar a criança para que monte um brinquedo, para que brinque com massinhas, podemos levá-la para a cozinha para que ajude a catar o feijão ou sove a massa de pão, um crochê de dedos também é uma ótima alternativa (caso isso faça parte do repertório da criança).

Enfim, trazer recursos que propiciem tranquilidade e o alívio, mostrando a criança outras alternativas a não ser colocar a mão na boca e roer a unha.

Vale lembrar que tudo isso é um processo e que dar broncas só irá deixar a criança mais tensa e nervosa. Ela não tem consciência deste movimento, cabe a nós, adultos, conduzi-la com calma para outros caminhos.

 


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A criança dos 7 aos 14 anos

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Tempos atrás, as crianças iam para a escola somente aos seis, sete anos de idade. Esse “ir para escola” significava, em uma análise mais ampla, ir para o mundo. A natureza dava uma ajudinha nos dizendo que a criança estava pronta para essa nova jornada quando o primeiro dente caia.

Hoje os pequenos “saem de casa” com um ou dois anos, alguns ainda bebês, com meses. Até os dentes estão começando a cair mais cedo em algumas crianças. A necessidade se impõe, as famílias não veem outra alternativa. No entanto, não podemos perder de vista, independentemente do lugar onde a criança esteja, em casa ou na escola, o que acontece em cada uma das fases.

No Primeiro Setênio, a criança vive em uma atmosfera de sonho com a sua energia votada para fortalecer e formar os seus órgãos internos e quando ela recebe a realidade é através dos olhos da mãe, já no Segundo Setênio é tempo dessa criança conquistar outros espaços.

Ela começará a caminhar com suas próprias pernas e de mãos dadas com o pai, a figura paterna ganha força nesse período. As brincadeiras começam a se modificar e os jogos em geral passar a ser mais interessantes. O gosto pelos jogos, como os de tabuleiro, por exemplo, se dá por dois motivos: primeiro por causa as regras. A criança nessa fase gosta de lidar com esse recurso e se irrita muito quando vê alguém burlando alguma regra.

A outra questão é que o jogo normalmente exige uma outra pessoa, um opositor ou vários opositores, às vezes é necessário criar uma equipe. A possibilidade de se colocar no jogo, de trocar com o outro também estimula a criança.

Nessa fase, a criança deixa a imaginação e o espelhamento pra trás e sente o mundo através de si mesmo. É no Segundo Setênio que ela começa a desenvolver o tórax, não é à toa que nessa região fica o coração. A partir dos sete, oito anos, a criança começa a se relacionar com mais consciência. Ela passa a ter o Sentir mais aflorado.

Aos 9 anos, inevitavelmente nossos filhos mergulharão no rubicão e depois que passa esse período de busca existencial, ufa… Eles renascerão, ressurgirão. É a fase em que começamos a perceber a personalidade ganhando força, o colorido que chamamos de temperamento.  A criança já adolescente tem agora uma alegria no olhar.

As conversas entre pais e filhos já podem ganhar um caráter mais explicativo, o que é bem diferente do que vemos na primeira infância. Quando as crianças são pequenas, muita explicação só atrapalha. Agora é importante explicar mais, dar opções de escolha, por mais que não tenha maturidade total, esse é um exercício.

Isso vai fortalecer na criança a percepção de CERTO e ERRADO para que lá na frente, ela consiga recusar algo, caso a oferta não lhe agrade.


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Coisa de menino e coisa de menina

meninos e meninas

Uma menina gostar de azul tudo bem! Mas e um menino gostar de rosa?

Conheço muitos pais que vão responder:

– Ah, não… Rosa meu filho não vai vestir!

Assim como já ouvi:

– Essa brincadeira são dos meninos, você é uma mocinha! Não pode brincar disso!

Aí eu pergunto. Por quê?

Para a criança o rosa ou azul, assim como o verde e o vermelho não significam nada além de cores. Uma é usada pra pintar o céu, outra uma árvore, uma flor, uma porta… Quando criança diz que rosa é de menina e azul é de menino, pode ter certeza que o discurso não é dela. Não foi a criança que chegou a essa conclusão. Ela provavelmente ouviu isso de alguém e está reproduzindo.

Muitos pais quando vêem os filhos brincando com boneca ou quando pegam as meninas brincando de carrinho, se sentem incomodados. Entram na frente pra atrapalhar a brincadeira, fazem o que podem para acabar com a diversão que eles acreditam não ser saudável para o seu filho ou sua filha.

No consultório já vi isso algumas vezes. A cena quase sempre segue o mesmo roteiro: um menino pega uma boneca e começa a ninar, balançar. Rapidinho vem o pai ou mãe dizendo:

– Menino larga isso, vai brincar com outra coisa.

Quando a criança é pequena ela não faz essa separação de gênero (masculino e feminino), pra ela não existe diferença. E tem que ser assim mesmo. A menina quanto brinca de carrinho, por exemplo, está imitando a mãe ou o pai. Quando se diverte com a ideia de super herói que defende a cidade ou a humanidade toda,  acaba trabalhando internamente a questão da proteção, do pai protetor. Ela está imitando a realidade dela. Os meninos quando estão brincando de boneca estão reproduzido o cuidado que a mãe tem com ele, cuidar, trocar a roupa, ser carinhoso, estão aprendendo a cuidar do outro. Veja que exercício lindo.

Ouvi uma história que achei muito interessante. Um casal que tem dois meninos. Na casa deles, um festival de carrinhos, dinossauros, peças de montar, ferramentas de madeira. A mãe disse a uma amiga que pensava em comprar ou mesmo construir para as crianças um fogão de madeira pra aumentar o reportório de brincadeiras. Já que a mãe e o pai vão pra cozinham porque não permitir que os meninos também se interessem pelo ambiente. Não são essas brincadeiras que vão determinar lá na frente a sua opção sexual da criança.

As minhas duas meninas são bem diferentes. A caçula sempre gostou de bonecas. A mais velha, agora com 12 anos, até brincava, mas preferia as brincadeiras com bola, mais as que tinham movimento. Um dia ela me contou porque gostava mais de brincar com os meninos:

– Mãe, é que as brincadeiras deles são mais divertidas!

Vou dizer pra não brincar, que ela não pode? Claro que não!

Não sei se você já viu uma sala de jardim de infância Waldorf. Tem fogão, panelas, panos, bonecas, carrinhos e todos brincam. Um dia, todos cuidam do jardim; no outro, meninos e meninas dão um “brilho” na sala, limpando com panos as cadeiras, a mesa. A quarta-feira é dia de painço (servido no lanche em algumas escolas). É o dia preferido de muitas crianças, elas ajudam a preparar os acompanhamentos: salsinha, cebolinha, cenoura, azeitona e queijo. Não tem o que é de menino e o que é de menina, a brincadeira de preparar o alimento envolve todos.

Meu convite é para que sejamos mais leves nessa questão. Lembrar que não tem coisa de menino e coisa de menina. Tem coisa de criança. Que tal deixá-las brincar livremente?

 


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Nesta semana postei um artigo sobre a criança que está entre seus 9 e 10 anos de idade, algumas características comuns que acontecem nessa fase, o tal do rubicão, as crises, alguns comportamentos físicos que aparecem. (http://falandodainfancia.com.br/2017/03/02/a-crianca-entre-9-e-10-anos-de-idade/). Uma querida seguidora da página, fez um comentário bem interessante e importante sobre seu filho de 11 anos que está com um olhar bem crítico sobre as atitudes dos pais e sobre as situações.

Acabei não escrevendo sobre este aspecto, também importante,  para que o texto não ficasse muito longo e, para que olhássemos de uma forma mais geral sobre essa fase.

Porém, é fundamental conversarmos sobre esta característica presente nesta idade, vamos lá?

Nos primeiros sete anos da criança (podendo se estender até uns 8 anos ou antecipar para 6) ela vive em uma atmosfera de sonho, em que fantasia e imagina o tempo todo em suas brincadeiras. Ela imita e espelha os adultos que estão a sua volta, recebe o mundo através dos olhos da mãe. Esta situação de imitação e espelhamento, faz com que ela não se sinta “tão sozinha” no mundo, embora ela já tenha tido um início desta sensação de separação  lá nos 2 anos / 3 anos de idade.

Quando a criança adentra nesses 9 e 10 anos de idade, ela vivencia o seu eu mais intensamente, no âmbito dos sentimentos, acontece uma separação mais intensa entre ela e o mundo externo, a imitação e o espelhamento são deixados para trás e, ela começa a receber o mundo diretamente, sem mais esta “ponte” que seria a mãe.

Tudo isso, faz com que a criança tenha um Acordar para o mundo, o que faz aumentar a tendência a ficar mais crítica com as situações que a rodeia, despertando um questionamento interior e inconsciente, sobre as atitudes e comportamentos dos adultos a sua volta.

As regras precisam ser claras, não cabe ficar tentando “trapacear”, quando os pais dizem algo tem que tomar muito cuidado para não contradizer, pois eles estão mais despertos para isto e irão questionar. Dentro deles vive o sentimento de que os adultos sabem de tudo e que seus comportamentos devem sempre ser seguidos, agora, com este acordar eles vivenciam internamente este questionamento e estarão mais atentos para comprovar se isto é verdadeiro.

– Mas mãe, você não tinha dito que mentir era feio? Por que pediu para que eu dissesse ao telefone que você não estava, sendo que você está aqui?

– Mas pai, você não vive dizendo que o cigarro faz mal? Por que está fumando?

Estes são exemplos mais clássicos, mas com certeza já devem ter vivenciado outros.

A partir dessa idade, algo muito importante e bonito dentro do processo de crescimento da criança, acontece: o Acordar! Junto com ele vem esse posicionamento essencial para se colocar no mundo e, se separarmos a palavra acordar, teremos: A – Cor – dar: uma cor surge e se fortalece, que é o seu temperamento! A sua personalidade (que já vinha aos poucos) diante de lidar com as situações do mundo, agora ganha força. A sua cor, que podemos falar mais detalhadamente em outro artigo no futuro.

 


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A criança entre 9 e 10 anos de idade

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Minha filha mais velha sempre foi uma menina alegre e tranquila. Tristeza, definitivamente, não era a praia dela. Até que um dia, perto de completar 9 anos, chegou em casa chorando. Mas chorando muuuito! Disse que tinha se desentendido com  uma amiga e que tinham rompido a amizade. Chorou boa parte da noite, de verdade. Eu a acolhi, conversei com ela até que adormeceu com os olhos inchados de tanto chorar. Pouco tempo depois, lá estava ela aos prantos novamente:

– A Duda (a  irmã) não vai mais querer brincar comigo, eu briguei com ela.

Lágrimas e mais lágrimas.

A levei ao pediatra para uma consulta de rotina, que comentou que ela estava com carinha triste e começou a fazer perguntas:

– Como tá a escola?

– Mais ou menos.

– Como estão os amigos?

– Mais ou menos.

Tudo estava mais ou menos na vida dela! Estranho, esse não era o perfil dela.

Foi aí que entendi que ela estava passando pelo RUBICÃO!!!

Geralmente os pais ficam bastante preocupados com a chegada da adolescência (a partir dos 12 anos). Lêem a respeito e ficam imaginando como será essa fase. No entanto, acabam não percebendo o quão importante é o tempo que antecede a puberdade, exatamente entre os 9 e 10 anos de idade.

Vamos fazer um exercício de empatia, nos colocar no lugar das crianças. Para que elas passem por essa fase, elas precisam antes mergulhar pra dentro de si, visitar seu mundo interno, para depois ressurgir com um novo brilho, com um “colorido” diferente. Esta é uma fase de transição. Lembram da primeira vez que falamos do Eu, no texto “o que acontece com a criança entre os 2 anos e 3 anos de idade?” (http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/) Bem, agora esse Eu é vivenciado intensamente pela criança no âmbito dos sentimentos.

Percebemos uma mudança física com o crescimento do tórax. É nessa região que ficam órgãos importantes como o coração e os pulmões. Vamos atentar à fisiologia do pulmão. É nesse órgão que é feita a troca, entra oxigênio e sai gás carbônico. Agora falando no campo dos sentimentos, é aqui que a criança faz a troca com o mundo externo: recebe do mundo (inspiração), elabora internamente e devolve (expiração).

Nessa fase, a criança faz esse movimento sozinha, sem a ajuda do adulto. Lembrem-se que quando ainda é bem pequena, a criança vive a fase da imitação e que percebe o mundo através dos pais, agora essa interferência não ocorre mais.

O que ocorre é  uma preparação pra adolescência que será uma fase de turbulência e muita confusão. Quando seu filho (a) estiver vivendo isso, entenda como um pedido de “colo”, afinal acaba sendo um colo para receber a próxima fase que virá.

Ele (a) está se preparando para enfrentar o desconhecido. É um momento de mudança na vida da criança, ela vai deixar para trás a infância imaginativa e cheia de fantasias, para viver uma fase de brincadeiras mais concretas e com muita movimentação.

Algumas crianças sentem esta vivência mais intensamente, outras menos, mas em geral elas ficam mais caladas, mais melancólicas ou até mesmo mais agressivas. Outras características que também aparecem são algumas dores físicas como a dor de cabeça e dor de barriga e em volta dos olhos surge um arroxeado – olheiras.

Claro que temos que ficar atentos a outras situações externas a essa fase. Perceber se não há outra questão a ser olhada na escola e no ambiente familiar.

Precisamos cuidar dessa fase com muito carinho e respeito como sempre.

Já passei com a mais velha, que hoje está com 12 anos e agora, cá estou passando por tudo novamente. Só que com minha caçula o Rubicão chegou um pouco antes, aos 8 anos e meio. É incrível ver minhas filhas mergulhando nesse tempo de introspecção. A mais velha já viveu e a caçula ainda vive uma transformação, fundamental para o desenvolvimento de ambas. Quando ultrapassam essa fase, estão fortalecidas com outra vitalidade no olhar.

 Não é à toa que a Pedagogia Waldorf propõe um desafio às crianças aos 9 anos. No currículo escolar do terceiro ano, os alunos constroem uma casa em miniatura. Ela pode ser de madeira, barro, isopor. Deve ser feita manualmente assim como os móveis e demais utensílios. Eu utilizo esse recurso também no consultório para ajudar as crianças a passarem por este momento. O que acontece simbolicamente é que o Eu desta criança está encontrando seu caminho e construir essa casa com a ajuda dos pais dá a ela o suporte de que precisa.

Além da construção da casa, utilizo também um jogo para auxiliar as crianças nessa fase: o Ludo. O jogo é mais rápido que a confecção de uma casa, permite que seja iniciado e terminado durante uma sessão, e também é muito potente. A criança percorre o caminho no tabuleiro até chegar a sua “casa” no jogo.

Às vezes as crianças nos surpreendem e elas mesmas nos sugerem algo. O caminho que a minha filha caçula encontrou para enfrentar esse momento de transição foi construir um carro, com a ajuda do pai. Primeiro eles fizeram um de papelão que ficou incrível. Agora trabalham com afinco na construção de um de madeira.

Escrevendo esse texto entendi perfeitamente a escolha da minha mais nova. A forma que ela encontrou pra fazer esse caminho dos 9 anos foi montar um carro. Carro que vai ajudá-la literalmente a passar para o outro lado da ponte. A percorrer esse caminho da infância para a adolescência.


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Um problema de Natal

 

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            Olhando o Facebook encontrei esse lindo vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=s7QeDzyQlXY&feature=youtu.be ) em uma página que acompanho chamada De Criança Para Criança, e decidi dividir com vocês. Ele trata de Natal e separação.

            Neste fim de semana, comemoramos o nascimento de Jesus, uma data que traz a ideia de família reunida. Mas nem sempre é assim. O vídeo mostra de uma forma delicada a realidade de duas crianças que estão prestes a viver o primeiro Natal com os pais separados. Os desenhos, feitos por crianças, apresentam as angústias de um menino e de uma menina que não querem ter que escolher com quem passarão a noite de Natal.

            A separação dos pais é sempre um assunto difícil para toda a família. Mesmo nos casos em que o rompimento acontece de forma amigável e que o diálogo permanece, leva-se um tempo até que as crianças se adaptem à nova rotina. Diante da separação dos pais, muitas crianças podem se deparar com esse mesmo sentimento mostrado no vídeo, de ter que escolher entre um e outro.

            Os filhos podem se sentir forçados a assumir uma responsabilidade que ainda não é deles e preocupados em não chatear o pai ou a mãe com a sua escolha.

            Neste momento, é muito importante deixar de olhar para as questões do casal e olhar para as crianças. Sabemos que estes pais passam por uma situação delicada, estão machucados e magoados, porém existe algo maior que tudo isso: O AMOR QUE SENTEM PELO FILHO!

É muito importante, nessa hora ouvir, o que os filhos estão sentindo. Se as angústias não surgem naturalmente, vale perguntar.

– Como você está se sentindo?

– Você está incomodado com alguma situação, algo te preocupa?

            Depois disso, os pais devem se posicionar, lembrar que o pai e a mãe são figuras que vão acompanhar a criança pra sempre independentemente de estarem casados ou não.  Nessa conversa, a criança deve se sentir muita amada.

A criança que vivencia e percebe o respeito entre os pais, tende a se adaptar melhor à nova realidade. Ela fica mais segura e feliz por sentir que é cuidada e amada por dois adultos que estão dispostos a percorrer um caminho de vida ao lado dela.

No desfecho do vídeo, as avós entram em cena e, em vez de uma festa de Natal, as crianças têm duas. A vida real normalmente é mais complexa do que nos desenhos. No entanto, complexa ou não é nosso papel agora que somos pais deixar que o colorido da infância permaneça.

Feliz Natal com muita luz pra todos!!!


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Mãe, o Papai Noel existe?

 

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Muitos pais já se depararam com essa pergunta. Ou, até mesmo com a própria afirmação:

– Eu sei que Papai Noel não existe. São vocês (o pai e a mãe) que compram o presente.

O que acontece quando uma criança começa a desconfiar da história que sempre acreditou?

Na semana passada, postei um texto sobre a Época do Natal (http://falandodainfancia.com.br/2016/11/30/a-epoca-de-natal/) e recebi várias mensagens. Entre os comentários, destaco os de duas mães que acompanham o Blog. Uma delas estava muito triste, porque o filho de 6 anos disse a ela que Papai Noel não existe. A outra fez um comentário em relação ao filho de 9 anos. Ele também falou da inexistência de Papai Noel. Nesse caso, a preocupação da mãe é em relação à caçula. O receio era que o mais velho transferisse a desconfiança para a irmã menor.

Mais cedo ou mais tarde iremos nos deparar com essa situação. Normalmente essa dúvida começa a surgir por volta dos 9 ou 10 anos de idade, mas às vezes pode aparecer antes. Nessa época, a criança passa por uma fase em que a fantasia fica um pouco de lado e começam os questionamentos. Uma dica que vale muito é devolver a pergunta para a criança e isso também vale para o menino de 6 anos.

– Por que você acha que o Papai Noel não existe?

Dessa forma poderemos escutar o entendimento que eles têm e perceber se estão mesmo preparados para que contemos, de forma carinhosa, a verdade ou se podemos esperar mais um pouco.

No entanto, se você perceber que esse é o momento para desvendar tudo, é bom trazer a verdade de forma leve e resgatar com a criança como foi gostoso viver tantos Natais com a figura daquele velhinho por perto. Uma sugestão é lembrar dos momentos, revisitar os Natais passados… A partir desse resgate podemos conversar o quanto é importante que o irmão mais novo, o priminho ou o vizinho menor também vivenciem o que ele experimentou, o quanto foi bom. Assim a magia se perpetua e cada criança descobre por si e no seu tempo quem é o Papai Noel.

Foi exatamente o que aconteceu com a minha filha mais velha. Aos 9,  ela começou a fazer perguntas. Ela começou a desconfiar que a história não estava bem contada. Eu conversei com ela de forma leve e amorosa. Trouxe a ideia de que o Papai Noel do shopping, com apelo comercial, sentado na loja não existe realmente. Ela ficou triste, mas entendeu. O interessante foi o que aconteceu tempos depois. Ela nunca mais tocou no assunto, hoje tem 12 anos e quando converso com a caçula sobre o assunto ela me dá uma olhada de canto de olho, como se fossemos cúmplices de um segredo que ainda não pode ser revelado para a menor. Ela continua escrevendo a cartinha para o Papai Noel. Acho que realmente pensa que Papai Noel não existe, mas continua vivenciando a magia só que de uma forma diferente, participando dos rituais, de algo mais espiritualizado.

É muito rico manter essa fantasia e imaginação na vida dos pequenos, ela faz parte do universo deles. Personagens, como o Papai Noel, quando mantidos vivos nas crianças passam a elas a ideia de que o mundo é bom e acolhedor, o que segundo a Antroposofia é fundamental para as crianças do primeiro setênio (0 a 7 anos). Isso traz calor, confiança a elas. A criança aprende a desenvolver a fé e a esperança que levará para a vida inteira. Acreditar nos sonhos, ter a confiança de que os desejos possam ser realizados é o alimento para uma vida saudável na infância. Às vezes até o presente material fica em segundo plano, o maior presente aqui será toda  essa atmosfera que a época traz.

Manter viva essas experiências na vida dos pequenos é saudável e traz lindas lembranças.


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O momento de tirar a fralda

 

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Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança. Geralmente isso ocorre por volta dos dois anos até os três anos e meio de idade, quando a criança já está bem firme, em pé, e começa a se perceber no mundo (detalhes sobre esse assunto no texto: http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/

No consultório, frequentemente acompanho crianças que estão neste processo.

Como é importante que os pais estejam tranquilos e que entendam que cada criança é única e tem o seu tempo!

Perceba que seu filho dá sinais de que está pronto para essa nova fase. Ele começa a não querer usar mais fralda, pede pra tirar ou ela mesma arranca. Algumas começam a sentir quando o xixi e o cocô estão saindo e avisam fazendo uma carinha diferente. Quando os pais percebem esses sinais e decidem iniciar o processo, é importante que sigam em frente. Não é bom, por exemplo, deixar a criança sem fralda em casa e colocar uma quando a família sai para um passeio. Isso a confunde. Se tirou a fralda, tirou e pronto.

O verão realmente é um bom momento pra isso, pois a criança está com roupas mais leves e mais à vontade. Mas não pense que a criança vai lembrar de ir ao banheiro. É nossa responsabilidade, pelo menos no início, lembrá-la. A cada duas horas que tal falar de forma descontraída:

– Vamos ver se tem xixi aí dentro?

Pode ser que não saia nada, nenhuma gota. Mas, é importante ir com ela até lá várias vezes, independentemente de quanto líquido que ela bebeu. Vai nascer um hábito aí e aos poucos ela vai ter a iniciativa.

Se a criança já vai à escolinha é bom conversar com as tias ou professoras e informar que você vai iniciar esse processo para que família e escola estejam juntas nesse processo.

Xixi, ok. Agora é hora de desfraldar do cocô.

Mas conseguir que a criança faça cocô no penico ou na privada nem sempre é simples. A consistência agora é sólida e a criança pode sentir um desconforto na barriga na hora de fazer cocô. Se estiver difícil pra ela, acolha a criança e entenda o que está acontecendo! E não tenha pressa.

Escapes vão acontecer. Nesses momentos, nada de bronca. Limpe a criança para que ela se acostume a ficar sequinha. Ela está aprendendo algo novo e deve ser um processo leve, não associado a ameaças ou a castigos.

Mais uma etapa vencida e é hora de pensar em abandonar a fralda da noite também.

A fralda seca de manhã é um dos sinais mais evidentes de que a criança já está pronta. Aqui algumas dicas bem práticas que podem ajudar você:

– diminua a quantidade de líquido ingerido à noite, principalmente no início do desfralde noturno. E suspenda a ingestão por completo mais ou menos uma hora antes da criança dormir;

– observe, durante a noite, se esta criança está quentinha, se os pés e as mãos estão cobertos, o frio pode dar mais vontade de fazer xixi.

Vale lembrar sempre que estamos iniciando um hábito e que precisamos de paciência e ritmo. Todos os dias devem ser parecidos para a criança. Agora, na rotina da noite cria-se um novo hábito: fazer xixi. Pode demorar um pouco, mas não tenha dúvida a fase da fralda já está chegando ao final.