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Toda criança precisa de Ninho

 

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Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem um a um os gravetos na ponta do bico, arrumam com todo amor e dedicação o lugar onde irão criar seus filhotinhos (postei essa semana no Facebook, um vídeo que mostra um ninho num lugar bem inusitado). Depois que os filhotes nascem, os pássaros levam comida, protegem os pequenos contra os perigos para que eles cresçam com segurança e logo adiante possam voar, explorar e conhecer o mundo em busca do seu próprio alimento.

Agora, a partir dessa imagem vamos pensar nos nossos filhos!

As crianças também precisam de um ninho. Quando pensamos nessa palavra logo vem à mente um lugar acolhedor e seguro. E é exatamente isso!

Como pais, devemos construir um lugar quentinho e que transmita segurança, para que os nossos filhos sintam-se acolhidos. Construir esse ambiente exige algo que temos de sobra: muito amor! E exige também muita dedicação e envolvimento da nossa parte.

Vamos começar pelas relações, como é importante cuidar disso. Para os pequenos, elas são fundamentais. A relação com os avós, com os tios e principalmente, com o pai, a mãe e os irmãos, as pessoas que convivem na mesma casa que esses pequenos. Caso seu núcleo familiar seja diferente, inclua aqui quem faz parte dele. Essas são as pessoas que vão viver nesse “ninho”. Através desses relacionamentos as crianças são envolvidas por um calor que não vem do fogo, mas do coração e que vai reverberar mais adiante em segurança e autoconfiança.

Para isso, temos que ter a consciência de estarmos presentes, inteiros enquanto convivemos com nossos filhotes. Deixar de lado os celulares, a TV, os computadores, para que possamos ter uma troca autêntica, o olho no olho, e conversar com nossos filhos com atenção.

Outra situação importante, é evitar que as crianças (principalmente as pequenas) tenham contato com os noticiários mais violentos. Há quem diga que nenhum noticiário é destinado a crianças. Muitos pais acreditam que tenham que desde cedo apresentar às crianças a realidade do mundo e para que não fiquem alienados, que tenham que conhecer a violência, a irracionalidade humana que muitas vezes vira assunto na TV e jornais. Não é bem assim. Já falamos aqui, mas vale lembrar. Para a Antroposofia, até os sete anos, o que significa no primeiro Setênio, o Mundo é Bom e é assim que a criança deve vê-lo. Nessa fase, a criança vive por imitação, ela não distingue ficção da realidade, pra ela tudo é real.

Eles terão muito tempo para saber que o mundo tem essas coisas e quando se depararem com essa realidade saberão reagir com confiança. Claro que se eles perguntarem ou tiverem em contato com algo ruim, vamos acolher o questionamento, conversar sobre o fato, mas sempre deixando a criança trazer o assunto, nunca o contrário. Depois de ouvi-la podemos dizer que nós (pais, avós, professores) o amamos muito e estaremos sempre por perto para cuidar dele e protegê-lo, assim como o pássaro cuida de seus filhotes.

Na vida dos pequenos, outra fator essencial para que esse calor se faça presente é a coerência dos pais e cuidadores quanto a educação da criança. Estabelecer ritmos e bons hábitos, colocar limites, conduzir as situações com firmeza.

Dessa forma, este ninho passa a viver dentro da criança e sempre que precisar recorrer a ele saberá onde encontrar. Mesmo quando for adulto, longe de sua família, não se sentirá sozinho, estará preenchido e terá segurança para voar!


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A Época de Natal

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– Amanhã já é Natal? Perguntam ansiosos os pequenos. O amanhã, o ontem, o daqui a 20 dias não faz muito sentido para as crianças menores. Internamente eles já estão vivendo essa festa, cabe a nós darmos o melhor significado possível a ela.

A época do Advento é de esperança, luz, reflexão e gratidão.

Como já disse aqui outras vezes, vivenciar com as crianças cada fase do ano, cada estação e as festas mais importantes, faz com que elas percebam o que realmente acontece a sua volta, se localizem no tempo e no espaço.

Resgatar o real significado do Natal é essencial para a vida de todos.

Advento vem do latim que significa o que está por vir.  É a preparação para a chegada do menino Jesus. Uma caminhada feita em quatro domingos. Não se preocupe que o primeiro já se foi (domingo passado), teremos outros três. E ainda dá tempo de vivenciá-los. Confeccionar a Coroa do Advento, feita com ramos verdes e com quatro velas, cada uma acesa em um domingo até o Natal. Veja que bela oportunidade preparar este caminho com os pequenos, trazendo histórias e músicas desta época, montar a árvore, o presépio.

Parece um contrassenso. Nessa época que deveríamos refletir e se aproximar do que é sagrado, é bem o tempo em que não temos um segundo para parar. Correria para entregar o que ainda precisa até o final do ano, compras de presentes e comidas, compromissos que se acumulam. As luzes nos roubam de nós mesmos.  Mas o desafio é exatamente esse, no meio de tudo isso, admirar solenemente o que importa. Nesse caso, Jesus que chega.

Quero deixar aqui a lenda russa dos Quatro Anjos do Advento, que poderá ser contada a cada domingo antes dessa chegada especial. Será uma alegria vivenciar este momento com os pequenos, os olhos brilham, a alma se enche de luz e de amor.

Boa leitura!

Há muito tempo atrás os homens viviam no mundo, mas não sabiam construir casas, nem plantar e cuidar da terra. Viviam em cavernas onde era escuro, não tinham luz.

Deus, então chamou os Anjos para que trouxessem luz aos quatro cantos do mundo e avisassem os homens que o Filho de Deus viria.

O primeiro Anjo tinha asas azuis. Foi iluminar as cavernas e as grutas com um raio de luz que o sol lhe deu. Foi esse raio de luz de sol que ajudou os anões a fazerem pedras coloridas. Esse anjo trouxe a chuva e ela lavou as pedras, encheu os lagos, fez os rios correrem mais depressa.

O segundo Anjo tinha asas verdes. Saiu do céu bem cedinho, mas como voava devagar, chegou na terra ao entardecer. O raio de luz que esse Anjo trouxe deu cor e perfume às plantas. Ele também ensinou os homens a plantar e a deixar a terra bem fofinha para receber a semente.

O terceiro Anjo tinha as asas amarelas. Ele foi até perto do sol e o sol lhe deu um raio de sua luz para que ele trouxesse até a terra. Quando ele estava chegando, os animais viram aquela luz e ficaram admirados. O Anjo então explicou que iria nascer uma criança muito especial e que todos deveriam se preparar para recebê-la. Os pássaros fizeram músicas muito bonitas, as borboletas coloriram suas asas, os animais de pelo falaram uns com os outros sobre o acontecimento e o vento espalhou a notícia por todos os cantos.

O quarto Anjo tinha asas vermelhas. Ele queria tanto ajudar os homens que foi logo falar com
Deus, não esperou ser chamado. Deus tirou uma luz do seu trono e disse ao Anjo vermelho que colocasse essa luz no coração de cada homem, de cada mulher, de cada criança. Já estava bem perto o dia do nascimento de Jesus.

É por isso que até hoje acendemos 4 velas na coroa de Advento, para lembrar os quatro anjos que nos avisaram da chegada do filho de Deus.

 


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Criança e Agressividade

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Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 graus, ela quer usar o vestidinho de alças), se veste sozinha, escala a pia para pegar uma fruta. A vida segue sem turbulência quando lhe é permitido fazer tudo o que deseja. Mas quando a pequena se depara com um “NÃO” o tempo fecha e muitas vezes é com um tapa que ela comunica que não gostou do limite. Você conhece crianças assim?

É sempre motivo de preocupação de mães e pais quando um filho bate nos amigos, nos pais,  quando morde. Muitos pensam que essa atitude é uma característica da criança, que ela está se tornando agressiva, está mudando o caráter, está muito bravo, tendo muitas crises. Isso, na verdade, faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento da criança. Entre os dois e três anos de idade começa a se manifestar pela primeira vez o Eu dessa criança, fase em que ela começa a se colocar no mundo, quer ganhar seu espaço, muitas vezes se coloca dessa forma, com agressividade.

Agora vamos voltar no exemplo lá do início do texto. Veja o exemplo: a menina não bateu gratuitamente, ela disparou um tapa assim que foi confrontada, assim que recebeu uma negativa. Aqui está um detalhe importante que os pais precisam atentar. O primeiro passo na direção de entender esse comportamento (o que não significa ser complacente) é observar o que antecedeu o ato de bater, o que veio antes dessa agressividade infantil. Muitas vezes foi um “não”: você não pode usar essa roupa, porque está frio; esse objeto é de vidro, você não pode pegar; bala, agora não. A criança fica frustrada, com raiva. Nós, adultos, também sentimos frustração e raiva muitas vezes, com a criança não é diferente. É muito importante lembrar que a raiva é um sentimento que surge em determinado momento, isso não significa que ela seja agressiva o tempo todo. É fundamental evitar esse rótulo, porque caso contrário a criança começa a internalizar isso e acreditar que realmente é agressiva.

Quando uma criança inicia sua caminhada aqui na Terra, ela conta conosco para que sejamos seus guardiões, que caminhemos juntos. Dependendo da idade, estaremos bem perto. Com o passar dos anos, ao lado, e mais adiante, um pouco atrás. Mas sempre deveremos estar por perto.

A Antroposofia lembra que são os filhos que nos escolhem, eles confiam que saberemos guiá-los. Somos adultos, com Eu forte, para dar direção para esse Euzinho que está chegando de forma meio “torta”, meio descontrolada. Se eu não estiver certo de mim como pai ou mãe, se não estiver com meu Eu no lugar, reto, eu não conseguirei ajudar meu filho. A criança vai ficar perdida, inconscientemente vai se perguntar:  onde está meu eixo, cadê minha direção? Se os pais estão perdidos, assim também ficará a criança. A criança está em processo de aprendizagem e ouvir “nãos” faz parte do jogo.

Quando acontece esse ataque de fúria dos pequenos, eles ficam muito bravos e batem, mordem, jogam o que tem pela frente no chão ou contra quem está na sua frente, há pais que perdem o controle também, começam a gritar. Realmente é ruim ver seu filho avançando contra você, mas pior ainda é não saber o que fazer nessa situação. O que temos que fazer nesses momentos em primeiro lugar é manter a calma. É claro que temos o direito de ficar nervosos, mas temos o dever de dizer a nós mesmo: “Alto lá! Preciso me acalmar, dar um passo pra trás”. Essa criança está precisando nesse momento é de direção, que mostremos a ela um outro caminho e para que a gente consiga fazer isso temos que estar no nosso eixo. Mas de que forma devo agir, você pode estar se perguntando. No momento do tapa, quando acontece o tapa principalmente nos pais, o adulto tem que segurar com calma, mas com firmeza a mão da criança e abaixá-la, com muito amor, respeito e cuidado pra não machucar. Nesse momento, peça para que ele olhe nos seus olhos, se conecte com ele e diga que ele não pode bater, que essa não é a forma de conseguir as coisas que quer. Quando são crianças menores, a conversa tem que ser curta e objetiva, sem tantas argumentações. Para crianças maiores, a partir dos oito, nove anos pode-se ter um diálogo maior, uma conversa mais longa. Mas antes é fundamental segurar a mão e dizer que não gostou do que ele (a) fez. A conversa pode até ficar pra depois, à noite por exemplo, num momento mais caloroso. Nesse momento, diga: “você lembra do que você fez, me bateu ou bateu no seu amigo?” Faça uma retrospectiva do que aconteceu, isso vai ajudar a criança a refazer a situação mentalmente.

Vale lembrar que diante desse momento de fúria, os pais precisam ser firmes e não voltar atrás no “não” que foi a raiz de toda a explosão. Como se trata de um processo de aprendizagem, é um presente que damos à criança quando nos mantemos firme a decisão. É uma forma de ensinar como lidar com a frustração. Você deve deixar claro pra criança que ela tem o direito de ficar brava, mas não pode machucar o outro ou  jogar as coisas, quebrar as coisas, bater nas outras pessoas. Ela vai aprender isso com o tempo. E com certeza isso vai ajudá-la para que não se torne um adulto que extravase sua raiva descontando em outras pessoas por aí.

Agora que já entendemos que isso é natural de certas idades e já temos ferramentas para agir quando isso acontecer vamos observar outro cenário. A agressividade também é uma resposta, uma reação, a algo que esteja desconfortável na vida dessa criança. Às vezes, a criança está respondendo de forma inconsciente a algo que não está bom em casa (pode ser que ele tenha pais que gritem muito, que resolvem as coisas de uma forma mais agressiva), pode ser que o problema esteja na escola ou em outro ambiente muito frequentado pela criança. É importante conversar com o professor, firmar uma parceria. Esse comportamento pode ser um pedido de ajuda, pode ser que a criança esteja enfrentando algo muito desconfortável pra ela e peça dessa forma socorro. Nesses casos avalie a situação, converse com a criança, vá fundo.

Afinal é você o guardião do seu filho!

 


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Os bons hábitos na vida dos filhos

 

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A infância é a fase da vida em que estamos aprendendo de tudo! Vivenciamos os primeiros desafios, as primeiras dificuldades, as lembranças iniciais e registramos boa parte das nossas primeiras memórias.

Uma fase de adaptação a este mundo, de conhecer e nos acostumar com os adultos que nos rodeiam e de lapidar nossas vontades e desejos, que vem com força total e de forma bruta.

Para que, nós, pais, possamos ajudar a organizar tudo isso na vida das crianças devemos, acima de tudo, adotar desde cedo os bons hábitos!

Vamos começar pensando no exemplo de uma criança que está em processo de desfralde ou que regrediu um pouco e voltou a fazer xixi na cama, depois da chegada de um irmãozinho. Nessa fase, um xixi sempre escapa. Isso é certo, como dois e dois são quatro. Nessas horas, temos que manter a calma, mesmo que a cama tenha sido recém trocada e que, do lençol de baixo ao edredon, tudo terá que ir para a máquina de lavar. Lembremos, a criança ainda está em fase de “treinamento”. Quando aprendemos a andar de bicicleta, os tombos não são inevitáveis? Nesse caso, o xixi fora do lugar também é. Dito isso, vamos ao exemplo. Alguns pais, por irritação ou orientação mesmo, acabam dizendo:

– Vamos deixar você molhada mesmo, para que se incomode com isso e perceba o quanto é ruim!

Pense. A criança pode acreditar no que no que você está querendo ensinar. Ela pode até aprender e se acostumar que o melhor mesmo é ela ficar molhada e com cheiro de xixi. O que não é nada bom pra ela. O ideal aqui é fazer exatamente o contrário. Trocar esta criança e ir mostrando que não é legal ficar molhada, que é melhor ficar limpinha e seca.

Outra situação, aquela criança maior que brincou o dia inteiro e que está morrendo de preguiça de tomar banho. Nesse caso, temos que ter força (não física, mas emocional) para convencê-la a ir para o chuveiro e assim aprenda que não é bom dormir suja. Não precisamos ficar falando, apenas devemos agir com firmeza.

Manter a casa organizada, limpa, enfeitada com flores, sempre que possível, também faz com que a criança se adapte a este ambiente e no futuro senta saudades disso.

O hábito de comer na mesa, para que a criança vivencie esta proximidade com os familiares e com a alimentação.

O hábito de dormir sempre no mesmo horário, sem a TV ligada ou com rituais.

Os bons hábitos trarão segurança, organização interna e tranquilidade às nossas crianças.

Na adolescência, é provável que esses hábitos que, a duras penas, implementamos sejam contestados ou deixados de lado. Tudo bem, faz parte! Mas quando começar o processo de autoeducação, lá pelos 15 ou 16 anos, o que se tornou hábito na infância comece a falar baixinho lá dentro e a dar saudade. No futuro, esses hábitos voltarão como prática.

Quando nós, adultos, dissemos:

– Nossa! Preciso ir para praia para descansar!

Provavelmente, isso foi algo que aconteceu de fato na nossa vida, lá na primeira infância, e hoje ressoa forte no coração. Um hábito que pode ter sido instalado lá atrás e que hoje está internalizado, já vive dentro de nós. É assim que funciona. Nós só sentimos falta ou saudades do que já tivemos, do que já vivemos repetidas vezes.

Todos os bons hábitos e os valores que acreditamos e conseguimos manter firmes dentro da nossa casa são bases estruturais para um adulto mais seguro de si.

 


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Alterações Posturais na Infância

Hoje, temos uma convidada muito especial por aqui: A Fisioterapeuta, especializada em cuidados infantis, Fátima Cechinel que, gentilmente nos conta sobre um problema recorrente na vida de muitos pequenos: A Escoliose!

Pediatrician examining little girl with back problems.

Muitos problemas da fase adulta podem ser prevenidos e tratados na infância e na adolescência. Por isso precisamos estar atentos às mudanças corporais das nossas crianças.

As fases da infância e adolescência correspondem àquelas em que os jovens frequentam o ambiente escolar, no qual permanecem longos períodos sentados, normalmente em uma postura inadequada e, na maioria das vezes, em mobiliários inadequados que, somados à tendência de um estilo de vida sedentário adotado na fase escolar, podem também favorecer o surgimento das alterações posturais entre elas a ESCOLIOSE.

A escoliose é a curvatura lateral da coluna vertebral, que pode ser única ou múltipla e fixa (devido à deformidade muscular) ou móvel (devido à contração muscular desigual). Existem várias causas, tipos e classificações, porém, a mais frequente é a Idiopática (de causa desconhecida). As curvas tendem a progredir rapidamente durante o estirão de crescimento.

O tratamento pode ser conservador, incluindo órteses e exercícios ou cirúrgico.

Sabemos que as crianças são incapazes de reconhecer a necessidade de modificarem a postura por isso precisamos da colaboração dessas crianças para sucesso do tratamento.

As alterações posturais que as escolioses provocam podem influenciar a saúde emocional dessas crianças quando atingirem a adolescência ou a fase adulta, as vezes privando de usar alguma roupas que marquem um pouco mais o corpo ou até mesmo de frequentar determinados ambientes.

Um teste simples ajudará a identificar se seu filho tem escoliose

Coloque a criança em pé, de costas para você. Peça para ela juntar os pés e se inclinar para frente, com os braços soltos ao longo do corpo. Observe atentamente a simetria dos dois lados das costas: ambos devem ter a mesma altura, tanto na lombar como na torácica. Se um dos lados for mais alto que o outro, a diferença pode ser indício de uma escoliose em formação.

Não fique com duvidas se seu filho tem ou não. Consulte um fisioterapeuta ou Pediatra.

Fisioterapeuta: Fatima Minucelli Cechinel Martins

Crefito: 86782F


 

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O alarme do despertador toca.

– Vamos lá criançada, acordando! Vamos, sem preguiça…

Um vai pro banheiro, outro se troca lentamente. A mãe e o pai também se arrumam. Café da manhã na mesa, família reunida, um sonho que mal cabe no final de semana.

– Corre! Corre! Arruma esse cabelo, João! Cadê meu tênis! O meu lanche tá pronto? Pega aí um suco de caixinha e um desses bolinhos que a gente comprou ontem no mercado. Puxa, a gente já atrasado de novo… Chama o elevador, Henrique. Vamos, vamos, saindo!

No carro, a correria continua.

Na entrada da escola, também.

O dia que começa e mais parece uma gincana.

A gente corre e força as crianças a correrem também. Esse movimento só intesifica uma característica que já existe nos pequenos: a impaciência.

Mas aprender a esperar faz parte do aprendizado infantil e, para que possamos ajudá-los nesse processo, ensinar a eles ter paciência, temos que observar o nosso estado interno e o nosso ritmo diário.

A primeira coisa é perceber que as crianças têm um ritmo próprio e é um erro querer que elas acompanhem a nossa correria. Se queremos que eles não dêem trabalho para acordar ou que não demorem para comer, por exemplo, temos que assumir a responsabilidade e começar mais cedo! Que tal, meia hora? Acordar mais cedo, preparar a comida um pouco antes, acordá-lo antes também… Pode não ser muito fácil, mas vai valer a pena e economizar muito estresse.

Então, o primeiro passo é nos aquietarmos internamente para que possamos conduzir os nossos filhos com tranquilidade. Como querer crianças pacientes se o que ensinamos é correria e pressa? O mundo externo reflete no mundo interno e o inverso também é verdadeiro.

Outra dica importante para lidar com a impaciência é ensinar que tudo tem a sua hora e que a vez deles também vai chegar. Na hora do almoço, por exemplo, podemos servir os mais velhos primeiro e as crianças logo depois. Esse gesto pode ajudá-las a internalizar o movimento da espera. Levar as crianças para a cozinha também pode ajudar. Ver quanto tempo demora o cozimento de um arroz, que existe um processo demorado para o feijão deixar de ser um grão duro e cru e se tornar saboroso e macio. Tudo é aprendizado!

Presentes fora de hora ou a todo momento também pouco ajudam. Eles ensinam à criança que ela pode ganhar tudo e a qualquer hora. O ideal é manter os presentes em datas importantes como dia do aniversário, Natal.

Paciência anda de mãos dadas com a perseverança. Percebemos que muitas crianças não vão até o final de uma brincadeira ou de alguma atividade proposta, desistem e não, somente, por insegurança, mas por não terem paciência para chegar até o objetivo final. Os brinquedos que envolvem labirinto são sempre bons aliados para ajudar os pequenos a ter paciência para percorrer o caminho.

Respeitar o ritmo interno da criança. Isso é fundamental pra eles e muito bom pra nós também!


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Presença o Melhor Presente

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O Dia das Crianças se aproxima e imagino que as crianças já estejam com a lista pronta do que gostariam de ganhar no dia 12 de outubro: bonecas, jogos, carrinhos, quebra-cabeça, eletrônicos e por aí vai…

Não há dúvidas de que as crianças adoram ganhar brinquedos novos e, é claro, um presente hora ou outra não faz mal para ninguém e não causa nenhum dano emocional mas será que é isto que vai preencher o coração dos nossos filhos? Muitas vezes, mesmo sem perceber, somos engolidos pela correria do dia a dia  por estar no celular ou computador a maior parte do tempo. E, quando nos sentimos em falta com eles às vezes acabamos caindo numa armadilha, escolhemos presentear as crianças com os melhores brinquedos, com passeios em parques caros, com os últimos lançamentos do cinema. Mas existe algo mais simples, mas de uma preciosidade enorme para eles e que não custa dinheiro algum: a nossa presença.

Toda criança necessita da presença ativa dos pais em sua vida. Precisa do envolvimento afetivo, de conversas, de abraços, de olho no olho… A hora do almoço, do jantar, o caminho para a escola, a hora de dormir, as brincadeiras onde todos participam, são momentos inesquecíveis que possibilitam a conversa e o envolvimento caloroso entre pais e filhos.

A vivência desses momentos, permite a construção de memórias que, certamente, ficarão enraizadas para a vida inteira e vão preencher qualquer vazio que possa existir no futuro.

O convite que gostaria de fazer aqui é, para que possamos cuidar da nossa presença como pais, com muito carinho, construindo momentos especiais, repletos de alegria e calor, todos os dias mesmo que com pouco tempo que temos. Uma boa oportunidade é começar nesse dia 12 de outubro. Faça uma proposta para seu filho, ao invés de um presente, proponha que façam juntos alguma coisa. Vale um passeio no parque, um café da manhã na cama, andar a cavalo, montar quebra-cabeça, brincar de salão de beleza, subir numa árvore. Construindo memórias que servirão de base para o seu desenvolvimento.

É a disponibilidade da nossa presença diária que vai estruturar e preencher, em todos os sentidos a vida de nossos pequenos.

Sentir a magia desse encontro feito de coração para coração, é o presente mais valioso.

Pesquisando, descobri algo bem interessante. O Dia das Crianças foi criado na década de 1920 por um deputado federal, mas a data não pegou, até que 40 anos depois duas grandes empresas decidiram aproveitar o dia para impulsionar as vendas de produtos para crianças, aí sim deu certíssimo, para eles!

Que tal fazer diferente dessa vez e ser o próprio presente do filho nesse dia!


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Coragem para Educar

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Feche os olhos e imagine uma imagem.

Um anjo valente, com grandes asas, e com uma espada nas mãos duelando com um temível ser de pele cascuda esverdeada, com grandes garras e soltando fogo pela boca. Essa é a imagem que vem muito forte nessa semana em que se inicia a época de Micael. Em 29 de setembro, comemoramos o dia de São Micael, uma data muito especial para a Antroposofia. Devemos nos espelhar nessa imagem, de Micael dominando o dragão, e ter força e coragem para dominar nossos próprios dragões externos e internos.

É uma época em que devemos resgatar o nosso impulso da coragem, encontrar a força que precisamos para enfrentar medos e desafios. Diante disso, fiquei pensando como é fundamental que nós pais busquemos força para seguir no caminho que achamos correto na educação dos nossos filhos.

As influências vindas de fora são tantas que, precisamos resgatar nossas forças internas para conseguir manter firme nossas convicções.

Uma vez eu atendi uma mãe muito angustiada. Ela tinha um filho de dois anos e meio e me disse: “Eu sei, eu tenho clareza de que não posso dar um tablet para o meu filho, ele é muito pequeno, mas todas as minhas amigas dizem que é um absurdo, que ele vai ficar fora do mundo…”. No fundo, ela sabia o que deveria fazer, mas com tantos palpites faltava-lhe coragem pra seguir as próprias certezas.

Temos que ter coragem para não acelerar a infância e respeitar o tempo das crianças, sem antecipar, nem pular fases. Entender que a infância leva tempo e se já entendemos isso, acalmar o coração de quem nos rodeia e ainda não percebeu essa verdade.

Ter coragem para sermos firmes com os “nãos” mesmo vendo aquela carinha da criança ou do adolescente insistindo no contrário.

Aqui vai uma reflexão bem pertinente. Nós como pais e, principalmente, mães, temos nos afastado do nosso instinto, da nossa intuição. Claro que, para famílias de primeira viagem, ler livros, se informar sobre o que virá pela frente é sempre muito rico, mas é bom ter em mente que muito já está dentro de nós, basta que acessemos e tenhamos coragem para colocar em prática.

A palavra coragem significa agir com o coração. Por isso um bom exercício nessa semana é ouvir o que temos construído dentro do nosso coração, ter certeza daquilo que acreditamos como verdade para que possamos conduzir os nossos filhos com segurança e assim perpetuar o simbolismo de Micael dentro de nós.


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Amor e Afeto fortalecem as Crianças

 

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Estamos na semana da Primavera, as sementes que plantamos e regamos com cuidado e afeto começam a brotar nesta estação. Refletindo um pouco sobre isso, achei interessante falar da importância de todos esses cuidados na vida dos pequenos que muitas vezes podem nos passar desapercebidos, mas que faz toda a diferença em toda a sua vida.

A criança que se sente amada, cuidada e valorizada, que recebe limites bem definidos, se torna mais forte para lidar com as dificuldades e frustrações. É como se cada vez que acolhemos nossos filhos num momento de tristeza, que ajudamos os pequenos a enfrentar determinada situação, cada vez que estamos do lado deles encorajando-os, estamos colocando uma pedra preciosa dentro de um baú de tesouro de cada um. Estamos criando uma espécie de capital emocional da criança, um lastro de carinho e proteção. Quando ela precisar, sabe que lá irá encontrar. Isso possibilita que a criança cresça fortalecida, vá aprendendo a cuidar e respeitar o que é dela e entender o que é do outro, desenvolve a empatia e a benevolência em relação ao outro. Se torna uma criança com autoconfiança e autoestima saudáveis.

         Ajudar nossos filhos nesse caminho é presenteá-los. Futuramente, eles terão mais ferramentas emocionais para lidar com os grandes desafios da vida.

Mas os reflexos já aparecem agora, ainda durante a infância, na forma como lidam com as perdas, nos relacionamentos com os amigos e colegas, nos medos, nas conquistas… Quando a criança sente que conquistou a coragem ao passar por uma determinada dificuldade, ela adquire uma força interior que a permite atuar no mundo de forma mais segura, além de confiar no mundo que está ao seu redor.

         Acredito que como pais, todos nós fazemos o possível para ajudar nossos filhos nesse caminho, mesmo assim aqui vão alguns lembretes.

  • Mesmo que seja um tempo curto, dedique-se por inteiro ao seu filho durante esse período. Olhe nos olhos, esteja, de fato, presente e conectado a ele, principalmente durante as brincadeiras. O brincar na infância é algo fundamental (como já vimos nos textos anteriores), é a forma como a criança explora o mundo e se relaciona com as pessoas. Sente-se no chão, faça momentos de “lambança” e pura diversão, eles adoram! Permita-se ter este contato com seu filho. Quando você brinca com ele e dá atenção a isto, você entra no mundo dele e faz com que a criança se sinta muito importante pra você.
  • Leve-o também para o seu mundo! Peça sua ajuda dentro das possibilidades da criança. Fazer um bolo, um doce, secar a louça, lavar o quintal ou o carro, consertar um brinquedo…
  • Não subestime seus sentimentos, ouça e acolha! Não faça pouco caso de uma situação, não pense que a criança está dando muita importância a algo pequeno, pode ser pequeno para os pais enquanto adultos, mas para ele não é. Mostre a ele que são sentimentos e emoções que você também já teve e que ele não está sozinho. Assim você mostra o quanto ele pode confiar em você e se sentir seguro. Ele saberá que pode contar com alguém nos momentos difíceis.
  • Pergunte ao seu filho como foi o seu dia e conte também momentos do seu. Dessa forma ele pode se expressar livremente e aprender a ouvir.
  • Cuidado com as reações quando seu filho contar algo que você não goste. Algo que ele tenha feito e que você não considera correto. A criança está aprendendo a lidar com o mundo e cabe aos pais ensinar e colocar os limites, porém cuidado com a forma como chama a atenção, autoritarismo e agressividade não combinam com confiança.

 

Detalhes essenciais que são como sementes que, quando plantadas e regadas com carinho, limites e cuidados florescem e temos frutos maravilhosos!

 


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Quando Procurar Psicoterapia para meu filho?

 

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A menininha de cinco anos chega ao consultório orgulhosa falando sobre sua conquista em se apresentar na ginástica artística, conta o que aconteceu nos últimos dias, escolhe um jogo e começa a brincar. Essa escolha nunca é aleatória. Ela sempre vai preferir um jogo que tenha relação com a queixa que traz. Os pequenos, assim como nós adultos, têm um “eu” curador que sabe o que é melhor pra eles. É como se na hora de escolher um jogo a criança ouvisse uma vozinha interna e a seguisse sem questionar. E é na brincadeira que muitas questões aparecem.

Depois da brincadeira, vem uma história e logo em seguida é hora pintar. Dessa e de outras formas lúdicas, conseguimos ouvir o que vive na criança, sem que ela precise contar em palavras.

Aí vem a pergunta: será que é hora de procurar uma terapia para meu filho? Será que essas reações estão mesmo de acordo, faço vista grossa ou preciso ter um olhar mais atento. É difícil mesmo distinguir entre os comportamentos que fazem parte da faixa etária e os que estão inadequados.

Além das palavras, é importante que os pais prestem atenção nas atitudes e comportamentos de seus filhos, eles são indicadores de que algo possa estar acontecendo.

Lembrando que existem fases em que naturalmente as crianças ficam mais difíceis, testam mais, podem sentir mais medo ou decidem contestar tudo (entre os dois e três anos, aos seis, aos nove anos de idade que detalharei nos próximos textos). Essas reações são normais e vão surgir em maior ou menor intensidade, dependendo de cada criança.

O que vale ficar atento são características que fogem um pouco do que é considerado padrão:

  • Agressividade incomum ou muito choro. Uma criança super tranquila e que, de repente, começa a bater nos amigos ou outra criança que tem um comportamento explosivo como regra para suas relações e que briga toda semana com os colegas da escola.
  • Tristeza ou falta de interesse no que está acontecendo ao redor.
  • Baixa autoestima. Uma criança que não se vê capaz de fazer alguma coisa, de subir em algum lugar, de fazer a lição. Não confia em si mesma.
  • Medos irracionais e extremos tão fortes que impedem a criança de agir. Por exemplo, uma criança lá pelos seus 8 anos com medo absurdo de ficar sozinha no quarto; que tenha medo de ser abandonada, fica vigiando os pais o tempo todo para que não se afastem; que no mercado fique grudada com medo de se perder. Aqui vale lembrar que perto dos seis anos e, às vezes, aos nove também, a criança sente mais medo, medo de ficar só, de bruxas. Isso deve ser levado em conta e, em todos os casos, a criança deve ser acolhida e nunca forçada a vencer o medo a todo custo.
  • Problemas de concentração.
  • Timidez ou introspecção que atrapalham no seu desenvolvimento social.
  • Regressão ou comportamentos imaturos. É sabido que quando um bebezinho está a caminho, o irmão mais velho pode regredir um pouco em seu comportamento, voltar a fazer xixi na cama é um exemplo clássico. Mas não se trata de situações assim. Os casos que precisam ser investigados são diferentes, como por exemplo crianças de 10 anos que ainda fazem xixi na cama ou meninos e meninas com seis ou sete anos com comportamento e características equivalentes a uma criança de dois ou três anos, como fala ou desenvolvimento motor.

            Em momentos de crises, os pais devem ajudar seus filhos, mostrar a eles que não estão sozinhos. Para isso, é importante escutar sem interrupções a fala da criança, deixar que conte tudo o que sente em relação àquilo que estão vivendo, explicar que não deve ter vergonha de determinados sentimentos, como o medo, por exemplo. E acima de tudo não julgar o pequeno. Estas características, entre outras, podem aparecer em qualquer criança e serem normais. O importante é não tirar conclusões precipitadas, mas sim observar se persistem e por quanto tempo.

            Em muitos casos a ajuda de um profissional se faz mesmo necessária. O Psicólogo Infantil é a pessoa que vai proporcionar à criança um ambiente de confiança, caloroso e acolhedor para que ela possa se sentir à vontade para identificar seus sentimentos, preocupações e problemas que estão ocasionando determinados tipos de comportamentos ou sensações.

Isso pode ser feito de diversas maneiras, dependendo da linha terapêutica que o Psicólogo seguir. Tudo isso respeitando cada fase da criança, compreendendo que algumas vezes melhorar não é fácil, leva um certo tempo (embora muitas crianças sejam mais flexíveis a estas mudanças) e requer o envolvimento de todos que estão a sua volta, principalmente, família e escola.

            Com a criança nós sempre damos um passo pra trás e vemos o todo. Ela pode estar espelhando, refletindo coisas que fazem parte da vida dela em casa, com amigos, com os colegas. Às vezes, os pais estão passando por uma fase de muita briga, a um passo de uma separação, mas nunca disseram isso abertamente para a criança. Não importa, a criança sente e acaba tendo alguns comportamentos que refletem esse desacordo, essa desarmonia que ela está vivendo em casa.

O essencial de tudo isso é acolher e respeitar o momento ou a dificuldade desta criança e desta família. Respeitar que esta criança não é um adulto em miniatura e, sim um ser em desenvolvimento e na fase mais importante de toda a sua vida!