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Cada vez mais, temos visto novos formatos de família com a separação dos pais. A separação não é fácil para os adultos, então imagina para uma criança. Tenho acompanhado alguns casos no consultório. Os pais que seguem, mesmo separados, numa mesma direção, que têm coerência e que respeitam alguns passos, têm tido sucesso nesta situação.   Normalmente, a separação descortina uma relação que já não estava satisfatória. Pode ser um rompimento conturbado, com feridas que levam tempo para cicatrizar.   Mas o tempo passa, a poeira baixa. Um novo espaço para o amor surge. Os pais com todo carinho e cuidado se perguntam: como devo apresentar essa nova pessoa ao meu filho (a) e como conduzir esta situação?   O primeiro passo é respeitar o TEMPO. A criança precisa se acostumar com a separação dos pais para depois entender um namorado ou namorada nessa história.   Por outro lado, os pais precisam perceber a MATURIDADE da relação. Só devem apresentar essa nova pessoa quando sentirem que esta relação está sólida e que segue na direção de um relacionamento mais firme. O foco é sempre proteger a criança para que ela não vivencie separações desnecessárias.   Quando você apresenta uma pessoa para a criança, ela vai desenvolver um vínculo afetivo. Uma nova separação em pouco tempo, poderá gerar na criança uma insegurança nas relações. Essa menina ou menino pode começar a ter cautela para se vincular a alguém.   Nessa jornada, os pais precisam também CONVERSARentre si. É claro que a separação sempre deixa mágoas, mas nesse caso é importante olhar para a criança. Se é o pai que pensa em traz uma nova pessoa, ele bom que ele diga à mãe: – Tô namorando e tô pensando em apresentá-la para nossa filha. Se você puder conversar com ela também seria muito importante.   Foi assim que aconteceu com uma das famílias que atendo. Os pais conseguiram construir esse caminho juntos. A mãe tinha mágoas, mas nesse momento ela conseguiu pensar na filha e ajudá-la a viver esse processo.   Então vamos lá. Os pais aguardaram um tempo, o pai ou a mãe percebeu que a nova relação tinha futuro, conversaram entre si. Chegou realmente a HORA DE APRESENTAR para a criança.   Minha sugestão, é que o primeiro encontro seja algo rápido: um passeio no parque ou um almoço. Se a criança for muito pequena, pode-se dizer que é um amigo ou uma amiga do pai ou da mãe. Se for uma criança mais velha, cabe falar a verdade. Com o tempo, a criança vai perceber que o pai ou a mãe gosta realmente dessa pessoa, que confia nela, a criança também vai confiar e amar.

É fundamental ressaltar que ninguém vai substituir o lugar de pai e mãe dentro do coração da criança. Mas é importante que todos tenham a clareza de que essa nova pessoa também terá o seu lugarzinho nesse coração.

Tudo bem! É assim que deve ser. Um adulto amado é um adulto que a criança segue como referência.


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É muito provável que você já tenha lido sobre a importância da natureza na vida das crianças. Alguns pediatras estão até “prescrevendo” esse contato com o verde para os pequenos para rebater os males da vida moderna. Realmente, muitos benefícios teremos se seguirmos estas orientações.

E será que para os adolescentes esse contato também faz diferença?

Claro que sim.

As grandes cidades engolem a natureza sem cerimônia. Os edifícios altos bloqueiam nossa vista, não conseguimos mais olhar para o horizonte. A poluição dificulta que contemplemos um céu estrelado. Vivemos cercados por um mundo de empresas em prédios espelhados.

Pois bem, crianças e também adolescentes precisam urgentemente se reconectar com a natureza para que tenham um desenvolvimento físico e emocional saudáveis.

Hoje, quero sugerir algo especialmente para os adolescente. Eles caminham para uma nova fase. Estão prestes a enfrentar os desafios da nova etapa e precisão estar em contato com o Belo para vivenciar os diversos sentimentos que estão por vir.

De acordo com a Antroposofia, dos 7 aos 14 anos, a vida deve ser bela. A criança e o adolescente dessa faixa etária precisam da beleza na sua formação, até o estudo das ciências exatas, como matemática, deveria ser feito de forma artística.

Então, que tal percorrer uma trilha no meio do mato?

Nós aqui em casa adoramos, principalmente quando essa trilha nos leva às alturas…

A trilha nos proporciona caminhar por lugares que não conhecemos, o desconhecido está à frente. Ela possui níveis de dificuldades, encontramos desafios pelo caminho. Dependendo da dificuldade da trilha, achamos que não vamos conseguir enfrentar. Escalamos pedras, pedimos auxílio para quem está ao nosso lado, sentimos medo, percebemos adrenalina no corpo…

Carregamos conosco apenas o necessário e isso basta. Perceber isso é um grande presente.

É possível percebem a força que esta vivência traz para o adolescente, que também anda por um lugar desconhecido. Nessa fase, ele está deixando a infância e caminha para a vida adulta.

No caminho, temos a oportunidade de parar para descansar, olhar e pensar como vamos fazer para prosseguir. Viver um momento de respiro o contato com a gente mesmo.

Andamos, andamos… Andamos com o objetivo de chegar a algum lugar e andamos também para desfrutar do caminho. Caminhar nos ajuda a organizar as ideias. Não é à toa que dizemos: “preciso espairecer, vou dar uma volta para organizar as ideias.” Realmente a caminhada nos proporciona isso.

Depois de tantas dificuldades, desafios, cansaço chegamos ao nosso destino. Conquistamos o nosso objetivo. Geralmente é um lugar deslumbrante!

Uma vista incrível que reforça a importância de termos feito todo o caminho todo para chegar e desfrutar de tudo isso. A sensação da conquista toma conta de todo o ser, aquele lugar ganha um valor especial para todos.

Claro que essa experiência também pode ser vivida pelas crianças menores. Os pequenos terão de se encher de coragem para os desafios.

Uma trilha no mato é uma metáfora para a vida. Gostaria realmente que você sentisse o que ela pode trazer para o seu dia a dia!


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Regando a semente da coragem na vida das crianças

Estamos na época de MICAEL.

No dia 29 de setembro, última sexta-feira, comemoramos o dia Micael e a época do Arcanjo se perpetua pelas próximas quatro semanas. A data é muito especial para a ANTROPOSOFIA.

Aqui no consultório, as crianças fizeram uma busca no quintal a procura de pedras consideradas “preciosas”. As chamadas PEDRAS DA CORAGEM. As crianças guardaram essas pedrinhas com todo carinho. Elas sabem que quem as encontra, conquista força e coragem para enfrentar seus medos.

Para nós, adultos, vale refletir sobre a imagem de Micael dominando o DRAGÃO. Inspirados por essa imagem, devemos buscar força e coragem para dominar nossos próprios dragões externos e internos.

Lembro bem que, no ano passado, eu escrevi um texto que fala sobre a Coragem no processo de Educação (http://falandodainfancia.com.br/2016/09/29/coragem-para-educar/). Este ano, gostaria de compartilhar a questão da coragem por um outro viés, como podemos plantar essa semente da coragem nas crianças e cuidar dela todos os dias.

Quando são ainda muito pequenos, cuidamos e protegemos nossos filhos. Evitamos muito barulho, lugares movimentados demais, garantirmos um ambiente seguro e saudável. Quando estão crescendo, acompanhamos no processo do ANDAR, proporcionamos o livre movimento e deixamos a criança ficar em pé pelo próprio mérito dela.

Só que a criança vai ficando mais ousada e busca mais espaço para si. É nesse ponto que eu quero chegar. Tenho observado que muitos adultos acabam, mesmo sem querer, colocando MEDO nas crianças. Isso acontece com muita frequência quando a criança se afasta um pouco. O adulto rapidamente diz:

– Não vai aí que tem um mostro.

– Cuidado! Ali mora um homem muito mau.

– Se comporta! Esse médico tem injeção pra quem não obedece.

A lista de frases é longa. No fundo, o adulto busca evitar que a criança fique em perigo. A intenção pode ser boa, mas o resultado da ação é desastroso. NUNCA se deve colocar medo nas crianças. Quando os pais, avós, tios, cuidadores agem dessa forma, acabam reagindo pelo seu próprio medo.

O adulto pensa que vai afastar a criança da situação o que, de fato, acaba acontecendo. No entanto, a criança que é corajosa, que é pura e destemida, pode ter esses impulsos naturais enfraquecidos.

Paralelo a isso, podemos causar ainda mais confusão na cabecinha da criança. Veja essa situação: de um lado, dissemos para que a criança que não vá para determinado lugar porque há um desconhecido que pode fazer mal a ela; por outro lado, quase a obrigamos a cumprimentar alguém que ela não conhece ou brincar com uma criança que ainda não faz parte do seu grupo de amiguinhos dela. É óbvio que essa criança ficará confusa e, muitas vezes, com medo.

O que devemos fazer é AGIR COM VERDADE com a criança. NÃO INVENTAR HISTÓRIAS para causar medo nelas. Sugiro também que olhemos para nós mesmos e tentemos identificar como anda o nosso impulso da coragem.

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discutindo

“Me lembro perfeitamente das brigas constantes dos meus pais, isso ecoa dentro de mim até hoje. Era uma sensação muito ruim…”
Essa fala é de um amigo querido que hoje tem um pouco mais de 40 anos.
É interessante perceber que o sentimento dele, quando criança, ainda está presente, 30 anos depois.
Digo isso, para introduzir o tema que quero compartilhar com você hoje: a criança que vive num ambiente de brigas e desentendimentos constantes.
É fato. Os casais discordam, cada um tem seu ponto de vista. Às vezes, o volume da conversa aumenta e ocorrem desentendimentos. Até aí, tudo perfeitamente normal.

Vamos fazer uma rápida reflexão

Duas pessoas se unem. Cada uma fez um caminho para chegar a fase adulta. Esse repertório foi construído ao longo dos anos com os hábitos, aspectos culturais, educação, acolhimento que cada uma recebeu. Agora, elas precisam acomodar tudo isso em um único ambiente. Eles têm um filho e estão juntos na missão de conduzir esse ser. Certamente haverá discordância em alguns pontos. Quando o casal tem clareza dessas diferenças, a conversa parte de um outro patamar. Olhar para essas questões com carinho, nos ajuda a entender e fortalecer o diálogo entre o casal.

Agora quando os dois vivem em pé de guerra, é preciso acender o botão de alerta. Esse clima pode gerar uma tensão na criança.

Ambientes de briga criam uma atmosfera caótica

Esses ambientes deixam as crianças confusas em seus pensamentos. Muitas vezes, elas acham que a culpa pelas brigas é delas.

Essas situações geram insegurança também. A criança nunca sabe até quando as coisas ficarão bem, quando terá início uma nova “guerra”. É como se ela estivesse, o tempo todo, pisando em ovos.
Um outro aspecto é o fato de os filhos se sentirem responsáveis por gerar paz no ambiente, de ajudarem os pais a voltarem para o prumo no meio de uma discussão. Quando elas não conseguem, a frustração é grande. Elas se sentem incapazes.
O reflexo desse ambiente pode aparecer na escola, com comportamentos agressivos, prejudicando o convívio social. Pode ainda reverberar na vida adulta, desenvolvendo comportamentos que, conscientemente, a pessoa não sabe de onde vêm.
Esse ambiente também manda uma mensagem nada boa para as crianças. Elas passam a entender que está na briga e não no diálogo o caminho para a resolução de conflitos.
É claro, que cada situação merece ser olhada individualmente.

Mas o mais importante é refletir sobre a atmosfera que estamos envolvendo nossa família e nossas crianças. E se tiver que mudar algo, essa é a hora de começar!

 


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A criança tem maturidade para fazer escolhas?

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Dia desses estava vendo TV e me deparei com uma situação que parecia uma brincadeira mas, na verdade, era bem perigosa e envolvia uma criança. Tratava-se de um desafio. É fácil encontrá-los na internet, basta fazer uma busca no Youtube. No programa que assitia, o desafio era espirrar desodorante aerosol na perna até que o produto chegasse ao final e consequentemente queimasse a pele da pessoa.

O primeiro a fazer isso foi o pai. Ele descarregou o desodorante na própria perna e depois fez o mesmo na perna do filho. O vídeo mostrava pai e filho se queixando de dor.

O que podemos aprender com isso, além de não fazer o mesmo?

Temos que ter clareza de que a criança não tem maturidade para fazer escolhas.

Às vezes, as crianças são muito insistentes e imploram para que nós as autorizemos a fazer o que elas querem. Como, por exemplo, participar de um desafio como esse. A nossa função, como pais, é ponderar e negar quando preciso for, de forma firme. A questão da maturidade é fisiológica. Até perto dos 21 anos, o jovem não tem todas as estruturas cerebrais formadas e, por conta disso, não tem maturidade suficiente para fazer certas escolhas. Somos nós, os pais, que temos que estar por perto para auxiliá-lo.

Vamos observar isso sob a ótica da Antroposofia.

O impulso da vontade, numa criança, vem de forma bruta e com muitas arestas. O germe da vontade em um bebê já está presente no seu nascimento. Aos 2 anos e meio ou 3 anos, essa vontade reaparece com muita potência. Não é à toa que, nessa época, começam a surgir comportamentos mais desafiadores.

As crianças menores não têm noção do que é perigoso ou não. Nós, adultos, temos que estar ao seu lado para colocar os NÃOS na hora certa. Essas negativas atuam como um contorno para a criança. Não um contorno físico, mas emocional, muito importante para o desenvolvimento dela. É assim que os pequenos vão ganhando limites.  Esse trabalho de lapidação de arestas é nosso. E, pra isso, precisamos ser firmes, precisamos de coragem.

A criança vai crescendo e precisa ganhar uma certa autonomia dentro do que é adequado para a idade. Aos 8 ou 9 anos, é tempo de começar um pequeno treinamento com ela. Podemos começar a perguntar qual a opinião da criança em relação a determinado assunto e tomar uma decisão em conjunto. Aos 15 anos, chega a época da autoeducação. O adolescente segue um pouco mais livre. Não estamos ao lado, o tempo todo guiando. Mas ele sabe que estamos por perto.

Os pais precisam entender que são guardiões da criança. Avaliar algumas situações e negar quando for preciso. O importante é fazer isso com sabedoria. As crianças pedem desde brinquedos a um canal no Youtube. Quem precisa avaliar o risco de cada pedido são os pais. Consciência e responsabilidade os filhos só terão mesmo mais adiante, quando todas as estrutura cerebrais estiverem amadurecidas.

Enquanto isso, arregassemos as mangas. É preciso olhar para o nosso núcleo familiar, para os nossos valores, para o que acreditamos. São esses valores que irão fortalecer a criança e ajudá-la em seu desenvolvimento.


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O papel dos avós na vida de nossos filhos!

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Qual sua lembrança mais carinhosa dos seus avós?

Um passeio na pracinha, o aroma de um bolo recém feito, um colo bem gostoso…

Os avós constroem com os netos uma linda relação, proporcionando aos pequenos lembranças e vivências cheias de amor, afeto e ternura.

Quem nunca ouviu falar: “na casa da vovó pode tudo!”

Essa frase deixa muitos pais de cabelos em pé.

É muito importante entendermos que existem avós que veem seus netos com pouca frequência (só aos finais de semana ou a cada um ou dois meses) e aqueles que cuidam todos os dias para que os pais possam trabalhar. Essa última situação é bastante frequente hoje em dia.

Falando da primeira situação. Esses avós conseguem livremente exercer o seu papel. Podem encher as crianças de mimos, atender todas (ou quase todas) vontades da criança. Tudo bem, é só de vez em quando mesmo. Essa oportunidade de convivência é importantíssima na vida dos pequenos.

Já a segunda situação, exige um pouco mais de traquejo. Nesse caso, os avós precisam manter uma certa rotina com a criança (hora do banho, do almoço, da lição, da brincadeira) e o na casa dessa vovó ou desse vovô não pode tudo o tempo todo.

Esses avós precisam equilibrar a necessidade de rotina, precisam definir limites no dia-a-dia, sem perder a doçura de serem avós. Uma tarefa que tende ser um pouco difícil.

Eles precisarão abrir um espaço dentro dessa relação (avô + neto) e entender que o ritmo e os limites também são presentes que darão aos netos. Pois, esses avós ajudarão, diariamente, os pais na tarefa de educar a criança.

O caminho para construir essa relação é muito diálogo, compreensão e flexibilidades por parte dos pais e dos avós. Dessa forma, tudo pode fluir bem.

E nunca esquecer que a leveza e os momentos lindos que os avós proporcionam para a criança também fazem parte do desenvolvimento da criança e preenchem o seu coraçãozinho com calor!

Por isso, se puder, corra pra bem pertinho do avô ou da avó de seus filhos.

Dê a eles, um abraço bem forte e os agradeça.

Feliz Dia dos Avós!


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Recentemente passei por uma situação muito difícil, a perda de uma pessoal muito querida e que fez parte da minha infância. Me deparei com o fato de ter que falar sobre esse tema tão delicado com as crianças. E fiquei pensando, como apresentar esse assunto para os nossos filhos de forma amorosa, mas que também eles entendam que isso é uma realidade.
Achei importante escrever sobre esse assunto tão delicado. Refleti em como podemos ajudar nossas crianças a passar por este momento de perda de um pessoa muito amada. Aqui também cabe estender essa compreensão para a perda de um animalzinho de estimação.
A primeira questão que devemos pensar é como nós, os adultos, recebemos o LUTO. Na nossa cultura, é muito difícil de lidar com a morte e muitas vezes nem queremos tocar no assunto. Em outros lugares, outras culturas, as pessoas lidam com mais naturalidade e leveza.

Ao olharmos em nossa volta e observarmos a natureza, conseguimos enxergar esse processo do nascer, viver e morrer várias vezes. Na floresta, isso acontece de forma cíclica e sem pausa. As folhas, por exemplo, crescem, secam e caem (morrem). O tempo todo.

Quando a morte chega realmente perto, o ideal é sempre falar a verdade para a criança com muito amor e carinho. Dizer que a avó ou o avô (que faleceram) viajou, por exemplo, pode causar sentimentos e pensamentos confusos. Pode até gerar um sentimento de abandono na criança. Ela pode pensar que a pessoa a deixou intencionalmente.

Mas também é preciso atentar ao fato de falar a verdade. Que verdade é essa e de que forma trazê-la à tona. Mortes trágicas e que envolvam muito sofrimento não precisam ser esmiuçadas para as crianças. É sempre bom responder às perguntas que a criança fizer. E não aumentar o assunto. A medida dessa conversa é dada pela própria criança, quando ela achar que a resposta está suficientemente boa, ela pára de perguntar.

A religiosidade nesse momento é muito importante e ajudará a criança a compreender melhor a situação. Cada família tem um repertório próprio nesse caso.
Quando a criança vive uma situação de luto, alguns comportamentos podem aparecer pois fazem parte do processo como a agressividade, a tristeza, ela pode ter pesadelos durante o sono. Nessas horas, o que temos que fazer é acolhê-la, dar colo, falar com ela e estar disponível a responder para todas as perguntas que virão. Isso ajuda nesse processo tão doloroso.
O ritual de despedida também é muito importante. Aqui vale lembrar que o velórios são um ritual para adultos e não para as crianças. Não devemos forçá-las a participar. Porém se quiser ir, não há objeções. O que podemos fazer para ajudar é criar um ritual especial para os pequenos.
Escrever uma carta ou fazer um desenho, depois colocar o material dentro de um balão com gás hélio e deixar que voe até o céu pode ser um ritual.
Plantar uma árvore ou escolher uma para que seja uma ligação entre a criança e a pessoa que se foi também pode ser um ritual. Nesse caso, não necessariamente um ritual de despedida. Na história da Cinderela dos Irmãos Grimm, por exemplo, uma árvore surge e é lá que Cinderela vai buscar o amparo e a força da mãe que morreu para enfrentar as dificuldades.
A morte não é fácil, mas faz parte da vida e por isso precisa ser vivida. Sempre com amor e muito cuidado, isso vale para crianças e adultos também.

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Sabe aquele momento caloroso antes de dormir? Em que fazemos um ritual:  uma de conversa, um verso ou uma oração. E que os nossos filhos sempre pedem: conta uma história…

Não é à toa que isso acontece.

As histórias habitam o universo infantil. Os contos de fadas, as fábulas são momentos mágicos para as crianças.
Costumo dizer que são como antídotos para as mais diversas situações. Os contos cochicham bem baixinho nos corações das crianças mensagens sobre medos, respeito, coragem, força, tristeza, raiva e muitas vezes têm efeito terapêutico. Até nós, os adultos, refletimos quando ouvimos uma história ou uma metáfora.
Por isso, gostaria de compartilhar com vocês algumas dicas para que esse momento seja ainda mais especial e proveitoso.

• PRESENÇA
É muito importante que estejamos entregue à criança nesta hora, olhando em seus olhos. Por isso, se possível, tente decorar a história (a palavra DECORAR vem COR, que significa coração) assim quando decoramos algo estamos lembrando com o coração.

• ELETRÔNICOS NÃO
Sei que hoje temos a praticidade dos DVD’s e de plataformas de vídeo que trazem as histórias prontas. E é só colocar a criança na frente da tela. O que acontece nessas situações é que a criança recebe a imagem pronta e, com isso, interrompemos sua criatividade e imaginação. Quando contamos a histórias com poucos recursos visuais, poucas imagens, damos a ela a possibilidade de imaginar tudo, o rosto dos personagens, o cenário… Dessa forma, a criatividade da criança atua o tempo todo.

• NÃO AMENIZAR A HISTÓRIA
É importante contar as histórias como elas realmente são. Por exemplo: o Lobo Mau da Chapeuzinho Vermelho é realmente mau, ele comeu a vovozinha, lembra? Não precisamos mudar a história dizendo que ele é bonzinho. A criança carregara aquela mensagem para dentro de si e fará inconscientemente a interpretação necessária. Nessa história, o lenhador chega a tempo. Abre a barriga do lobo e salva a vovó e a Chapeuzinho.

• CUIDAR COM A ENTONAÇÃO
A entonação deve ser quase a mesma do começo ao fim, com levíssimas alterações no tom de voz. Dessa forma, a criança não leva sustos. Se colocarmos o Lobo Mau com muita força, com risadas altas, a criança não terá espaço para interpretar do jeito dela. O ideal é que a criança faça a interpretação da histórias com os recursos do seu próprio repertório.

• OBJETOS
Podemos enriquecer este momento com objetos que façam parte da história, uma coroa dourada, por exemplo, ou um instrumento musical. Se for produzido pela pela criança ficará ainda mais rico.

Bom, o mais importante é que como pais possamos criar este hábito, as crianças ganharam muito com isso.

A propósito que tal relembrar da nossa criança?
Qual o conto de fada que você mais gostava quando era criança?
Sente-se em um lugar bem especial e silencioso e tente contar essa história a você mesmo.
Dê esse presente para sua criança interior, tenho certeza que ela irá gostar!


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Roer as unhas aparece com frequência no universo dos pequenos.

Geralmente é por volta dos 3 ou 4 anos de idade que este hábito se inicia. Nessa idade, a criança começa a se colocar um pouco mais no mundo e uma relação de troca com o externo começa a surgir. Alguns desafios aparecem, como por exemplo, lidar com os “nãos” ou lidar com o fato de não conseguir fazer algumas coisas. Certas crianças podem receber isso de forma mais intensa, sentindo uma pressão do mundo sobre elas. Nessa hora, descobrem que roer as unhas as deixam mais aliviadas. Elas repetem esse comportamento, tornando isso um hábito.

No entanto, outras crianças podem adquirir este hábito um pouco mais tarde. Nesses casos, também é importante ter esse olhar, tentar identificar se existe uma pressão externa  sobre elas. Pode ser que essa criança esteja passando por uma situação nova em algum âmbito (escolar, familiar, social), pode ser que esteja mais ansiosa e com dificuldades para acomodar tudo isso. É fundamental olhar para a agenda diária desta criança, será que ela não está com atividades em excesso?

Enfim, temos que ter em nossos corações a clareza de que a criança está em intenso processo de aprendizagem, que ela está aprendendo a lidar com uma série de situações e que algumas delas são um pouco mais difíceis para se adaptar.

Com o passar do tempo este hábito pode passar, porque a criança começa a aprender a lidar melhor com tudo isso. Porém, o que fazer até que passe ou, caso não passe, como devemos agir?

Ao ver os filhos com a mão na boca o tempo todo, muitos pais acabam utilizando alguns artifícios: passar esmalte com sabor ruim, pimenta, ficar pedindo o tempo todo para que  tirem a mão da boca, dar broncas…

Pois bem, isso não funciona muito bem. Muitas vezes acabamos por acentuar este comportamento, principalmente quando repetimos para que tire a mão da boca. Quando fazemos isso à exaustão, o foco acaba sendo o contrário, o que a criança entende é “coloque a mão na boca”!

Pensando em tudo isso, o primeiro passo é tranquilizar esta criança. Dizer que algumas coisas são difíceis mesmo (seja na escola ou em alguma situação que você identifique que esteja acontecendo), mas que ela sempre pode contar com seu apoio, que você estará ao lado dela ajudando. Reforce também o quanto ela é esforçada e que vão tentar juntos!

Depois, no momento em que ela estiver com a mão na boca, pegue a mão dela com muito carinho e aqueça junto às suas, e diga:

– Está tudo bem, fique tranquila!

Apenas isso, sem muitas explicações.

Outra alternativa bem eficaz, é colocar as mãozinhas para trabalhar. Podemos convidar a criança para que monte um brinquedo, para que brinque com massinhas, podemos levá-la para a cozinha para que ajude a catar o feijão ou sove a massa de pão, um crochê de dedos também é uma ótima alternativa (caso isso faça parte do repertório da criança).

Enfim, trazer recursos que propiciem tranquilidade e o alívio, mostrando a criança outras alternativas a não ser colocar a mão na boca e roer a unha.

Vale lembrar que tudo isso é um processo e que dar broncas só irá deixar a criança mais tensa e nervosa. Ela não tem consciência deste movimento, cabe a nós, adultos, conduzi-la com calma para outros caminhos.

 


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A criança dos 7 aos 14 anos

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Tempos atrás, as crianças iam para a escola somente aos seis, sete anos de idade. Esse “ir para escola” significava, em uma análise mais ampla, ir para o mundo. A natureza dava uma ajudinha nos dizendo que a criança estava pronta para essa nova jornada quando o primeiro dente caia.

Hoje os pequenos “saem de casa” com um ou dois anos, alguns ainda bebês, com meses. Até os dentes estão começando a cair mais cedo em algumas crianças. A necessidade se impõe, as famílias não veem outra alternativa. No entanto, não podemos perder de vista, independentemente do lugar onde a criança esteja, em casa ou na escola, o que acontece em cada uma das fases.

No Primeiro Setênio, a criança vive em uma atmosfera de sonho com a sua energia votada para fortalecer e formar os seus órgãos internos e quando ela recebe a realidade é através dos olhos da mãe, já no Segundo Setênio é tempo dessa criança conquistar outros espaços.

Ela começará a caminhar com suas próprias pernas e de mãos dadas com o pai, a figura paterna ganha força nesse período. As brincadeiras começam a se modificar e os jogos em geral passar a ser mais interessantes. O gosto pelos jogos, como os de tabuleiro, por exemplo, se dá por dois motivos: primeiro por causa as regras. A criança nessa fase gosta de lidar com esse recurso e se irrita muito quando vê alguém burlando alguma regra.

A outra questão é que o jogo normalmente exige uma outra pessoa, um opositor ou vários opositores, às vezes é necessário criar uma equipe. A possibilidade de se colocar no jogo, de trocar com o outro também estimula a criança.

Nessa fase, a criança deixa a imaginação e o espelhamento pra trás e sente o mundo através de si mesmo. É no Segundo Setênio que ela começa a desenvolver o tórax, não é à toa que nessa região fica o coração. A partir dos sete, oito anos, a criança começa a se relacionar com mais consciência. Ela passa a ter o Sentir mais aflorado.

Aos 9 anos, inevitavelmente nossos filhos mergulharão no rubicão e depois que passa esse período de busca existencial, ufa… Eles renascerão, ressurgirão. É a fase em que começamos a perceber a personalidade ganhando força, o colorido que chamamos de temperamento.  A criança já adolescente tem agora uma alegria no olhar.

As conversas entre pais e filhos já podem ganhar um caráter mais explicativo, o que é bem diferente do que vemos na primeira infância. Quando as crianças são pequenas, muita explicação só atrapalha. Agora é importante explicar mais, dar opções de escolha, por mais que não tenha maturidade total, esse é um exercício.

Isso vai fortalecer na criança a percepção de CERTO e ERRADO para que lá na frente, ela consiga recusar algo, caso a oferta não lhe agrade.