Estamos na época de MICAEL.

No dia 29 de setembro, última sexta-feira, comemoramos o dia Micael e a época do Arcanjo se perpetua pelas próximas quatro semanas. A data é muito especial para a ANTROPOSOFIA.

Aqui no consultório, as crianças fizeram uma busca no quintal a procura de pedras consideradas “preciosas”. As chamadas PEDRAS DA CORAGEM. As crianças guardaram essas pedrinhas com todo carinho. Elas sabem que quem as encontra, conquista força e coragem para enfrentar seus medos.

Para nós, adultos, vale refletir sobre a imagem de Micael dominando o DRAGÃO. Inspirados por essa imagem, devemos buscar força e coragem para dominar nossos próprios dragões externos e internos.

Lembro bem que, no ano passado, eu escrevi um texto que fala sobre a Coragem no processo de Educação (http://falandodainfancia.com.br/2016/09/29/coragem-para-educar/). Este ano, gostaria de compartilhar a questão da coragem por um outro viés, como podemos plantar essa semente da coragem nas crianças e cuidar dela todos os dias.

Quando são ainda muito pequenos, cuidamos e protegemos nossos filhos. Evitamos muito barulho, lugares movimentados demais, garantirmos um ambiente seguro e saudável. Quando estão crescendo, acompanhamos no processo do ANDAR, proporcionamos o livre movimento e deixamos a criança ficar em pé pelo próprio mérito dela.

Só que a criança vai ficando mais ousada e busca mais espaço para si. É nesse ponto que eu quero chegar. Tenho observado que muitos adultos acabam, mesmo sem querer, colocando MEDO nas crianças. Isso acontece com muita frequência quando a criança se afasta um pouco. O adulto rapidamente diz:

– Não vai aí que tem um mostro.

– Cuidado! Ali mora um homem muito mau.

– Se comporta! Esse médico tem injeção pra quem não obedece.

A lista de frases é longa. No fundo, o adulto busca evitar que a criança fique em perigo. A intenção pode ser boa, mas o resultado da ação é desastroso. NUNCA se deve colocar medo nas crianças. Quando os pais, avós, tios, cuidadores agem dessa forma, acabam reagindo pelo seu próprio medo.

O adulto pensa que vai afastar a criança da situação o que, de fato, acaba acontecendo. No entanto, a criança que é corajosa, que é pura e destemida, pode ter esses impulsos naturais enfraquecidos.

Paralelo a isso, podemos causar ainda mais confusão na cabecinha da criança. Veja essa situação: de um lado, dissemos para que a criança que não vá para determinado lugar porque há um desconhecido que pode fazer mal a ela; por outro lado, quase a obrigamos a cumprimentar alguém que ela não conhece ou brincar com uma criança que ainda não faz parte do seu grupo de amiguinhos dela. É óbvio que essa criança ficará confusa e, muitas vezes, com medo.

O que devemos fazer é AGIR COM VERDADE com a criança. NÃO INVENTAR HISTÓRIAS para causar medo nelas. Sugiro também que olhemos para nós mesmos e tentemos identificar como anda o nosso impulso da coragem.

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