discutindo

“Me lembro perfeitamente das brigas constantes dos meus pais, isso ecoa dentro de mim até hoje. Era uma sensação muito ruim…”
Essa fala é de um amigo querido que hoje tem um pouco mais de 40 anos.
É interessante perceber que o sentimento dele, quando criança, ainda está presente, 30 anos depois.
Digo isso, para introduzir o tema que quero compartilhar com você hoje: a criança que vive num ambiente de brigas e desentendimentos constantes.
É fato. Os casais discordam, cada um tem seu ponto de vista. Às vezes, o volume da conversa aumenta e ocorrem desentendimentos. Até aí, tudo perfeitamente normal.

Vamos fazer uma rápida reflexão

Duas pessoas se unem. Cada uma fez um caminho para chegar a fase adulta. Esse repertório foi construído ao longo dos anos com os hábitos, aspectos culturais, educação, acolhimento que cada uma recebeu. Agora, elas precisam acomodar tudo isso em um único ambiente. Eles têm um filho e estão juntos na missão de conduzir esse ser. Certamente haverá discordância em alguns pontos. Quando o casal tem clareza dessas diferenças, a conversa parte de um outro patamar. Olhar para essas questões com carinho, nos ajuda a entender e fortalecer o diálogo entre o casal.

Agora quando os dois vivem em pé de guerra, é preciso acender o botão de alerta. Esse clima pode gerar uma tensão na criança.

Ambientes de briga criam uma atmosfera caótica

Esses ambientes deixam as crianças confusas em seus pensamentos. Muitas vezes, elas acham que a culpa pelas brigas é delas.

Essas situações geram insegurança também. A criança nunca sabe até quando as coisas ficarão bem, quando terá início uma nova “guerra”. É como se ela estivesse, o tempo todo, pisando em ovos.
Um outro aspecto é o fato de os filhos se sentirem responsáveis por gerar paz no ambiente, de ajudarem os pais a voltarem para o prumo no meio de uma discussão. Quando elas não conseguem, a frustração é grande. Elas se sentem incapazes.
O reflexo desse ambiente pode aparecer na escola, com comportamentos agressivos, prejudicando o convívio social. Pode ainda reverberar na vida adulta, desenvolvendo comportamentos que, conscientemente, a pessoa não sabe de onde vêm.
Esse ambiente também manda uma mensagem nada boa para as crianças. Elas passam a entender que está na briga e não no diálogo o caminho para a resolução de conflitos.
É claro, que cada situação merece ser olhada individualmente.

Mas o mais importante é refletir sobre a atmosfera que estamos envolvendo nossa família e nossas crianças. E se tiver que mudar algo, essa é a hora de começar!