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Dia desses estava vendo TV e me deparei com uma situação que parecia uma brincadeira mas, na verdade, era bem perigosa e envolvia uma criança. Tratava-se de um desafio. É fácil encontrá-los na internet, basta fazer uma busca no Youtube. No programa que assitia, o desafio era espirrar desodorante aerosol na perna até que o produto chegasse ao final e consequentemente queimasse a pele da pessoa.

O primeiro a fazer isso foi o pai. Ele descarregou o desodorante na própria perna e depois fez o mesmo na perna do filho. O vídeo mostrava pai e filho se queixando de dor.

O que podemos aprender com isso, além de não fazer o mesmo?

Temos que ter clareza de que a criança não tem maturidade para fazer escolhas.

Às vezes, as crianças são muito insistentes e imploram para que nós as autorizemos a fazer o que elas querem. Como, por exemplo, participar de um desafio como esse. A nossa função, como pais, é ponderar e negar quando preciso for, de forma firme. A questão da maturidade é fisiológica. Até perto dos 21 anos, o jovem não tem todas as estruturas cerebrais formadas e, por conta disso, não tem maturidade suficiente para fazer certas escolhas. Somos nós, os pais, que temos que estar por perto para auxiliá-lo.

Vamos observar isso sob a ótica da Antroposofia.

O impulso da vontade, numa criança, vem de forma bruta e com muitas arestas. O germe da vontade em um bebê já está presente no seu nascimento. Aos 2 anos e meio ou 3 anos, essa vontade reaparece com muita potência. Não é à toa que, nessa época, começam a surgir comportamentos mais desafiadores.

As crianças menores não têm noção do que é perigoso ou não. Nós, adultos, temos que estar ao seu lado para colocar os NÃOS na hora certa. Essas negativas atuam como um contorno para a criança. Não um contorno físico, mas emocional, muito importante para o desenvolvimento dela. É assim que os pequenos vão ganhando limites.  Esse trabalho de lapidação de arestas é nosso. E, pra isso, precisamos ser firmes, precisamos de coragem.

A criança vai crescendo e precisa ganhar uma certa autonomia dentro do que é adequado para a idade. Aos 8 ou 9 anos, é tempo de começar um pequeno treinamento com ela. Podemos começar a perguntar qual a opinião da criança em relação a determinado assunto e tomar uma decisão em conjunto. Aos 15 anos, chega a época da autoeducação. O adolescente segue um pouco mais livre. Não estamos ao lado, o tempo todo guiando. Mas ele sabe que estamos por perto.

Os pais precisam entender que são guardiões da criança. Avaliar algumas situações e negar quando for preciso. O importante é fazer isso com sabedoria. As crianças pedem desde brinquedos a um canal no Youtube. Quem precisa avaliar o risco de cada pedido são os pais. Consciência e responsabilidade os filhos só terão mesmo mais adiante, quando todas as estrutura cerebrais estiverem amadurecidas.

Enquanto isso, arregassemos as mangas. É preciso olhar para o nosso núcleo familiar, para os nossos valores, para o que acreditamos. São esses valores que irão fortalecer a criança e ajudá-la em seu desenvolvimento.