ritmo-diário

Tempos atrás, as crianças iam para a escola somente aos seis, sete anos de idade. Esse “ir para escola” significava, em uma análise mais ampla, ir para o mundo. A natureza dava uma ajudinha nos dizendo que a criança estava pronta para essa nova jornada quando o primeiro dente caia.

Hoje os pequenos “saem de casa” com um ou dois anos, alguns ainda bebês, com meses. Até os dentes estão começando a cair mais cedo em algumas crianças. A necessidade se impõe, as famílias não veem outra alternativa. No entanto, não podemos perder de vista, independentemente do lugar onde a criança esteja, em casa ou na escola, o que acontece em cada uma das fases.

No Primeiro Setênio, a criança vive em uma atmosfera de sonho com a sua energia votada para fortalecer e formar os seus órgãos internos e quando ela recebe a realidade é através dos olhos da mãe, já no Segundo Setênio é tempo dessa criança conquistar outros espaços.

Ela começará a caminhar com suas próprias pernas e de mãos dadas com o pai, a figura paterna ganha força nesse período. As brincadeiras começam a se modificar e os jogos em geral passar a ser mais interessantes. O gosto pelos jogos, como os de tabuleiro, por exemplo, se dá por dois motivos: primeiro por causa as regras. A criança nessa fase gosta de lidar com esse recurso e se irrita muito quando vê alguém burlando alguma regra.

A outra questão é que o jogo normalmente exige uma outra pessoa, um opositor ou vários opositores, às vezes é necessário criar uma equipe. A possibilidade de se colocar no jogo, de trocar com o outro também estimula a criança.

Nessa fase, a criança deixa a imaginação e o espelhamento pra trás e sente o mundo através de si mesmo. É no Segundo Setênio que ela começa a desenvolver o tórax, não é à toa que nessa região fica o coração. A partir dos sete, oito anos, a criança começa a se relacionar com mais consciência. Ela passa a ter o Sentir mais aflorado.

Aos 9 anos, inevitavelmente nossos filhos mergulharão no rubicão e depois que passa esse período de busca existencial, ufa… Eles renascerão, ressurgirão. É a fase em que começamos a perceber a personalidade ganhando força, o colorido que chamamos de temperamento.  A criança já adolescente tem agora uma alegria no olhar.

As conversas entre pais e filhos já podem ganhar um caráter mais explicativo, o que é bem diferente do que vemos na primeira infância. Quando as crianças são pequenas, muita explicação só atrapalha. Agora é importante explicar mais, dar opções de escolha, por mais que não tenha maturidade total, esse é um exercício.

Isso vai fortalecer na criança a percepção de CERTO e ERRADO para que lá na frente, ela consiga recusar algo, caso a oferta não lhe agrade.