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roer unhas

Roer as unhas aparece com frequência no universo dos pequenos.

Geralmente é por volta dos 3 ou 4 anos de idade que este hábito se inicia. Nessa idade, a criança começa a se colocar um pouco mais no mundo e uma relação de troca com o externo começa a surgir. Alguns desafios aparecem, como por exemplo, lidar com os “nãos” ou lidar com o fato de não conseguir fazer algumas coisas. Certas crianças podem receber isso de forma mais intensa, sentindo uma pressão do mundo sobre elas. Nessa hora, descobrem que roer as unhas as deixam mais aliviadas. Elas repetem esse comportamento, tornando isso um hábito.

No entanto, outras crianças podem adquirir este hábito um pouco mais tarde. Nesses casos, também é importante ter esse olhar, tentar identificar se existe uma pressão externa  sobre elas. Pode ser que essa criança esteja passando por uma situação nova em algum âmbito (escolar, familiar, social), pode ser que esteja mais ansiosa e com dificuldades para acomodar tudo isso. É fundamental olhar para a agenda diária desta criança, será que ela não está com atividades em excesso?

Enfim, temos que ter em nossos corações a clareza de que a criança está em intenso processo de aprendizagem, que ela está aprendendo a lidar com uma série de situações e que algumas delas são um pouco mais difíceis para se adaptar.

Com o passar do tempo este hábito pode passar, porque a criança começa a aprender a lidar melhor com tudo isso. Porém, o que fazer até que passe ou, caso não passe, como devemos agir?

Ao ver os filhos com a mão na boca o tempo todo, muitos pais acabam utilizando alguns artifícios: passar esmalte com sabor ruim, pimenta, ficar pedindo o tempo todo para que  tirem a mão da boca, dar broncas…

Pois bem, isso não funciona muito bem. Muitas vezes acabamos por acentuar este comportamento, principalmente quando repetimos para que tire a mão da boca. Quando fazemos isso à exaustão, o foco acaba sendo o contrário, o que a criança entende é “coloque a mão na boca”!

Pensando em tudo isso, o primeiro passo é tranquilizar esta criança. Dizer que algumas coisas são difíceis mesmo (seja na escola ou em alguma situação que você identifique que esteja acontecendo), mas que ela sempre pode contar com seu apoio, que você estará ao lado dela ajudando. Reforce também o quanto ela é esforçada e que vão tentar juntos!

Depois, no momento em que ela estiver com a mão na boca, pegue a mão dela com muito carinho e aqueça junto às suas, e diga:

– Está tudo bem, fique tranquila!

Apenas isso, sem muitas explicações.

Outra alternativa bem eficaz, é colocar as mãozinhas para trabalhar. Podemos convidar a criança para que monte um brinquedo, para que brinque com massinhas, podemos levá-la para a cozinha para que ajude a catar o feijão ou sove a massa de pão, um crochê de dedos também é uma ótima alternativa (caso isso faça parte do repertório da criança).

Enfim, trazer recursos que propiciem tranquilidade e o alívio, mostrando a criança outras alternativas a não ser colocar a mão na boca e roer a unha.

Vale lembrar que tudo isso é um processo e que dar broncas só irá deixar a criança mais tensa e nervosa. Ela não tem consciência deste movimento, cabe a nós, adultos, conduzi-la com calma para outros caminhos.

 


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A criança dos 7 aos 14 anos

ritmo-diário

Tempos atrás, as crianças iam para a escola somente aos seis, sete anos de idade. Esse “ir para escola” significava, em uma análise mais ampla, ir para o mundo. A natureza dava uma ajudinha nos dizendo que a criança estava pronta para essa nova jornada quando o primeiro dente caia.

Hoje os pequenos “saem de casa” com um ou dois anos, alguns ainda bebês, com meses. Até os dentes estão começando a cair mais cedo em algumas crianças. A necessidade se impõe, as famílias não veem outra alternativa. No entanto, não podemos perder de vista, independentemente do lugar onde a criança esteja, em casa ou na escola, o que acontece em cada uma das fases.

No Primeiro Setênio, a criança vive em uma atmosfera de sonho com a sua energia votada para fortalecer e formar os seus órgãos internos e quando ela recebe a realidade é através dos olhos da mãe, já no Segundo Setênio é tempo dessa criança conquistar outros espaços.

Ela começará a caminhar com suas próprias pernas e de mãos dadas com o pai, a figura paterna ganha força nesse período. As brincadeiras começam a se modificar e os jogos em geral passar a ser mais interessantes. O gosto pelos jogos, como os de tabuleiro, por exemplo, se dá por dois motivos: primeiro por causa as regras. A criança nessa fase gosta de lidar com esse recurso e se irrita muito quando vê alguém burlando alguma regra.

A outra questão é que o jogo normalmente exige uma outra pessoa, um opositor ou vários opositores, às vezes é necessário criar uma equipe. A possibilidade de se colocar no jogo, de trocar com o outro também estimula a criança.

Nessa fase, a criança deixa a imaginação e o espelhamento pra trás e sente o mundo através de si mesmo. É no Segundo Setênio que ela começa a desenvolver o tórax, não é à toa que nessa região fica o coração. A partir dos sete, oito anos, a criança começa a se relacionar com mais consciência. Ela passa a ter o Sentir mais aflorado.

Aos 9 anos, inevitavelmente nossos filhos mergulharão no rubicão e depois que passa esse período de busca existencial, ufa… Eles renascerão, ressurgirão. É a fase em que começamos a perceber a personalidade ganhando força, o colorido que chamamos de temperamento.  A criança já adolescente tem agora uma alegria no olhar.

As conversas entre pais e filhos já podem ganhar um caráter mais explicativo, o que é bem diferente do que vemos na primeira infância. Quando as crianças são pequenas, muita explicação só atrapalha. Agora é importante explicar mais, dar opções de escolha, por mais que não tenha maturidade total, esse é um exercício.

Isso vai fortalecer na criança a percepção de CERTO e ERRADO para que lá na frente, ela consiga recusar algo, caso a oferta não lhe agrade.