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Nesta semana postei um artigo sobre a criança que está entre seus 9 e 10 anos de idade, algumas características comuns que acontecem nessa fase, o tal do rubicão, as crises, alguns comportamentos físicos que aparecem. (http://falandodainfancia.com.br/2017/03/02/a-crianca-entre-9-e-10-anos-de-idade/). Uma querida seguidora da página, fez um comentário bem interessante e importante sobre seu filho de 11 anos que está com um olhar bem crítico sobre as atitudes dos pais e sobre as situações.

Acabei não escrevendo sobre este aspecto, também importante,  para que o texto não ficasse muito longo e, para que olhássemos de uma forma mais geral sobre essa fase.

Porém, é fundamental conversarmos sobre esta característica presente nesta idade, vamos lá?

Nos primeiros sete anos da criança (podendo se estender até uns 8 anos ou antecipar para 6) ela vive em uma atmosfera de sonho, em que fantasia e imagina o tempo todo em suas brincadeiras. Ela imita e espelha os adultos que estão a sua volta, recebe o mundo através dos olhos da mãe. Esta situação de imitação e espelhamento, faz com que ela não se sinta “tão sozinha” no mundo, embora ela já tenha tido um início desta sensação de separação  lá nos 2 anos / 3 anos de idade.

Quando a criança adentra nesses 9 e 10 anos de idade, ela vivencia o seu eu mais intensamente, no âmbito dos sentimentos, acontece uma separação mais intensa entre ela e o mundo externo, a imitação e o espelhamento são deixados para trás e, ela começa a receber o mundo diretamente, sem mais esta “ponte” que seria a mãe.

Tudo isso, faz com que a criança tenha um Acordar para o mundo, o que faz aumentar a tendência a ficar mais crítica com as situações que a rodeia, despertando um questionamento interior e inconsciente, sobre as atitudes e comportamentos dos adultos a sua volta.

As regras precisam ser claras, não cabe ficar tentando “trapacear”, quando os pais dizem algo tem que tomar muito cuidado para não contradizer, pois eles estão mais despertos para isto e irão questionar. Dentro deles vive o sentimento de que os adultos sabem de tudo e que seus comportamentos devem sempre ser seguidos, agora, com este acordar eles vivenciam internamente este questionamento e estarão mais atentos para comprovar se isto é verdadeiro.

– Mas mãe, você não tinha dito que mentir era feio? Por que pediu para que eu dissesse ao telefone que você não estava, sendo que você está aqui?

– Mas pai, você não vive dizendo que o cigarro faz mal? Por que está fumando?

Estes são exemplos mais clássicos, mas com certeza já devem ter vivenciado outros.

A partir dessa idade, algo muito importante e bonito dentro do processo de crescimento da criança, acontece: o Acordar! Junto com ele vem esse posicionamento essencial para se colocar no mundo e, se separarmos a palavra acordar, teremos: A – Cor – dar: uma cor surge e se fortalece, que é o seu temperamento! A sua personalidade (que já vinha aos poucos) diante de lidar com as situações do mundo, agora ganha força. A sua cor, que podemos falar mais detalhadamente em outro artigo no futuro.