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Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem um a um os gravetos na ponta do bico, arrumam com todo amor e dedicação o lugar onde irão criar seus filhotinhos (postei essa semana no Facebook, um vídeo que mostra um ninho num lugar bem inusitado). Depois que os filhotes nascem, os pássaros levam comida, protegem os pequenos contra os perigos para que eles cresçam com segurança e logo adiante possam voar, explorar e conhecer o mundo em busca do seu próprio alimento.

Agora, a partir dessa imagem vamos pensar nos nossos filhos!

As crianças também precisam de um ninho. Quando pensamos nessa palavra logo vem à mente um lugar acolhedor e seguro. E é exatamente isso!

Como pais, devemos construir um lugar quentinho e que transmita segurança, para que os nossos filhos sintam-se acolhidos. Construir esse ambiente exige algo que temos de sobra: muito amor! E exige também muita dedicação e envolvimento da nossa parte.

Vamos começar pelas relações, como é importante cuidar disso. Para os pequenos, elas são fundamentais. A relação com os avós, com os tios e principalmente, com o pai, a mãe e os irmãos, as pessoas que convivem na mesma casa que esses pequenos. Caso seu núcleo familiar seja diferente, inclua aqui quem faz parte dele. Essas são as pessoas que vão viver nesse “ninho”. Através desses relacionamentos as crianças são envolvidas por um calor que não vem do fogo, mas do coração e que vai reverberar mais adiante em segurança e autoconfiança.

Para isso, temos que ter a consciência de estarmos presentes, inteiros enquanto convivemos com nossos filhotes. Deixar de lado os celulares, a TV, os computadores, para que possamos ter uma troca autêntica, o olho no olho, e conversar com nossos filhos com atenção.

Outra situação importante, é evitar que as crianças (principalmente as pequenas) tenham contato com os noticiários mais violentos. Há quem diga que nenhum noticiário é destinado a crianças. Muitos pais acreditam que tenham que desde cedo apresentar às crianças a realidade do mundo e para que não fiquem alienados, que tenham que conhecer a violência, a irracionalidade humana que muitas vezes vira assunto na TV e jornais. Não é bem assim. Já falamos aqui, mas vale lembrar. Para a Antroposofia, até os sete anos, o que significa no primeiro Setênio, o Mundo é Bom e é assim que a criança deve vê-lo. Nessa fase, a criança vive por imitação, ela não distingue ficção da realidade, pra ela tudo é real.

Eles terão muito tempo para saber que o mundo tem essas coisas e quando se depararem com essa realidade saberão reagir com confiança. Claro que se eles perguntarem ou tiverem em contato com algo ruim, vamos acolher o questionamento, conversar sobre o fato, mas sempre deixando a criança trazer o assunto, nunca o contrário. Depois de ouvi-la podemos dizer que nós (pais, avós, professores) o amamos muito e estaremos sempre por perto para cuidar dele e protegê-lo, assim como o pássaro cuida de seus filhotes.

Na vida dos pequenos, outra fator essencial para que esse calor se faça presente é a coerência dos pais e cuidadores quanto a educação da criança. Estabelecer ritmos e bons hábitos, colocar limites, conduzir as situações com firmeza.

Dessa forma, este ninho passa a viver dentro da criança e sempre que precisar recorrer a ele saberá onde encontrar. Mesmo quando for adulto, longe de sua família, não se sentirá sozinho, estará preenchido e terá segurança para voar!