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Muitos pais já se depararam com essa pergunta. Ou, até mesmo com a própria afirmação:

– Eu sei que Papai Noel não existe. São vocês (o pai e a mãe) que compram o presente.

O que acontece quando uma criança começa a desconfiar da história que sempre acreditou?

Na semana passada, postei um texto sobre a Época do Natal (http://falandodainfancia.com.br/2016/11/30/a-epoca-de-natal/) e recebi várias mensagens. Entre os comentários, destaco os de duas mães que acompanham o Blog. Uma delas estava muito triste, porque o filho de 6 anos disse a ela que Papai Noel não existe. A outra fez um comentário em relação ao filho de 9 anos. Ele também falou da inexistência de Papai Noel. Nesse caso, a preocupação da mãe é em relação à caçula. O receio era que o mais velho transferisse a desconfiança para a irmã menor.

Mais cedo ou mais tarde iremos nos deparar com essa situação. Normalmente essa dúvida começa a surgir por volta dos 9 ou 10 anos de idade, mas às vezes pode aparecer antes. Nessa época, a criança passa por uma fase em que a fantasia fica um pouco de lado e começam os questionamentos. Uma dica que vale muito é devolver a pergunta para a criança e isso também vale para o menino de 6 anos.

– Por que você acha que o Papai Noel não existe?

Dessa forma poderemos escutar o entendimento que eles têm e perceber se estão mesmo preparados para que contemos, de forma carinhosa, a verdade ou se podemos esperar mais um pouco.

No entanto, se você perceber que esse é o momento para desvendar tudo, é bom trazer a verdade de forma leve e resgatar com a criança como foi gostoso viver tantos Natais com a figura daquele velhinho por perto. Uma sugestão é lembrar dos momentos, revisitar os Natais passados… A partir desse resgate podemos conversar o quanto é importante que o irmão mais novo, o priminho ou o vizinho menor também vivenciem o que ele experimentou, o quanto foi bom. Assim a magia se perpetua e cada criança descobre por si e no seu tempo quem é o Papai Noel.

Foi exatamente o que aconteceu com a minha filha mais velha. Aos 9,  ela começou a fazer perguntas. Ela começou a desconfiar que a história não estava bem contada. Eu conversei com ela de forma leve e amorosa. Trouxe a ideia de que o Papai Noel do shopping, com apelo comercial, sentado na loja não existe realmente. Ela ficou triste, mas entendeu. O interessante foi o que aconteceu tempos depois. Ela nunca mais tocou no assunto, hoje tem 12 anos e quando converso com a caçula sobre o assunto ela me dá uma olhada de canto de olho, como se fossemos cúmplices de um segredo que ainda não pode ser revelado para a menor. Ela continua escrevendo a cartinha para o Papai Noel. Acho que realmente pensa que Papai Noel não existe, mas continua vivenciando a magia só que de uma forma diferente, participando dos rituais, de algo mais espiritualizado.

É muito rico manter essa fantasia e imaginação na vida dos pequenos, ela faz parte do universo deles. Personagens, como o Papai Noel, quando mantidos vivos nas crianças passam a elas a ideia de que o mundo é bom e acolhedor, o que segundo a Antroposofia é fundamental para as crianças do primeiro setênio (0 a 7 anos). Isso traz calor, confiança a elas. A criança aprende a desenvolver a fé e a esperança que levará para a vida inteira. Acreditar nos sonhos, ter a confiança de que os desejos possam ser realizados é o alimento para uma vida saudável na infância. Às vezes até o presente material fica em segundo plano, o maior presente aqui será toda  essa atmosfera que a época traz.

Manter viva essas experiências na vida dos pequenos é saudável e traz lindas lembranças.