Como ajudar as nossas crianças a enfrentar o luto
Recentemente passei por uma situação muito difícil, a perda de uma pessoal muito querida e que fez parte da minha infância. Me deparei com o fato de ter que falar sobre esse tema tão delicado com...

Leia mais

Coisa de menino e coisa de menina
Uma menina gostar de azul tudo bem! Mas e um menino gostar de rosa? Conheço muitos pais que vão responder: – Ah, não… Rosa meu filho não vai vestir! Assim como já ouvi: – Essa b...

Leia mais

Toda criança precisa de Ninho
  Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem...

Leia mais

Criança e Agressividade
Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 grau...

Leia mais

O momento de tirar a fralda
  Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança....

Leia mais
0

A Época de Natal

img_0001

– Amanhã já é Natal? Perguntam ansiosos os pequenos. O amanhã, o ontem, o daqui a 20 dias não faz muito sentido para as crianças menores. Internamente eles já estão vivendo essa festa, cabe a nós darmos o melhor significado possível a ela.

A época do Advento é de esperança, luz, reflexão e gratidão.

Como já disse aqui outras vezes, vivenciar com as crianças cada fase do ano, cada estação e as festas mais importantes, faz com que elas percebam o que realmente acontece a sua volta, se localizem no tempo e no espaço.

Resgatar o real significado do Natal é essencial para a vida de todos.

Advento vem do latim que significa o que está por vir.  É a preparação para a chegada do menino Jesus. Uma caminhada feita em quatro domingos. Não se preocupe que o primeiro já se foi (domingo passado), teremos outros três. E ainda dá tempo de vivenciá-los. Confeccionar a Coroa do Advento, feita com ramos verdes e com quatro velas, cada uma acesa em um domingo até o Natal. Veja que bela oportunidade preparar este caminho com os pequenos, trazendo histórias e músicas desta época, montar a árvore, o presépio.

Parece um contrassenso. Nessa época que deveríamos refletir e se aproximar do que é sagrado, é bem o tempo em que não temos um segundo para parar. Correria para entregar o que ainda precisa até o final do ano, compras de presentes e comidas, compromissos que se acumulam. As luzes nos roubam de nós mesmos.  Mas o desafio é exatamente esse, no meio de tudo isso, admirar solenemente o que importa. Nesse caso, Jesus que chega.

Quero deixar aqui a lenda russa dos Quatro Anjos do Advento, que poderá ser contada a cada domingo antes dessa chegada especial. Será uma alegria vivenciar este momento com os pequenos, os olhos brilham, a alma se enche de luz e de amor.

Boa leitura!

Há muito tempo atrás os homens viviam no mundo, mas não sabiam construir casas, nem plantar e cuidar da terra. Viviam em cavernas onde era escuro, não tinham luz.

Deus, então chamou os Anjos para que trouxessem luz aos quatro cantos do mundo e avisassem os homens que o Filho de Deus viria.

O primeiro Anjo tinha asas azuis. Foi iluminar as cavernas e as grutas com um raio de luz que o sol lhe deu. Foi esse raio de luz de sol que ajudou os anões a fazerem pedras coloridas. Esse anjo trouxe a chuva e ela lavou as pedras, encheu os lagos, fez os rios correrem mais depressa.

O segundo Anjo tinha asas verdes. Saiu do céu bem cedinho, mas como voava devagar, chegou na terra ao entardecer. O raio de luz que esse Anjo trouxe deu cor e perfume às plantas. Ele também ensinou os homens a plantar e a deixar a terra bem fofinha para receber a semente.

O terceiro Anjo tinha as asas amarelas. Ele foi até perto do sol e o sol lhe deu um raio de sua luz para que ele trouxesse até a terra. Quando ele estava chegando, os animais viram aquela luz e ficaram admirados. O Anjo então explicou que iria nascer uma criança muito especial e que todos deveriam se preparar para recebê-la. Os pássaros fizeram músicas muito bonitas, as borboletas coloriram suas asas, os animais de pelo falaram uns com os outros sobre o acontecimento e o vento espalhou a notícia por todos os cantos.

O quarto Anjo tinha asas vermelhas. Ele queria tanto ajudar os homens que foi logo falar com
Deus, não esperou ser chamado. Deus tirou uma luz do seu trono e disse ao Anjo vermelho que colocasse essa luz no coração de cada homem, de cada mulher, de cada criança. Já estava bem perto o dia do nascimento de Jesus.

É por isso que até hoje acendemos 4 velas na coroa de Advento, para lembrar os quatro anjos que nos avisaram da chegada do filho de Deus.

 


0

Criança e Agressividade

criana-agressiva

Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 graus, ela quer usar o vestidinho de alças), se veste sozinha, escala a pia para pegar uma fruta. A vida segue sem turbulência quando lhe é permitido fazer tudo o que deseja. Mas quando a pequena se depara com um “NÃO” o tempo fecha e muitas vezes é com um tapa que ela comunica que não gostou do limite. Você conhece crianças assim?

É sempre motivo de preocupação de mães e pais quando um filho bate nos amigos, nos pais,  quando morde. Muitos pensam que essa atitude é uma característica da criança, que ela está se tornando agressiva, está mudando o caráter, está muito bravo, tendo muitas crises. Isso, na verdade, faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento da criança. Entre os dois e três anos de idade começa a se manifestar pela primeira vez o Eu dessa criança, fase em que ela começa a se colocar no mundo, quer ganhar seu espaço, muitas vezes se coloca dessa forma, com agressividade.

Agora vamos voltar no exemplo lá do início do texto. Veja o exemplo: a menina não bateu gratuitamente, ela disparou um tapa assim que foi confrontada, assim que recebeu uma negativa. Aqui está um detalhe importante que os pais precisam atentar. O primeiro passo na direção de entender esse comportamento (o que não significa ser complacente) é observar o que antecedeu o ato de bater, o que veio antes dessa agressividade infantil. Muitas vezes foi um “não”: você não pode usar essa roupa, porque está frio; esse objeto é de vidro, você não pode pegar; bala, agora não. A criança fica frustrada, com raiva. Nós, adultos, também sentimos frustração e raiva muitas vezes, com a criança não é diferente. É muito importante lembrar que a raiva é um sentimento que surge em determinado momento, isso não significa que ela seja agressiva o tempo todo. É fundamental evitar esse rótulo, porque caso contrário a criança começa a internalizar isso e acreditar que realmente é agressiva.

Quando uma criança inicia sua caminhada aqui na Terra, ela conta conosco para que sejamos seus guardiões, que caminhemos juntos. Dependendo da idade, estaremos bem perto. Com o passar dos anos, ao lado, e mais adiante, um pouco atrás. Mas sempre deveremos estar por perto.

A Antroposofia lembra que são os filhos que nos escolhem, eles confiam que saberemos guiá-los. Somos adultos, com Eu forte, para dar direção para esse Euzinho que está chegando de forma meio “torta”, meio descontrolada. Se eu não estiver certo de mim como pai ou mãe, se não estiver com meu Eu no lugar, reto, eu não conseguirei ajudar meu filho. A criança vai ficar perdida, inconscientemente vai se perguntar:  onde está meu eixo, cadê minha direção? Se os pais estão perdidos, assim também ficará a criança. A criança está em processo de aprendizagem e ouvir “nãos” faz parte do jogo.

Quando acontece esse ataque de fúria dos pequenos, eles ficam muito bravos e batem, mordem, jogam o que tem pela frente no chão ou contra quem está na sua frente, há pais que perdem o controle também, começam a gritar. Realmente é ruim ver seu filho avançando contra você, mas pior ainda é não saber o que fazer nessa situação. O que temos que fazer nesses momentos em primeiro lugar é manter a calma. É claro que temos o direito de ficar nervosos, mas temos o dever de dizer a nós mesmo: “Alto lá! Preciso me acalmar, dar um passo pra trás”. Essa criança está precisando nesse momento é de direção, que mostremos a ela um outro caminho e para que a gente consiga fazer isso temos que estar no nosso eixo. Mas de que forma devo agir, você pode estar se perguntando. No momento do tapa, quando acontece o tapa principalmente nos pais, o adulto tem que segurar com calma, mas com firmeza a mão da criança e abaixá-la, com muito amor, respeito e cuidado pra não machucar. Nesse momento, peça para que ele olhe nos seus olhos, se conecte com ele e diga que ele não pode bater, que essa não é a forma de conseguir as coisas que quer. Quando são crianças menores, a conversa tem que ser curta e objetiva, sem tantas argumentações. Para crianças maiores, a partir dos oito, nove anos pode-se ter um diálogo maior, uma conversa mais longa. Mas antes é fundamental segurar a mão e dizer que não gostou do que ele (a) fez. A conversa pode até ficar pra depois, à noite por exemplo, num momento mais caloroso. Nesse momento, diga: “você lembra do que você fez, me bateu ou bateu no seu amigo?” Faça uma retrospectiva do que aconteceu, isso vai ajudar a criança a refazer a situação mentalmente.

Vale lembrar que diante desse momento de fúria, os pais precisam ser firmes e não voltar atrás no “não” que foi a raiz de toda a explosão. Como se trata de um processo de aprendizagem, é um presente que damos à criança quando nos mantemos firme a decisão. É uma forma de ensinar como lidar com a frustração. Você deve deixar claro pra criança que ela tem o direito de ficar brava, mas não pode machucar o outro ou  jogar as coisas, quebrar as coisas, bater nas outras pessoas. Ela vai aprender isso com o tempo. E com certeza isso vai ajudá-la para que não se torne um adulto que extravase sua raiva descontando em outras pessoas por aí.

Agora que já entendemos que isso é natural de certas idades e já temos ferramentas para agir quando isso acontecer vamos observar outro cenário. A agressividade também é uma resposta, uma reação, a algo que esteja desconfortável na vida dessa criança. Às vezes, a criança está respondendo de forma inconsciente a algo que não está bom em casa (pode ser que ele tenha pais que gritem muito, que resolvem as coisas de uma forma mais agressiva), pode ser que o problema esteja na escola ou em outro ambiente muito frequentado pela criança. É importante conversar com o professor, firmar uma parceria. Esse comportamento pode ser um pedido de ajuda, pode ser que a criança esteja enfrentando algo muito desconfortável pra ela e peça dessa forma socorro. Nesses casos avalie a situação, converse com a criança, vá fundo.

Afinal é você o guardião do seu filho!

 


beber-agua

E neste lindo domingo de sol, quero compartilhar com vocês uma dica muito legal para fazer com os pequenos que estão no processo de tirar a fralda ou, para as crianças que tenham dificuldades para controlar o xixi.

Os pais podem pegar vários recipientes, copinhos ou potes de vários tamanhos, para colocar água.

E vão transferindo de um para outro, brincando junto com a criança. Podem brincar de qual cabe mais água ou, qual potinho a água não vai transbordar, derramar a água devagarinho para que ele veja a água caindo no outro potinho sem derramar…

Enfim, vale a criatividade e a diversão e, desta forma lúdica a criança vai num âmbito mais inconsciente internalizando e aprendendo lidar com as “suas águas”.

Este é um exercício/ brincadeira para complementar o texto (http://falandodainfancia.com.br/2016/11/17/o-momento-de-tirar-a-fralda/ ) desta semana, lembrando sempre que devemos ter calma e respeitar o ritmo de cada criança, sem pressa e de forma leve!


0

O momento de tirar a fralda

 

fraldas-bebes

Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança. Geralmente isso ocorre por volta dos dois anos até os três anos e meio de idade, quando a criança já está bem firme, em pé, e começa a se perceber no mundo (detalhes sobre esse assunto no texto: http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/

No consultório, frequentemente acompanho crianças que estão neste processo.

Como é importante que os pais estejam tranquilos e que entendam que cada criança é única e tem o seu tempo!

Perceba que seu filho dá sinais de que está pronto para essa nova fase. Ele começa a não querer usar mais fralda, pede pra tirar ou ela mesma arranca. Algumas começam a sentir quando o xixi e o cocô estão saindo e avisam fazendo uma carinha diferente. Quando os pais percebem esses sinais e decidem iniciar o processo, é importante que sigam em frente. Não é bom, por exemplo, deixar a criança sem fralda em casa e colocar uma quando a família sai para um passeio. Isso a confunde. Se tirou a fralda, tirou e pronto.

O verão realmente é um bom momento pra isso, pois a criança está com roupas mais leves e mais à vontade. Mas não pense que a criança vai lembrar de ir ao banheiro. É nossa responsabilidade, pelo menos no início, lembrá-la. A cada duas horas que tal falar de forma descontraída:

– Vamos ver se tem xixi aí dentro?

Pode ser que não saia nada, nenhuma gota. Mas, é importante ir com ela até lá várias vezes, independentemente de quanto líquido que ela bebeu. Vai nascer um hábito aí e aos poucos ela vai ter a iniciativa.

Se a criança já vai à escolinha é bom conversar com as tias ou professoras e informar que você vai iniciar esse processo para que família e escola estejam juntas nesse processo.

Xixi, ok. Agora é hora de desfraldar do cocô.

Mas conseguir que a criança faça cocô no penico ou na privada nem sempre é simples. A consistência agora é sólida e a criança pode sentir um desconforto na barriga na hora de fazer cocô. Se estiver difícil pra ela, acolha a criança e entenda o que está acontecendo! E não tenha pressa.

Escapes vão acontecer. Nesses momentos, nada de bronca. Limpe a criança para que ela se acostume a ficar sequinha. Ela está aprendendo algo novo e deve ser um processo leve, não associado a ameaças ou a castigos.

Mais uma etapa vencida e é hora de pensar em abandonar a fralda da noite também.

A fralda seca de manhã é um dos sinais mais evidentes de que a criança já está pronta. Aqui algumas dicas bem práticas que podem ajudar você:

– diminua a quantidade de líquido ingerido à noite, principalmente no início do desfralde noturno. E suspenda a ingestão por completo mais ou menos uma hora antes da criança dormir;

– observe, durante a noite, se esta criança está quentinha, se os pés e as mãos estão cobertos, o frio pode dar mais vontade de fazer xixi.

Vale lembrar sempre que estamos iniciando um hábito e que precisamos de paciência e ritmo. Todos os dias devem ser parecidos para a criança. Agora, na rotina da noite cria-se um novo hábito: fazer xixi. Pode demorar um pouco, mas não tenha dúvida a fase da fralda já está chegando ao final.

 

 

 

 


0

Os bons hábitos na vida dos filhos

 

10-habitos-saudaveis-01

A infância é a fase da vida em que estamos aprendendo de tudo! Vivenciamos os primeiros desafios, as primeiras dificuldades, as lembranças iniciais e registramos boa parte das nossas primeiras memórias.

Uma fase de adaptação a este mundo, de conhecer e nos acostumar com os adultos que nos rodeiam e de lapidar nossas vontades e desejos, que vem com força total e de forma bruta.

Para que, nós, pais, possamos ajudar a organizar tudo isso na vida das crianças devemos, acima de tudo, adotar desde cedo os bons hábitos!

Vamos começar pensando no exemplo de uma criança que está em processo de desfralde ou que regrediu um pouco e voltou a fazer xixi na cama, depois da chegada de um irmãozinho. Nessa fase, um xixi sempre escapa. Isso é certo, como dois e dois são quatro. Nessas horas, temos que manter a calma, mesmo que a cama tenha sido recém trocada e que, do lençol de baixo ao edredon, tudo terá que ir para a máquina de lavar. Lembremos, a criança ainda está em fase de “treinamento”. Quando aprendemos a andar de bicicleta, os tombos não são inevitáveis? Nesse caso, o xixi fora do lugar também é. Dito isso, vamos ao exemplo. Alguns pais, por irritação ou orientação mesmo, acabam dizendo:

– Vamos deixar você molhada mesmo, para que se incomode com isso e perceba o quanto é ruim!

Pense. A criança pode acreditar no que no que você está querendo ensinar. Ela pode até aprender e se acostumar que o melhor mesmo é ela ficar molhada e com cheiro de xixi. O que não é nada bom pra ela. O ideal aqui é fazer exatamente o contrário. Trocar esta criança e ir mostrando que não é legal ficar molhada, que é melhor ficar limpinha e seca.

Outra situação, aquela criança maior que brincou o dia inteiro e que está morrendo de preguiça de tomar banho. Nesse caso, temos que ter força (não física, mas emocional) para convencê-la a ir para o chuveiro e assim aprenda que não é bom dormir suja. Não precisamos ficar falando, apenas devemos agir com firmeza.

Manter a casa organizada, limpa, enfeitada com flores, sempre que possível, também faz com que a criança se adapte a este ambiente e no futuro senta saudades disso.

O hábito de comer na mesa, para que a criança vivencie esta proximidade com os familiares e com a alimentação.

O hábito de dormir sempre no mesmo horário, sem a TV ligada ou com rituais.

Os bons hábitos trarão segurança, organização interna e tranquilidade às nossas crianças.

Na adolescência, é provável que esses hábitos que, a duras penas, implementamos sejam contestados ou deixados de lado. Tudo bem, faz parte! Mas quando começar o processo de autoeducação, lá pelos 15 ou 16 anos, o que se tornou hábito na infância comece a falar baixinho lá dentro e a dar saudade. No futuro, esses hábitos voltarão como prática.

Quando nós, adultos, dissemos:

– Nossa! Preciso ir para praia para descansar!

Provavelmente, isso foi algo que aconteceu de fato na nossa vida, lá na primeira infância, e hoje ressoa forte no coração. Um hábito que pode ter sido instalado lá atrás e que hoje está internalizado, já vive dentro de nós. É assim que funciona. Nós só sentimos falta ou saudades do que já tivemos, do que já vivemos repetidas vezes.

Todos os bons hábitos e os valores que acreditamos e conseguimos manter firmes dentro da nossa casa são bases estruturais para um adulto mais seguro de si.

 


0

Alterações Posturais na Infância

Hoje, temos uma convidada muito especial por aqui: A Fisioterapeuta, especializada em cuidados infantis, Fátima Cechinel que, gentilmente nos conta sobre um problema recorrente na vida de muitos pequenos: A Escoliose!

Pediatrician examining little girl with back problems.

Muitos problemas da fase adulta podem ser prevenidos e tratados na infância e na adolescência. Por isso precisamos estar atentos às mudanças corporais das nossas crianças.

As fases da infância e adolescência correspondem àquelas em que os jovens frequentam o ambiente escolar, no qual permanecem longos períodos sentados, normalmente em uma postura inadequada e, na maioria das vezes, em mobiliários inadequados que, somados à tendência de um estilo de vida sedentário adotado na fase escolar, podem também favorecer o surgimento das alterações posturais entre elas a ESCOLIOSE.

A escoliose é a curvatura lateral da coluna vertebral, que pode ser única ou múltipla e fixa (devido à deformidade muscular) ou móvel (devido à contração muscular desigual). Existem várias causas, tipos e classificações, porém, a mais frequente é a Idiopática (de causa desconhecida). As curvas tendem a progredir rapidamente durante o estirão de crescimento.

O tratamento pode ser conservador, incluindo órteses e exercícios ou cirúrgico.

Sabemos que as crianças são incapazes de reconhecer a necessidade de modificarem a postura por isso precisamos da colaboração dessas crianças para sucesso do tratamento.

As alterações posturais que as escolioses provocam podem influenciar a saúde emocional dessas crianças quando atingirem a adolescência ou a fase adulta, as vezes privando de usar alguma roupas que marquem um pouco mais o corpo ou até mesmo de frequentar determinados ambientes.

Um teste simples ajudará a identificar se seu filho tem escoliose

Coloque a criança em pé, de costas para você. Peça para ela juntar os pés e se inclinar para frente, com os braços soltos ao longo do corpo. Observe atentamente a simetria dos dois lados das costas: ambos devem ter a mesma altura, tanto na lombar como na torácica. Se um dos lados for mais alto que o outro, a diferença pode ser indício de uma escoliose em formação.

Não fique com duvidas se seu filho tem ou não. Consulte um fisioterapeuta ou Pediatra.

Fisioterapeuta: Fatima Minucelli Cechinel Martins

Crefito: 86782F


 

crianca-e-relogio

Tic tac, tic tac, tic tac.

Provavelmente você não tem um relógio de ponteiros por perto, mas só de codificar essas letras e transformá-las em som você reconheceu esse ritmo. E só reconheceu porque já ouviu tantas e tantas vezes que esse som passou a viver dentro de você.

O ritmo na vida de uma criança é a mesma coisa. Ele se instala a partir do momento que há uma repetição. Acordar mais ou menos na mesma hora, trocar de roupa, ir ao banheiro, arrumar a cama, tomar o café, escovar os dentes e sair de casa. O que para nós pode ser uma completa monotonia sem graça, para as crianças é segurança, é calma. Essa constância é fundamental pra elas.

Na semana passada conversamos sobre a impaciência. Bem, hoje gostaria de trazer um assunto que pode nos ajudar muito a lidar com essa questão: o ritmo, esse tic tac aí do início.

Se observarmos a nossa volta, principalmente na natureza, podemos ver que tudo tem um ritmo: dia e noite, dias da semana, estações do ano, as frutas que nascem em determinadas épocas… Podemos fazer uma analogia também com o ritmo da nossa respiração. Um momento se está mais pra dentro (inspiração), brincando dentro de casa, tomando um lanche, a criança fica mais quietinha. Em outro momento (expiração), ela brinca no parque, corre, brincando livre dentro de casa mesmo…

Quando tudo isso acontece de forma repetida traz a sensação de segurança, de confiança, pois já sabemos o que vai acontecer a seguir. Com a criança não é diferente e temos que ter isso ainda mais presente, pois ela está em processo de desenvolvimento e de formação. No caso dos pequenos, além de se sentirem mais seguros e confiantes, esse ritmo traz também saúde física e psíquica. Ele também é um aliado importante para ajudar a combater um mal que tem tirado muitas de nossas crianças do prumo, a ansiedade. Hoje é comum crianças chegarem ao consultório com essa queixa. Quando não existe esse respeito, esse cuidado para acordar, para fazer as refeições, para dormir a criança fica confusa, perdida e demonstra isso em seus comportamentos.

No livro A Arte de Educar em Família – os desafios de ser pai e mãe nos dias de hoje – Sandra Stirbulov e Rosemeire Laviano fazem uma reflexão importante: “Quando se fala em ritmo, frequentemente vem à cabeça noções de rotina… Ritmo e rotina são diferentes, mas ambos são importantes, complementares e proporcionados pela repetição. Vamos fazer uma analogia com o compasso e a melodia de uma música: enquanto a rotina ordena, dá o compasso, o ritmo traz uma respiração, é a melodia.”

É importante atentar para o fato de que a criança não cria esses ritmos sozinha, ela conta com o nosso empenho para ajudá-la a estabelecer isso desde o seu nascimento.

Vamos pensar primeiro na rotina básica, higiene, alimentação, sono… Quando determinamos horários para que essas coisas aconteçam e repetimos isso diariamente, a criança internaliza. Significa que esse ritmo passa a viver dentro dela. Não precisamos dizer que já são seis horas e é hora do banho. Se o banho sempre estiver depois da hora de guardar os brinquedos e antes do jantar, por exemplo, isso se tornará natural e ela fará com tranquilidade.

Algumas crianças que têm medo de dormir sozinhas e sempre acabam dormindo na cama dos pais. Para ajudá-la, podemos estipular um horário para dormir e repeti-lo diariamente, criar um ritual que aconteça todos os dias com pouquíssimas variações. Essa repetição vai trazer segurança. No começo, dará trabalho mas depois de um tempo, se mantivermos esse ritmo, a criança vai se adaptar e se acostumar.

O importante é termos em mente que no nosso entorno existe um ritmo acontecendo e trazer isso para a vida das crianças é fundamental.