Como ajudar as nossas crianças a enfrentar o luto
Recentemente passei por uma situação muito difícil, a perda de uma pessoal muito querida e que fez parte da minha infância. Me deparei com o fato de ter que falar sobre esse tema tão delicado com...

Leia mais

Coisa de menino e coisa de menina
Uma menina gostar de azul tudo bem! Mas e um menino gostar de rosa? Conheço muitos pais que vão responder: – Ah, não… Rosa meu filho não vai vestir! Assim como já ouvi: – Essa b...

Leia mais

Toda criança precisa de Ninho
  Você já deve ter visto um ninho de passarinho de perto. Melhor ainda se conseguiu acompanhar todo o árduo trabalho desses pequenos seres para construir um lar para seus filhotes. Eles trazem...

Leia mais

Criança e Agressividade
Ruiva, cabelo encaracolado e cheia de personalidade. A mãe descreve assim a filha de menos de três anos. A pequena é independente, quer escolher a roupa (não importa se o termômetro marca 17 grau...

Leia mais

O momento de tirar a fralda
  Seu bebê está crescendo, adquirindo cada vez mais autonomia e você percebe que está na hora de deixar a fralda pra trás. O período do desfralde indica o início da maturidade na criança....

Leia mais

 

impaciencia

O alarme do despertador toca.

– Vamos lá criançada, acordando! Vamos, sem preguiça…

Um vai pro banheiro, outro se troca lentamente. A mãe e o pai também se arrumam. Café da manhã na mesa, família reunida, um sonho que mal cabe no final de semana.

– Corre! Corre! Arruma esse cabelo, João! Cadê meu tênis! O meu lanche tá pronto? Pega aí um suco de caixinha e um desses bolinhos que a gente comprou ontem no mercado. Puxa, a gente já atrasado de novo… Chama o elevador, Henrique. Vamos, vamos, saindo!

No carro, a correria continua.

Na entrada da escola, também.

O dia que começa e mais parece uma gincana.

A gente corre e força as crianças a correrem também. Esse movimento só intesifica uma característica que já existe nos pequenos: a impaciência.

Mas aprender a esperar faz parte do aprendizado infantil e, para que possamos ajudá-los nesse processo, ensinar a eles ter paciência, temos que observar o nosso estado interno e o nosso ritmo diário.

A primeira coisa é perceber que as crianças têm um ritmo próprio e é um erro querer que elas acompanhem a nossa correria. Se queremos que eles não dêem trabalho para acordar ou que não demorem para comer, por exemplo, temos que assumir a responsabilidade e começar mais cedo! Que tal, meia hora? Acordar mais cedo, preparar a comida um pouco antes, acordá-lo antes também… Pode não ser muito fácil, mas vai valer a pena e economizar muito estresse.

Então, o primeiro passo é nos aquietarmos internamente para que possamos conduzir os nossos filhos com tranquilidade. Como querer crianças pacientes se o que ensinamos é correria e pressa? O mundo externo reflete no mundo interno e o inverso também é verdadeiro.

Outra dica importante para lidar com a impaciência é ensinar que tudo tem a sua hora e que a vez deles também vai chegar. Na hora do almoço, por exemplo, podemos servir os mais velhos primeiro e as crianças logo depois. Esse gesto pode ajudá-las a internalizar o movimento da espera. Levar as crianças para a cozinha também pode ajudar. Ver quanto tempo demora o cozimento de um arroz, que existe um processo demorado para o feijão deixar de ser um grão duro e cru e se tornar saboroso e macio. Tudo é aprendizado!

Presentes fora de hora ou a todo momento também pouco ajudam. Eles ensinam à criança que ela pode ganhar tudo e a qualquer hora. O ideal é manter os presentes em datas importantes como dia do aniversário, Natal.

Paciência anda de mãos dadas com a perseverança. Percebemos que muitas crianças não vão até o final de uma brincadeira ou de alguma atividade proposta, desistem e não, somente, por insegurança, mas por não terem paciência para chegar até o objetivo final. Os brinquedos que envolvem labirinto são sempre bons aliados para ajudar os pequenos a ter paciência para percorrer o caminho.

Respeitar o ritmo interno da criança. Isso é fundamental pra eles e muito bom pra nós também!


0

Livro Infantil: Quando sinto Medo

medo

Para complementar o texto dessa semana, gostaria de compartilhar com vcs a dica de um livro, de uma coleção que eu adoro: Quando Sinto…!

Esta coleção traz de forma bem lúdica as vivências de um coelhinho em diversos sentimentos.

Este especificamente é Quando Sinto Medo, que fala o que acontece com ele quando sente medo e o que ele faz para melhorar.

A coleção é da Ciranda Cultural, escrito pela Psicóloga Trace Moroney.

 

 


2

Medos Infantis

medos-infantis

 

– Mãe, como se diz quando a gente tem um sonho ruim?

– Pesadelo, filha.

– Ah, acho que eu tive um desses hoje.

E a criança começa a contar um sonho onde ela estava e apareceu um lobo e uma bruxa, num enredo cheio de fugas e perseguições.

Esse diálogo é uma ficção, mas não está longe da realidade. As crianças têm medos e esses medos ficam mais evidentes em determinadas idades.

A criança que está por volta dos seus 4, 6 anos vivencia uma fase de pura fantasia e imaginação. Podemos observar isso através das brincadeiras. Tudo é muito real para ela. A linha entre imaginação e realidade é muito tênue. Por isso, essa é uma das fases em que os medos aparecem: medo de escuro, medo de bruxa, medo dos zumbis…

Para não piorar ainda o que naturalmente já apareceria, é importante que cuidemos do acesso da criança à TV (alguns filmes e certos programas, como os que trazem notícias sobre violência, não são nada recomendados), jogos eletrônicos com imagens fortes para crianças também não são indicados. Temos que estar atentos e não permitir que a criança tenha acesso a conteúdos que ainda não são para a idade dela. Todas as imagens que a criança vê precisaram ser digeridas de alguma forma e, às vezes, ela não tem ferramentas psíquicas para trabalhá-las internamente e a criança pode levar isso para o sono, com pesadelos e medo de ficar sozinha no quarto.

Aos 9 anos, os medos podem voltar. Nesse momento, a criança vive outro processo importante, que na Antroposofia é chamado de Rubicão (detalharei num texto à parte). A criança está mergulhada em si e aquela vivência do Eu interno que começa a surgir aos 3 anos (http://falandodainfancia.com.br/2016/09/08/208/) se intensifica. Algumas crianças podem demonstrar vários tipos de medos, o da separação (como ser levada por alguém, ficar esquecida em algum lugar), o medo da morte, o medo de que alguém morra. Isso é normal.

Os medos também podem aparecer em decorrência de algum grande susto, de alguma perda importante ou de alguma mudança que ela esteja prestes a vivenciar. O novo e o desconhecido podem trazer medos ou preocupações.

De qualquer forma uma das melhores formas de lidar com este sentimento é não menosprezando-o! Utilizo muito, no consultório e com as minhas filhas, o desenho como ferramenta de transformação deste sentimento. Podemos pedir para que a criança faça um desenho do pesadelo ou do medo que ela enfrenta.

A questão é que nem sempre as crianças querem registrar seus medos e colocá-los no papel ou ainda contar por receio que possam se realizar. Nessa hora, é importante que os pais encorajarem os filhos a desenhar, dizendo: “olha, eu tô aqui do seu lado, eu vou cuidar dele (do medo, do pesadelo) pra você”. Se a criança mesmo assim continuar não querendo desenhar ou pintar, aí você pode falar baixinho: “conta aqui no meu ouvido, ninguém vai ouvir”. Isso ajuda a criança a ficar mais segura.

A criança desenha o seu medo, o pesadelo que teve ou a cara que ela acredita que o medo tenha, geralmente são feições desagradáveis. Nesse instante, é hora de brincar, de transformar aquele desenho, sugerindo: “vamos colocar aqui uma pintura no rosto dele? Olha como ficou engraçado! Será que ele tem essa cara tão feia quanto você imagina”. No caso de pesadelo. Você pergunta: “aí aconteceu isso…, a bruxa entrou e roubou a mamãe?”. Nessa hora, você pode sugerir: “que tal a gente mudar o final dessa história, vamos inventar um final diferente juntos? Vejo um super-herói salvando a mamãe…”. Assim entramos de forma lúdica no universo das crianças e os ajudamos a encontrar novas saídas para os medos.

Mas, é claro, que se for algo muito intenso, se a criança passou por um susto muito grande, um acidente, se alguém entrou em casa, daí é importante procurar um profissional.


0

Dia das Crianças – brinquedos e brincadeiras

0wod1y0vhzi897l22sisbwcwj

E hoje é um dia pra lá de especial, Dia das Crianças! Muita alegria, passeios, piqueniques e, para muitas crianças, dia de brinquedo!

É importante termos em mente que, tanto os brinquedos, quanto as brincadeiras, não são simples passatempo na vida das crianças ou subterfúgios que utilizamos para distraí-las enquanto estamos ocupados. São ferramentas que ajudam a criança a se comunicar, a se expressar no mundo. São parte essencial no seu processo de desenvolvimento.

Brinquedos simples, elementos da natureza e objetos do dia a dia (como colheres de pau, panelas) são excelentes opções.

Não são necessários brinquedos super elaborados, cheios de luzes e sons, o que eles precisam são de brinquedos que possibilitem a livre imaginação e criatividade. Quanto menos “prontos” melhor para a criança.

Na primeira parte da infância, até aproximadamente os 7 anos, época em que eles vivem intensamente a imaginação e a fantasia, as bonecas, as capas de príncipes e princesas, de super-heróis, as coroas são ideais para eles. Assim como caixas de papelão, que se transformam em uma casinha ou um carro, por exemplo. A própria construção já traz em si várias situações importantes: como a criatividade, a autoestima em sentir que fizeram uma produção própria, a possibilidade de lidar com algo que não deu certo, o trabalho em equipe, pois não raras vezes as crianças precisarão da ajuda e da opinião de outros amigos ou dos pais para concluir um trabalho (brinquedo).

Já por volta dos 8 anos, os jogos de tabuleiro começam a fazer parte deste universo. Esses jogos trazem a clareza das regras e a importância de respeitá-las, possibilita trabalhar o posicionamento de cada um e o perde e ganha que teremos ao longo da vida.

Aos 9 anos, a criança deixa para trás a fase da fantasia e percebemos que as brincadeiras são muito mais corporais, como pega-pega, esconde-esconde e polícia e ladrão. Não que essas brincadeiras não apareçam antes, mas é agora que se tornam favoritas. Sendo assim, os brinquedos podem ser ainda mais simples como o elástico e a bola.

E temos ainda aqueles brinquedos importantíssimos e que perduram sempre como a bicicleta, patins e corda…

Aqui vale uma pequena reflexão. Existem brinquedos, os de montar, por exemplo, aqueles que trazem junto à caixa um manual de montagem. Nesse caso, o brinquedo perde um pouco algumas funções. Quando a criança monta as peças, ela copia um modelo e quando assim que as peças se encaixam não há outras possibilidades. Enquanto num brinquedo sem manual ou modelo prévio, a criança monta e de repente tudo cai e ela tem que montar novamente. Quando isso acontece, a criança, sem perceber, trabalha a perseverança, lida com a frustração.

Enfim, são várias as possibilidades, mas a dica que gostaria de deixar aqui é para que não fiquemos dando brinquedos a todo instante. As crianças, principalmente as que estão na primeira infância, vivenciam as épocas do ano através das datas especiais (o aniversário, o Natal, o Dia das Crianças…). Elas sentem o momento do ano que estão através destas datas e das estações do ano. Quando damos um presente na data certa (numa data que faz sentido pra ela) estamos ensinando os nossos filhos a esperar a chegada de algo especial, a ter paciência que tudo tem a sua hora. Assim criamos aquela expectativa gostosa de que tal data está chegando e que algo especial vai acontecer. Ajudamos as crianças a entender que tudo tem a sua hora e tornamos aquele momento e aquele presente ainda mais especial e valorizado!


0

Presença o Melhor Presente

bolag

O Dia das Crianças se aproxima e imagino que as crianças já estejam com a lista pronta do que gostariam de ganhar no dia 12 de outubro: bonecas, jogos, carrinhos, quebra-cabeça, eletrônicos e por aí vai…

Não há dúvidas de que as crianças adoram ganhar brinquedos novos e, é claro, um presente hora ou outra não faz mal para ninguém e não causa nenhum dano emocional mas será que é isto que vai preencher o coração dos nossos filhos? Muitas vezes, mesmo sem perceber, somos engolidos pela correria do dia a dia  por estar no celular ou computador a maior parte do tempo. E, quando nos sentimos em falta com eles às vezes acabamos caindo numa armadilha, escolhemos presentear as crianças com os melhores brinquedos, com passeios em parques caros, com os últimos lançamentos do cinema. Mas existe algo mais simples, mas de uma preciosidade enorme para eles e que não custa dinheiro algum: a nossa presença.

Toda criança necessita da presença ativa dos pais em sua vida. Precisa do envolvimento afetivo, de conversas, de abraços, de olho no olho… A hora do almoço, do jantar, o caminho para a escola, a hora de dormir, as brincadeiras onde todos participam, são momentos inesquecíveis que possibilitam a conversa e o envolvimento caloroso entre pais e filhos.

A vivência desses momentos, permite a construção de memórias que, certamente, ficarão enraizadas para a vida inteira e vão preencher qualquer vazio que possa existir no futuro.

O convite que gostaria de fazer aqui é, para que possamos cuidar da nossa presença como pais, com muito carinho, construindo momentos especiais, repletos de alegria e calor, todos os dias mesmo que com pouco tempo que temos. Uma boa oportunidade é começar nesse dia 12 de outubro. Faça uma proposta para seu filho, ao invés de um presente, proponha que façam juntos alguma coisa. Vale um passeio no parque, um café da manhã na cama, andar a cavalo, montar quebra-cabeça, brincar de salão de beleza, subir numa árvore. Construindo memórias que servirão de base para o seu desenvolvimento.

É a disponibilidade da nossa presença diária que vai estruturar e preencher, em todos os sentidos a vida de nossos pequenos.

Sentir a magia desse encontro feito de coração para coração, é o presente mais valioso.

Pesquisando, descobri algo bem interessante. O Dia das Crianças foi criado na década de 1920 por um deputado federal, mas a data não pegou, até que 40 anos depois duas grandes empresas decidiram aproveitar o dia para impulsionar as vendas de produtos para crianças, aí sim deu certíssimo, para eles!

Que tal fazer diferente dessa vez e ser o próprio presente do filho nesse dia!