crianca-brincando

Foi mesmo uma noite especial. Todos na casa estavam ansiosos. Mas naquela quinta-feira éramos todos coadjuvantes (pai, mãe, irmã caçula). As atenções se voltavam para a filha mais velha. Uma menina meiga e ao mesmo tempo corajosa que estava prestes a perder seu primeiro dente. “Uauuuuu, nem doeu”, festejou ela. No final do primeiro setênio (entre os seis e sete anos de idade), aquilo que não pertence mais à criança, como os dentes de leite que são uma herança dos pais, começa a ir embora, para dar lugar a dentição permanente.

Podemos considerar o primeiro setênio como o alicerce para toda a vida do ser humano. Imaginem se construirmos uma casa e não cuidarmos da base, das fundações?

Em todas as fases da vida temos a oportunidade de nos fortalecer, porém é no primeiro setênio que temos a chance de ouro de construir esse alicerce forte que irá nos acompanhar por toda a nossa trajetória.

Do momento que nasce até os sete anos, a criança permanece no envoltório da mãe. Significa que ela viveu o nascimento do corpo físico no dia do seu nascimento propriamente dito, mas até os sete anos ela ainda recebe o mundo através dos olhos da mãe.

Pensando que tudo o que acontece ao redor dela entra fortemente em sua alma, precisamos urgentemente cuidar do que ela assiste, do que ouve, de que tipo de jogos brinca. Muitas imagens são de difícil digestão nesta fase. Mas a criança não tem saída, se foi captado pelos olhos a criança precisa digerir internamente. O problema é que muitas vezes ela não dá conta. O que pode surgir disso é a doença e os órgãos mais atingidos são a pele e o pulmão com o surgimento de alergias e problemas respiratórios.

Algo muito importante que acontece nessa fase é a imitação, o espelhamento. A criança imita e reproduz tudo o que está ao seu redor. Ela aprendeu a andar quando observou um adulto ficando em pé, por exemplo. Essa imitação ocorre no âmbito aparente, mas também de forma sutil em um âmbito muitas vezes invisível aos olhos. É nesta fase que construímos a base para moralidade. Devemos prestar muita atenção em nossas atitudes. Devemos ser adultos dignos de sermos seguidos.

A criança nesta idade vivencia um mundo de fantasia! As brincadeiras se desenrolam mais nesse sentido. Quatro cadeiras viram um carro, tecidos pendurados são o portal de um castelo, um saco de um quilo de feijão se transformam num filho pequeno. Por isso, mais um motivo para que limitemos o acesso a eletrônicos, a jogos onde apareçam cenas assustadoras. Para a criança, nessa fase, não existe separação do que real e do imaginário. Ela vivencia tudo de forma real! Aquela imagem e fantasia para a criança são verdade.

Chegando aos cinco ou seis anos, a criança começa a se preparar para algo muito importante no seu processo de desenvolvimento. Lembra que falamos há pouco que ela vive no envoltório da mãe. Pois agora está na hora de começar a ver o mundo através dela mesma. Nós, como pais, já concluímos uma bela empreitada. Ajudamos na preparação interna da criança, fortalecendo seu alicerce, criando recursos para que ela possa dar mais esse passo e vivenciar o mundo lá fora. Ela “nascerá” novamente, a separação do “Eu” e o “Outro” irá se acentuar. E isso pode despertar alguns medos, como o medo de escuro, medo de andar pela casa sozinha, de brincar em algum cômodo sozinha. Mas quando percebemos que são medos característicos dessa fase podemos auxiliar a criança. Primeiro devemos ouvi-la com atenção e não subestimar os medos. Falar para a criança que ela não está só e que na idade dela você também já passou por isso. Vale preparar uma pequena luz no quarto, manter rituais antes de dormir como um verso ou oração que fortaleçam e falem de proteção. Nessa fase é importante apresentarmos um mundo bom para a criança e fazer com que ela se sinta segura aqui.