luiza pe

O nascimento de uma criança é sempre um momento cheio de expectativas e surpresas. Os olhos e o coração dos pais e de todos os familiares se enchem de alegria. Um momento inexplicável, um encontro que vai permear o restante da vida de pais e filhos. Junto com todas essas emoções, inicia-se um caminho de aprendizagem para pais e bebê. Um percurso que vai durar a vida inteira. Algumas coisas, já sabemos, que muito amor e afeto ajudam no desenvolvimento, que não adianta apressar ou pular etapas porque isso vai fazer falta lá frente, mas o fato é que nenhum filho vem com manual e exatamente por isso é fundamental que a gente conheça detalhes importantes que vão fazer a diferença para que a criança tenha um desenvolvimento físico e emocional o mais saudável e benéfico possível.

O início se dá muito antes do parto, é no momento da concepção, a importância de uma concepção consciente, da criança se sentir bem-vinda nesse começo de vida. No útero da mãe, o bebê estava acolhido, quentinho, se acostumou a ouvir chiados na maior parte do tempo e os alimentos chegavam sem que fosse preciso pedir. O primeiro desafio para muitos já é o nascimento. Por isso, um parto respeitoso é tão importante. Esperar o momento do bebê, não apressar nada com intervenções desnecessárias, não levá-lo para longe da mãe. Criar um ambiente que o faça sentir-se bem-vindo, um ambiente parecido com a atmosfera que estava acostumado durante os nove meses. Engana-se por completo quem pensa que o bebezinho, ainda tão pequeno, já precisa ir se acostumando com barulho, luzes fortes e muita falação.

Eles precisam de sossego. Sendo assim, definitivamente shopping, por exemplo não é lugar para esses pequenos.

O outro ponto de vista que é essencial neste primeiro ano de vida é ver que todo o caminho feito por este bebê é em direção ao ficar em pé! Lembram, no texto anterior, quando falamos do germe da vontade? Aqui conseguimos vê-lo em perfeita atuação. Germe, semente que já começa a atuar dentro do útero, quando o bebê começa a fazer força para passar pelo canal do nascimento. Nesse sentido, nascer é a primeira grande força interna da vontade que esse bebê vai vivenciar. Depois ele vai crescendo, ganhando corpo. A criança começa levantando a cabeça, depois rola, vira de bruços, até conseguir se sentar e em seguida engatinhar. Nesse momento, o bebê movimenta os dois lados do cérebro, trabalha a lateralidade e se fortalece para chegar ao ponto de ficar em pé.

Nesse primeiro ano, uma das brincadeiras que vão ajudar a criança nesse processo é a de jogar objetos no chão. Ela pega uma colher e joga, a mãe, o pai, pegam novamente a colher, dão para criança e ela volta a jogar. Isso é repetido várias vezes sem que ela se canse. Essa brincadeira, para nós sem muito atrativo, é para o bebê o primeiro teste de gravidade. O próximo passo vai ser ela fazer o teste com o próprio corpo.

O início do andar na infância tem o sentido de andar no mundo quando adulto. Quando a criança está vivendo esse processo ela cai, se levanta, cai novamente e isso é uma grande alegria para ela, uma conquista gigantesca. A gente vai passar pela vida inteira nesse cai levanta. É disso que é feita a vida: desafios, acertos, quedas e aí temos que nos levantar novamente. Quando, na tentativa de ajudar, a colocamos num andador estamos passando a seguinte mensagem: você não dá conta, não é capaz. Emocionalmente é como se ele precisasse desse recurso sempre, sempre que cair vai precisar de ajuda para se levantar, para andar no mundo. A criança precisa vivenciar esse processo, enfrentar essas tentativas ela mesma.

Ela consegue, é natural! Lembrem-se que devemos alimentar essa força interna de coragem e conquistas!